Para 29% dos empresários industriais brasileiros, a redução de impostos e a consolidação da reforma tributária devem figurar como a prioridade número um do presidente a ser eleito para conduzir o país no ciclo de 2027 a 2030. É o que revela a pesquisa inédita Prioridades da Indústria – percepções para o ciclo 2027-2030, realizada pela Nexus e divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Do total de respondentes, 18% classificaram o tema tributário como a medida mais urgente, enquanto 11% o apontaram como a segunda ação de maior relevância.
O diagnóstico empresarial coloca o equilíbrio fiscal e a melhoria da gestão pública logo na sequência, citados por 22% dos industriais. Em terceiro lugar, o incentivo direto à indústria e à produção nacional foi mencionado por 21% dos executivos do setor. O levantamento serviu de embasamento para o documento regulatório Construindo o Brasil 2050, entregue aos pré-candidatos à Presidência da República durante o fórum corporativo realizado em Brasília.
Combate ao Custo Brasil e fatores de impacto negativo
Quando instados a avaliar o cenário microeconômico e o ambiente de negócios para as suas próprias companhias, as lideranças industriais reforçaram a necessidade de se combater os componentes estruturais do Custo Brasil. Nesse recorte, a redução da carga tributária manteve-se no topo das demandas, assinalada por 45% dos entrevistados. A redução das taxas de juros atrelada à maior oferta de crédito figurou em segundo lugar, com 26%, seguida novamente pelas políticas de incentivo à produção (21%).
A pesquisa mediu ainda o impacto retroativo de gargalos operacionais sobre o parque fabril nos últimos 12 meses. Em uma escala de impacto de 1 a 5 (onde 5 representa ‘afetou muito’), os empresários elencaram três grandes detratores de produtividade:
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Alta carga tributária: Registrou a maior média de impacto negativo, atingindo a marca de 4,4.
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Indisponibilidade de mão de obra: Empatou como um dos principais entraves, com pontuação de 4,1.
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Taxa de juros elevada: Também alcançou a média de 4,1, afetando as projeções de custo financeiro e investimentos.
A governança da CNI reiterou que o desalinhamento prolongado entre as políticas fiscal e monetária drena a eficácia dos estímulos ao desenvolvimento produtivo. A entidade defende uma postura de Estado pautada no planejamento de longo prazo e no fortalecimento da produção em detrimento de medidas improvisadas.
Corte de gastos públicos como âncora para a queda de juros
O endividamento do Estado e a manutenção de taxas de juros elevadas continuam no centro das preocupações macroeconômicas do empresariado. Para 72% dos industriais ouvidos, a realização de um corte rigoroso de gastos voltado à redução da dívida pública é a principal e mais efetiva medida que o governo federal deve adotar para viabilizar uma trajetória de queda sustentável dos juros no país.
A manutenção e o respeito à autonomia do Banco Central figuraram como a segunda resposta mais citada, com 11%, enquanto a ampliação da concorrência bancária foi apontada por 6% do setor. Quanto às projeções de Capex e intenção de investimentos para os próximos quatro anos, o ambiente corporativo sinaliza estabilidade: 41% planejam manter o patamar atual, 28% preveem ampliar os aportes, 9% estimam reduções e 20% não projetam realizar investimentos no período.
A amostragem das perspectivas empresariais e o planejamento orçamentário para o quadriênio estão consolidados na matriz regulatória abaixo:
| Indicador de Percepção Industrial | Percentual e Nível de Impacto Apurado |
| Prioridade de Estado (Tributária) | 29% indicam a redução de impostos e reforma tributária como foco central. |
| Apoio ao Ambiente de Negócios | 45% exigem a desoneração fiscal para ganho de competitividade. |
| Medida Antijuros (Âncora Fiscal) | 72% defendem o corte de despesas públicas para conter a dívida. |
| Planejamento de Investimentos | 41% manterão os aportes atuais e 28% planejam expandir o volume. |
Brasil Inovador
O resultado da pesquisa conduzida pela Nexus expõe com precisão estatística o teto que a burocracia e a desordem fiscal impõem ao PIB brasileiro, uma barreira estrutural analisada em profundidade pelo Brasil Inovador.
Para o Brasil Inovador, a grande disrupção desse diagnóstico reside no fato de que 72% dos industriais já não aceitam o discurso de juros altos como uma decisão isolada da autoridade monetária; o setor produtivo compreendeu de forma unânime que o spread e a taxa Selic são sintomas diretos do excesso de gastos públicos e do crescimento da dívida. Exigir que a indústria compita globalmente carregando uma nota de corte de 4,4 em impacto tributário e sofrendo com o apagão de mão de obra qualificada é sufocar o empreendedorismo nacional e empurrar 20% das empresas para a inércia total de investimentos.
Sob a ótica de engenharia de negócios, finanças corporativas e atração de capital estrangeiro, a transição para o ciclo 2027-2030 exigirá do próximo governante o abandono de puxadinhos tributários e subsídios artificiais em prol de uma reforma ampla e neutra. O verdadeiro papel do Estado não é tentar escolher os vencedores do mercado por meio de crédito subsidiado e escasso, mas sim pavimentar um ecossistema de estabilidade macroeconômica, segurança jurídica e simplificação aduaneira. Ao amarrar as propostas do documento Construindo o Brasil 2050 ao clamor das bases industriais por responsabilidade fiscal, o ambiente corporativo desenha a única rota possível para o desenvolvimento real: transformar a eficiência do gasto público em lucro operacional, inovação tecnológica de ponta e inserção soberana do Brasil nas cadeias globais de valor.