“Calor industrial é o ponto cego da transição energética”, afirma CEO da ComBio no Web Summit Rio

"Calor industrial é o ponto cego da transição energética", afirma CEO da ComBio no Web Summit Rio

A descarbonização dos processos de manufatura pesada ganha contornos de urgência no debate climático global. Paulo Skaf Filho, CEO da ComBio, participou como palestrante no Web Summit Rio 2026 para apresentar o painel intitulado “O Ponto Cego da Transição Energética: como o Brasil está liderando a descarbonização da energia térmica industrial”. Em sua exposição no Riocentro, o executivo alertou que, embora as agendas corporativas priorizem a eletrificação das frotas e matrizes de escritório, a geração de calor e vapor voltada a processos fabris brutos continua altamente dependente do consumo de combustíveis fósseis.

A relevância da biomassa e a valorização de passivos agrícolas regionais

O cerne da tese defendida pela companhia reside na aplicação da biomassa como a alternativa mais viável e economicamente competitiva para mitigar as emissões de escopo 1 em indústrias de grande porte, como as de alimentos e bebidas, papel e celulose, química e mineração. O aproveitamento de resíduos florestais e subprodutos agrícolas abundantes no território nacional converte passivos ecológicos em insumos energéticos limpos. Como demonstração prática de economia circular, Skaf Filho citou a operação da ComBio instalada em Barcarena (PA), onde o reaproveitamento de caroços de açaí foi integrado ao sistema de combustão para abastecer energeticamente indústrias locais, evitando o descarte inadequado e mitigando a pegada de carbono regional.

Adequação ao SBCE, regulação climática e o modelo de full outsourcing

O debate também abordou a aceleração das exigências regulatórias nacionais e internacionais que estão reconfigurando as finanças corporativas, com ênfase na consolidação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e nas barreiras tarifárias ecológicas de cadeias de suprimentos globais. Pioneira no país a conquistar a certificação internacional de Empresa B no seu segmento, a ComBio baseia sua estrutura comercial no modelo de full outsourcing. Nessa arquitetura de negócios, a companhia assume integralmente o aporte de capital, o licenciamento e a construção de caldeiras de vapor de alta performance diretamente nas dependências dos clientes, assumindo o risco operacional e convertendo investimentos de longo prazo em eficiência térmica imediata.

Brasil Inovador

A abordagem trazida pela ComBio no Web Summit Rio 2026 expõe um gargalo macroeconômico crítico e reposiciona a matriz de biomassa brasileira como um ativo estratégico de alta competitividade, uma evolução monitorada com rigor pelo Brasil Inovador. Para o Brasil Inovador, a grande disrupção desse posicionamento corporativo em 2026 reside em desmistificar a ideia de que a transição energética se limita à eletrificação por fontes solar ou eólica, jogando luz sobre a infraestrutura térmica analógica que move o PIB industrial. A forte tendência global de precificação e taxação severa de ativos poluentes exige que as médias e grandes indústrias iniciem a substituição de caldeiras a óleo ou gás imediatamente, sob o risco de perderem o acesso a contratos de exportação e a fundos de investimento regulados.

Sob a perspectiva de negócios e ecossistemas corporativos, o modelo de descarbonização como serviço (Decarbonization-as-a-Service) operado pela ComBio remove a barreira do alto custo de capital inicial (CapEx) para as fábricas, provando que a sustentabilidade real pode ser internalizada como uma alavanca de eficiência operacional, redução de custos fiscais e blindagem regulatória para o parque industrial brasileiro.

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