Indústria precisa estar no centro da estratégia de desenvolvimento, defende CNI a presidenciáveis

Indústria precisa estar no centro da estratégia de desenvolvimento, defende CNI a presidenciáveis

A revitalização do setor manufatureiro nacional foi apontada como o caminho indispensável para que o Brasil recupere sua competitividade global e gere empregos de alta qualificação e renda elevada. No discurso de abertura do evento A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Brasília, o presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu a centralidade da indústria de transformação no planejamento socioeconômico do país. O fórum corporativo, realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, reuniu lideranças do setor produtivo e os pré-candidatos à Presidência da República Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro.

Durante o encontro, os presidenciáveis receberam formalmente o documento estratégico Construindo o Brasil 2050 – A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis. O material reúne recomendações técnicas em frentes prioritárias como inovação, infraestrutura de transportes, energia, sustentabilidade, segurança jurídica e sistema tributário, funcionando como subsídio para os programas de governo e futuras equipes de transição.

Premissas simultâneas para uma agenda pró-crescimento

Para reverter o processo histórico de desindustrialização — que reduziu a participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 35,9% em 1985 para 13,7% em 2025 —, a CNI estabeleceu três pilares macroeconômicos que devem ser executados de forma simultânea:

  • Política Macroeconômica Favorável: Estruturação de diretrizes que garantam o crescimento econômico vigoroso, sustentado e focado no controle inflacionário.

  • Desenvolvimento Produtivo: Estímulo direto aos investimentos privados, elevação dos índices de produtividade e fomento à transferência tecnológica.

  • Redução do Custo Brasil: Eliminação de amarras burocráticas e gargalos logísticos para aprimorar o ambiente de negócios nacional.

A diretoria da confederação enfatizou que o Custo Brasil drena severamente a capacidade de reinvestimento das companhias, afasta o capital estrangeiro produtivo e encarece o preço final dos produtos e serviços consumidos pela sociedade. Alban defendeu a substituição de medidas improvisadas por um planejamento de Estado de longo prazo.

Reformas estruturais e os três eixos do documento programático

O avanço competitivo do parque fabril nacional depende, segundo a entidade, de reformas que ataquem disfunções históricas da economia. Entre as prioridades listadas estão o controle rigoroso dos gastos públicos, a redução do spread bancário, a modernização do setor elétrico, o reequilíbrio da matriz de transporte e logística, a conclusão de obras paralisadas e a garantia de regras tributárias que desonerem os investimentos produtivos.

O documento orientador Construindo o Brasil 2050 está estruturado em três grandes eixos analíticos e operacionais:

Eixo de Atuação Escopo e Diretrizes de Formulação Política
Ambiente Macro Contempla o mapeamento do cenário internacional, a política fiscal e o equilíbrio da equação inflação-câmbio-juros.
Desenvolvimento Produtivo Aborda as políticas industrial e comercial, acesso a mercados, inovação, transição ecológica e formação de recursos humanos.
Custo Brasil Foca em energia, tributação, financiamento, modernização das relações de trabalho, segurança e estabilidade regulatória.

Brasil Inovador

O posicionamento firme da CNI diante dos presidenciáveis reforça a tese de que o desenvolvimento econômico sustentável do país não ocorrerá sem um parque industrial moderno, tecnológico e livre de travas burocráticas, uma pauta acompanhada em detalhes pelo Brasil Inovador.

Para o Brasil Inovador, a grande disrupção do discurso de Ricardo Alban reside no alerta sobre o encolhimento da indústria de transformação para 13,7% do PIB. Em um mercado global moldado pela Indústria 4.0, automação e inteligência artificial, a perda de densidade industrial equivale à perda de soberania econômica. O enfrentamento do Custo Brasil não deve ser tratado como uma pauta corporativa isolada, mas sim como uma estratégia de sobrevivência nacional para reter investimentos de alto impacto e evitar a fuga de capitais para mercados mais eficientes.

Sob a perspectiva de negócios e atração de investimentos, o diferencial competitivo exigido pelas lideranças industriais passa por um ambiente regulatório estável, sustentado por agências independentes e linhas de financiamento de longo prazo que incentivem o risco tecnológico. O grande desafio para as equipes econômicas dos pré-candidatos que ocuparam o Centro de Convenções Ulysses Guimarães será converter as diretrizes do documento Construindo o Brasil 2050 em metas fiscais e operacionais exequíveis. Ao condicionar o diálogo político ao pragmatismo de reformas estruturais e ao reequilíbrio da matriz de transportes e energia, o fomento liderado pela CNI pavimenta o caminho para transformar o Brasil em uma economia de alto valor agregado, produtiva, inovadora e plenamente integrada às cadeias globais de valor.

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