A ISA ENERGIA BRASIL anunciou, em São Paulo no dia 26 de agosto de 2026, os resultados operacionais da plataforma ZACCX, um software no modelo Software as a Service (SaaS) voltado à coordenação, comunicação e execução de manobras entre salas de controle e equipes de campo. A implementação do sistema resultou na redução de 42% no volume de ligações telefônicas e de 52% no tempo ocupado em chamadas, além de render ao projeto a indicação da ANEEL ao Energy Summit Awards 2026. A solução substitui a comunicação por voz por mensagens de texto auditáveis em mais de 160 instalações de transmissão, elevando a segurança operacional e gerando uma economia estimada em R$ 300 mil por ano para a companhia.
A criação da tecnologia própria respondeu à ausência de ferramentas especializadas disponíveis no mercado para atender à demanda das salas de controle. Com a expansão do software, a empresa passa a comercializar a licença da plataforma para outras concessionárias do setor de energia e indústrias correlatas.
Redução de carga cognitiva e ganhos de eficiência na transmissão
Antes da introdução da nova plataforma, a rotina de manobras no Centro de Operações da Transmissão (COT) da companhia exigia cerca de 140 mil chamadas telefônicas anuais espalhadas por sete postos de trabalho. O fluxo contínuo de chamadas congestionava as ordens de operação, elevava o risco de falhas humanas e dificultava os processos de auditoria e rastreabilidade.
A migração para o ambiente digital unificado permitiu estruturar um histórico consultável de todas as instruções emitidas. As equipes técnicas de campo e os operadores de central passam a interagir por uma interface padronizada, reduzindo o tempo de resposta durante manobras preventivas e corretivas na rede elétrica.
Volume de chamadas: Queda de 42% no número total de ligações registradas nas centrais.
Tempo em linha: Redução de 52% na duração das comunicações telefônicas operacionais.
Capilaridade do sistema: Presença em mais de 160 instalações, cobrindo 90% dos ativos da transmissora.
Retorno financeiro: Economia de R$ 300 mil ao ano com estimativa de payback em cinco anos.
A melhoria nos indicadores operacionais reduz o desgaste dos colaboradores e fortalece os níveis de confiabilidade na prestação de serviços de transmissão em larga escala.
Arquitetura aberta e interoperabilidade no Sistema Interligado Nacional
A estrutura tecnológica do ZACCX foi desenvolvida com base na Plataforma Aberta para a Colaboração entre Centros de Operação (PACCO). A concepção do projeto ocorreu mediante cooperação técnico-científica via programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) regulado pela agência reguladora, em parceria com o ONS e as empresas de tecnologia In Forma Software e Smartiks Tecnologia da Informação.
O uso de APIs abertas assegura a comunicação fluida entre o software da transmissora e outros sistemas de gestão do setor elétrico nacional. Um exemplo dessa integração é a troca de dados em tempo real com a plataforma SINapse, operada pelo órgão responsável pela coordenação do sistema elétrico.
| Componente de Infraestrutura | Função e Padrão de Integração | Parceria de Desenvolvimento |
|---|---|---|
| Protocolo PACCO | Padronização da arquitetura e das diretrizes de comunicação | Cooperação técnica via PDI ANEEL |
| API Aberta | Interoperabilidade entre diferentes softwares do setor elétrico | In Forma Software e Smartiks |
| Plataforma SINapse | Conectividade com o centro de controle do ONS | Operador Nacional do Sistema Elétrico |
| Interface SaaS | Registro auditável de mensagens e ordens de manobra | ISA ENERGIA BRASIL |
A arquitetura padronizada facilita a adoção da ferramenta por novos agentes do mercado sem a necessidade de reconstrução de bancos de dados ou adaptações de infraestrutura física.
Reconhecimento institucional e potencial de comercialização no mercado
A indicação como finalista no Energy Summit Awards 2026 chancela a maturidade do projeto sob os critérios de inovação, sinergia com a infraestrutura existente e sustentabilidade operacional. A validação do órgão regulador reforça a viabilidade de modelos colaborativos no desenvolvimento de tecnologias para o ecossistema de energia.
Com atuação em 15 estados brasileiros, a empresa detém a gestão de 33 concessões e é responsável por transmitir aproximadamente 30% da energia elétrica do País e 95% do volume consumido no Estado de São Paulo. A escala dos ativos próprios, que engloba mais de 22 mil quilômetros de linhas de transmissão e 135 subestações, funcionou como ambiente de testes para a consolidação do software.
A estratégia corporativa prevê a expansão da licença comercial do ZACCX para outras operadoras de serviços públicos e indústrias de infraestrutura pesada que demandam alta precisão na comunicação de campo. A comercialização do software transforma uma solução interna de eficiência em uma nova linha de receita recorrente.
Análise Brasil Inovador
A trajetória do desenvolvimento da plataforma ZACCX exemplifica como o investimento regulado em pesquisa e desenvolvimento pode transcender a resolução de gargalos operacionais internos para gerar ativos de software escaláveis e comercializáveis no mercado de infraestrutura. Ao substituir a comunicação analógica por voz por interfaces digitais auditáveis e fundamentadas em protocolos abertos, o projeto estabelece um novo paradigma de eficiência e segurança cibernética para o setor elétrico.
A médio e longo prazo, a interoperabilidade promovida por APIs abertas entre concessionárias e o órgão operador da rede tende a acelerar a digitalização de utilities tradicionais, reduzindo custos de transação e criando um ambiente favorável para o surgimento de novas soluções SaaS especializadas em infraestrutura crítica.








