CNI apresenta propostas para destravar o crescimento econômico e modernizar o crédito

CNI apresenta propostas aos presidenciáveis para destravar o crescimento econômico e modernizar o crédito

O setor produtivo nacional articula junto ao ambiente político uma agenda macroeconômica focada em produtividade e sustentabilidade fiscal para o próximo ciclo de governança. Por meio do documento estratégico Construindo o Brasil 2050, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) detalha um conjunto de recomendações estruturais entregues aos pré-candidatos à Presidência da República. O plano de ação visa neutralizar os dois principais gargalos ao desenvolvimento do país: o desequilíbrio fiscal e o custo elevado do financiamento corporativo.

De acordo com a entidade, a pressão contínua sobre as contas públicas, somada a taxas de juros elevadas e à escassez de crédito acessível, drena a capacidade de reinvestimento das companhias e limita os ganhos de eficiência da economia.

Revisão de despesas obrigatórias para recompor a credibilidade fiscal

A CNI defende de forma categórica que a aceleração do crescimento econômico está condicionada à reconstrução da confiança na política fiscal do país. Os dados apresentados revelam que a dívida pública brasileira avançou de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 para 78,6% em 2025. A análise técnica aponta que as regras do atual arcabouço fiscal são insuficientes para conter a expansão automática das despesas obrigatórias.

Para reverter essa trajetória e abrir espaço para a queda sustentada dos juros, a confederação propõe as seguintes medidas regulatórias:

  • Plano Plurianual de Consolidação Fiscal: Instituição de um planejamento de longo prazo com metas rígidas e transparentes para receitas, despesas, resultado primário e evolução da dívida pública.

  • Fim dos Gastos Automáticos: Extinção de gatilhos e indexações que provocam o crescimento inercial do orçamento público.

  • Redesenho do BPC e Abono Salarial: Diferenciação do valor do Benefício de Prestação Continuada (BPC) em relação ao piso previdenciário, além da revisão ou extinção do abono salarial.

  • Desvinculação do Salário-Mínimo: Desatrelar os reajustes dos benefícios previdenciários da política de valorização real do salário-mínimo.

  • Piso Social Único: Unificação dos mínimos constitucionais obrigatoriamente destinados às áreas de saúde e educação. A medida confere flexibilidade orçamentária para que o direcionamento de recursos acompanhe as transformações demográficas da população.

Lideranças da entidade alertam que, sem o equilíbrio rigoroso das contas públicas, as políticas setoriais de desenvolvimento produtivo ou de combate ao Custo Brasil perdem eficácia diante do impacto inflacionário e dos juros altos.

Modernização do crédito e novos instrumentos de garantia

O segundo pilar da agenda industrial concentra-se na reforma e ampliação do sistema de financiamento privado. Dados comparativos acendem o alerta para a baixa capilaridade financeira nacional: em 2024, a oferta de crédito ao setor privado brasileiro representou 75,6% do PIB, enquanto a média observada nos países da OCDE atingiu 150,5%. Adicionalmente, o spread bancário nacional alcançou a marca de 32,5 pontos percentuais, patamar muito superior ao de outras economias emergentes.

As restrições ao capital prejudicam majoritariamente as micro, pequenas e médias empresas, que sofrem para apresentar garantias reais exigidas pelas instituições financeiras tradicionais. Para destravar esses recursos e incentivar o investimento produtivo, a CNI propõe:

  • Uso de Recebíveis do PIX: Regulamentação para permitir que fluxos futuros de pagamentos via PIX sejam utilizados como garantia real em operações de crédito, espelhando o modelo já consolidado com os recebíveis de cartão de crédito.

  • Duplicata Escritural: Implementação em larga escala deste instrumento eletrônico para mitigar riscos de fraudes e facilitar o uso de ativos circulantes em negociações bancárias.

  • Extinção do IOF sobre Crédito: Eliminação definitiva do Imposto sobre Operações Financeiras incidente em financiamentos, reduzindo o custo final do dinheiro e eliminando a insegurança jurídica de reajustes de alíquota por decreto.

  • Otimização do Compulsório: Redução gradual dos depósitos compulsórios retidos no Banco Central para injetar liquidez no mercado e pressionar a queda das taxas de juros.

  • Concorrência e Mercado de Capitais: Fortalecimento de fontes alternativas de captação, maior transparência na divulgação de taxas e padronização documental para abertura de relacionamento bancário.

Brasil Inovador

A convergência entre austeridade fiscal e inovação nos instrumentos de crédito proposta pela CNI evidencia que o crescimento econômico sustentável do país depende do fim de velhas travas burocráticas e tributárias, uma realidade acompanhada com exclusividade pelo Brasil Inovador.

Para o Brasil Inovador, a grande disrupção desse pacote de medidas reside na modernização regulatória voltada às garantias financeiras, como o uso de recebíveis de PIX e a massificação da duplicata escritural. Em um ecossistema produtivo crescentemente digitalizado, insistir na exigência de patrimônio físico ou garantias imobiliárias para ceder crédito a micro e pequenas empresas é uma barreira que asfixia a inovação e impede que o capital chegue à base da cadeia de suprimentos.

Sob a perspectiva da estratégia de negócios e atração de investimentos, a unificação dos mínimos constitucionais em um piso social único e o controle rigoroso da dívida pública são passos fundamentais para trazer a estabilidade macroeconômica exigida pelo capital internacional de longo prazo. O grande desafio para o próximo governo será balancear a responsabilidade fiscal com a eficiência do ambiente regulatório, removendo tributos distorcivos como o IOF sobre o crédito. Ao canalizar os ativos circulantes e a tecnologia financeira para reduzir o spread bancário, o ecossistema institucional pavimenta o caminho para elevar os índices de investimento e produtividade, integrando a indústria nacional aos patamares de competitividade globais.

+
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.