A Magalu Cloud, divisão de infraestrutura em nuvem pública do grupo Magalu, anunciou nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, o lançamento do Magalu.Up, seu primeiro programa de aceleração voltado ao ecossistema de tecnologia. Revelada durante a abertura do Startup Summit, em Florianópolis (SC), a iniciativa é desenvolvida em parceria com o Sebrae e o Founders Club. O programa selecionará 100 startups em estágio de expansão para receberem mentoria executiva, consultoria especializada em infraestrutura de nuvem, suporte técnico e a oportunidade de firmar contratos comerciais ou captar investimentos com marcas pertencentes ao conglomerado varejista.
A iniciativa visa impulsionar empresas de tecnologia com receita recorrente mensal igual ou superior a R$ 50 mil, focando a seleção em negócios alinhados às operações estratégicas do grupo. O processo de inscrição permanece aberto até 23 de setembro de 2026 através da plataforma oficial da Magalu Cloud. O movimento reforça o posicionamento da empresa como provedora nacional de nuvem, integrando soluções externas de tecnologia diretamente às suas unidades de varejo, logística e serviços financeiros.
Critérios de seleção e segmentos prioritários para aceleração
O programa foi desenhado para atração de empresas que atuam em setores estratégicos para a cadeia de valor do grupo. A seleção priorizará negócios com soluções validadas no mercado e com potencial de sinergia operacional imediata. Os candidatos deverão comprovar atuação direta em frentes tecnológicas capazes de otimizar a infraestrutura digital ou expandir a oferta de serviços para o ecossistema corporativo.
As vagas estão direcionadas a startups focadas em cinco verticais essenciais do setor produtivo e tecnológico:
Varejo: Soluções de comércio eletrônico, inteligência comercial e personalização da experiência do consumidor.
Logística: Tecnologias para gestão de frota, rastreabilidade de entregas e otimização de malha distributiva.
Serviços Financeiros: Plataformas de pagamento, prevenção a fraudes e soluções de crédito corporativo.
Infraestrutura Digital: Ferramentas de cibersegurança, computação de alta performance e governança de dados.
SaaS (Software como Serviço): Softwares de gestão e automação de processos corporativos no modelo B2B.
A meta do programa é encurtar a transição entre a validação técnica das soluções e a sua aplicação prática em larga escala dentro de grandes redes operacionais. A iniciativa busca gerar ganhos imediatos de eficiência produtiva tanto para as startups participantes quanto para os sistemas computacionais do grupo.
Estrutura da jornada de mentoria e fases do programa
O cronograma do Magalu.Up estende-se entre os meses de setembro e novembro de 2026, prevendo etapas de integração técnica, treinamento executivo e apresentação de projetos corporativos. As 100 empresas selecionadas serão divulgadas até 30 de setembro, iniciando a fase de onboarding em outubro com a criação de ambientes isolados e dedicados de nuvem (tenants) na infraestrutura própria da provedora nacional.
Durante o ciclo de aceleração, os empreendedores passarão por sessoes de consultoria especializada e mentorias diretas com os principais executivos do grupo e fundadores de startups previamente adquiridas pelo conglomerado.
| Etapa do Programa | Período de Execução | Atividades Principais | Entregáveis para as Startups |
| Inscrições | 26/08 a 23/09/2026 | Submissão de propostas via plataforma digital | Cadastro de propostas operacionais |
| Seleção e Divulgação | Até 30/09/2026 | Triagem técnica e financeira dos candidatos | Lista dos 100 negócios selecionados |
| Onboarding e Migração | Outubro de 2026 | Configuração de ambientes isolados em nuvem | Acesso à infraestrutura Magalu Cloud |
| Mentoria Executiva | Outubro a Novembro | Consultoria de nuvem e reuniões com lideranças | Otimização de arquitetura e pitch |
| Banca Final (Demo Day) | Novembro de 2026 | Apresentação para executivos de marcas do grupo | Oportunidade de contratos e aportes |
A fase de mentorias envolverá executivos como Frederico Trajano, CEO do Magalu, e André Fatala, vice-presidente da provedora de nuvem. Também participarão do processo empreendedores que integraram suas companhias ao grupo via aquisição, como Rodrigo Schiavini, fundador da SmartHint e atual diretor de receita da unidade de nuvem, e Thiago Caserta, fundador da Movestax e gerente de parcerias da divisão.
A jornada culminará na seleção de dez finalistas que apresentarão suas empresas a uma banca composta por diretores de marcas como Netshoes, KaBuM!, Magalog e MagaluPay. As startups destacadas poderão firmar acordos de fornecimento ou receber aportes financeiros diretos para expansão de suas operações.
Estratégia de expansão da nuvem pública nacional e soberania de dados
O lançamento do programa ocorre no Startup Summit, organizado em Florianópolis pelo Sebrae Startups e pela ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia). O encontro reúne mais de 10 mil participantes e centenas de investidores, servindo de palco para a consolidação da infraestrutura computacional brasileira frente aos grandes provedores internacionais.
A Magalu Cloud atua como a primeira nuvem pública desenvolvida no Brasil, projetada para oferecer capacidade computacional, armazenamento de dados e recursos de rede com precificação em moeda local (Real). Essa abordagem visa eliminar a exposição das empresas brasileiras às variações cambiais, além de garantir a soberania de dados em território nacional.
Faturamento local: Cobrança em moeda nacional para evitar imprevisibilidade orçamentária causada pelo câmbio.
Soberania de dados: Armazenamento em data centers nacionais, atendendo às exigências regulatórias locais.
Base de clientes: Estrutura que atende mais de 1,5 mil clientes corporativos, incluindo Globo, 99Jobs e CarBigData.
Suporte técnico: Atendimento dedicado focado na otimização de custos de infraestrutura para empresas em crescimento.
A oferta de consultoria especializada na otimização de nuvem visa resolver um dos maiores gargalos enfrentados por empresas de tecnologia em fase de escala: o aumento descontrolado dos custos operacionais com infraestrutura digital. Ao ajustar a arquitetura das startups selecionadas, a provedora busca demonstrar a viabilidade econômica de suas ferramentas frente às alternativas globais.
Integração de ecossistemas corporativos e novos modelos de inovação
O modelo de aceleração baseado na aproximação direta entre startups e grandes corporações consolida uma tendência de inovação aberta no mercado brasileiro. A estratégia permite que grandes grupos testem novas tecnologias sem a necessidade de despender longos ciclos de desenvolvimento interno, enquanto empresas emergentes ganham acesso a bases de clientes robustas.
A facilitação do acesso à infraestrutura computacional de alta disponibilidade reduz as barreiras de entrada para novos softwares corporativos. Ao combinar a distribuição em nuvem com a possibilidade de contratação direta pelas empresas do grupo, o programa cria um canal contínuo de validação de novos produtos tecnológicos.
Aceleração de ciclos: Validação rápida de novos produtos digitais em ambientes operacionais reais.
Redução de atrito: Infraestrutura integrada para facilitar a conexão entre softwares terceiros e sistemas legados.
Eficiência de capital: Acesso a linhas de mentoria e investimento sem exigir diluição acionária precoce das startups.
Análise Brasil Inovador
O lançamento do programa de aceleração pela divisão de nuvem do grupo Magalu representa um movimento estratégico para além do incentivo ao ecossistema de startups, posicionando a empresa como uma peça central na infraestrutura de tecnologia do país. Ao oferecer suporte computacional e a perspectiva real de contratos comerciais com suas diversas marcas corporativas, a companhia constrói um ecossistema de dependência positiva, garantindo demanda contínua para sua própria nuvem pública.
A estratégia de faturamento em moeda local e foco na soberania de dados atinge diretamente o ponto fraco dos provedores globais, atraindo empresas em fase de escala que buscam previsibilidade financeira em momentos de volatilidade cambial. A médio e longo prazo, a capacidade de integrar essas tecnologias emergentes às verticais de logística, varejo e serviços financeiros não apenas reduz o custo de aquisição de inovação para o conglomerado, mas consolida um modelo de nuvem nacional altamente competitivo e ancorado na economia real.








