Democratização computacional e consumo granular
A Claro, atuando como parceira tecnológica do Web Summit Rio 2026, utilizou o palco da conferência nesta terça-feira, 9 de junho de 2026, para anunciar o lançamento de sua oferta de GPU as a Service (GPUaaS). A solução foi desenhada especificamente para romper as barreiras financeiras de entrada que limitam o desenvolvimento de Inteligência Artificial no país, permitindo que startups, órgãos públicos e pequenas e médias empresas (PMEs) contratem apenas a fração necessária da capacidade de processamento de Unidades de Processamento Gráfico de alta performance.
O modelo de negócios tradicional do mercado de nuvem exige a aquisição de infraestrutura computacional em blocos fechados (geralmente de oito GPUs), gerando um cenário de ociosidade onde as empresas pagam pela capacidade total, mas utilizam apenas cerca de 20% do potencial nas fases iniciais de testes. A disrupção da oferta da operadora reside no consumo granular e fracionado, viabilizando a execução de Provas de Conceito (PoCs), o treinamento e a calibração de modelos de linguagem — tanto Large Language Models (LLMs) quanto Small Language Models (SLMs) — com menor investimento inicial.
Sustentação financeira e infraestrutura corporativa
A estratégia comercial da Claro empresas introduz duas salvaguardas macroeconômicas para mitigar riscos operacionais dos clientes B2B:
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Faturamento Direto em Real: A conversão da cobrança para a moeda nacional elimina a exposição cambial e a volatilidade do dólar, garantindo total previsibilidade financeira para o fluxo de caixa das PMEs.
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Otimização de Custos de Cloud: O serviço está ancorado no plano de expansão da plataforma Claro cloud, que recebeu um aporte de R$ 1 bilhão para ampliação de datacenters e modernização de infraestrutura de nuvem, conectando o hardware a ofertas de Plataforma como Serviço (PaaS).
A operadora consolidou-se como a primeira NVIDIA Cloud Partner (NCP) na América Latina, credencial técnica que a habilita a operar de forma nativa a arquitetura de computação acelerada da fabricante global. A governança do projeto é liderada por executivos das verticais B2B e de tecnologia da Claro, incluindo Rodrigo Assad (diretor de Inovação e Produtos B2B do beOn Claro), Mário Rachid (diretor-executivo de Soluções Digitais), Roberta Godoi (CEO da Claro empresas para PME) e Rodrigo Duclos.
Fomento científico e a parceria USP-FAPESP
Além do desdobramento comercial e corporativo, o fracionamento da infraestrutura de ponta cumpre um papel estratégico no desenvolvimento tecnológico nacional. A Claro estenderá o acesso à GPU as a Service para o ecossistema científico brasileiro, apoiando diretamente frentes de estudo de ponta e o centro de pesquisa mantido em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), focado no desenvolvimento conjunto de Inteligência Artificial e Redes 5G.
A Claro integra o grupo América Móvil — com presença em 25 países —, cobrindo mais de 4.800 municípios no Brasil. O ecossistema de novos negócios da operadora é centralizado pelo beOn Claro, seu hub de inovação corporativa fundado em 2019.
Brasil Inovador
O lançamento de uma oferta de GPU as a Service fracionada e faturada em moeda local representa um marco de virada para a soberania tecnológica e para o desenvolvimento de GovTechs, IndTechs e startups de software de base científica no país, uma dinâmica acompanhada com rigor pelo Brasil Inovador. Para o Brasil Inovador, a grande disrupção da estratégia da Claro reside em quebrar o oligopólio de infraestrutura das Big Techs internacionais de nuvem, cujos custos indexados ao dólar inviabilizavam o ciclo de P&D e a sobrevivência financeira de desenvolvedores locais de IA. A forte tendência de adotar e treinar Small Language Models (SLMs) — que exigem arquiteturas mais enxutas e específicas para dados regionais — encontra nesse modelo de consumo granular o ecossistema ideal para transformar o Brasil de mero importador de algoritmos estrangeiros em exportador de aplicações proprietárias.
Ao associar a homologação como parceira oficial da NVIDIA ao financiamento de centros de pesquisa de excelência ao lado da USP e FAPESP, a operadora constrói uma ponte robusta entre o conhecimento acadêmico e o mercado de capitais. Sob a perspectiva de negócios do Brasil Inovador, a infraestrutura de nuvem acelerada de alta capilaridade nacional atua como o motor essencial para destravar soluções de visão computacional, telemetria industrial em tempo real e automação avançada acopladas à rede 5G. Em um cenário de negócios onde a velocidade de colocação no mercado (time-to-value) dita a competitividade, transformar o custo fixo de hardware de altíssimo valor em investimento operacional sob demanda é o passo definitivo para inserir as empresas de menor porte na economia digital de alta performance e consolidar a autonomia de processamento do país.