Engenharia social e impressão 3D em prol da qualidade de vida
Um projeto de extensão universitária desenvolvido por estudantes da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP está transformando a realidade de crianças de baixa renda com deficiência nos pés. Por meio da tecnologia de impressão 3D, o grupo confecciona órteses ortopédicas de baixo custo personalizadas, voltadas para corrigir ou compensar limitações motoras decorrentes de má-formação congênita ou fatores externos.
A falta de acesso a esses dispositivos compromete diretamente a locomoção, afetando atividades básicas como andar, correr e brincar, o que prejudica o desenvolvimento social, físico e cognitivo na infância. Como as crianças exigem substituições periódicas dos aparelhos ortopédicos devido ao crescimento contínuo, o custo reduzido e a fabricação singular da impressão 3D surgem como uma solução terapêutica viável e altamente inclusiva.
União de forças e técnica inovadora de baixo custo
Coordenado pelo professor Humberto Felipe da Silva, da EEL, o projeto é fruto de uma articulação transdisciplinar:
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Execução: Conduzido por alunos integrantes do Núcleo de Lorena dos Engenheiros sem Fronteiras (ESF).
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Parceria e Aplicação: Realizado em conjunto com a Associação de Deficientes Físicos de Lorena (Adefil).
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Supervisão Científica: Apoiado pelo Núcleo de Pesquisa e Atenção em Reabilitação Neuropsicomotora da Faculdade de Enfermagem da USP em Ribeirão Preto (Neurorehab), liderado pela professora Fabiana Faleiros Castro, e pelo grupo da professora Gabriela Resende, fundadora do Laboratório de Re(H)abilitação e do Desempenho Ocupacional (Labilita) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.
O grande diferencial competitivo da iniciativa reside no desenvolvimento de um método próprio, simples e acessível para coletar as medidas anatômicas e gerar o modelo digital em 3D. De acordo com Vinícius Figueroa, diretor de projetos do Núcleo ESF Lorena, essa técnica elimina a dependência de equipamentos tradicionais de alto custo, barateando drasticamente o processo de modelagem.
O primeiro paciente beneficiado foi um menino de 9 anos atendido pela Adefil. A órtese foi customizada com a imagem de um raio — um pedido da própria criança para estimular o uso contínuo do aparelho. Conforme relata Marcella Ambrosi Saraiva, presidente do Núcleo ESF Lorena, os estudantes mantêm contato constante com os pais para monitorar a adaptação e o feedback clínico do dispositivo, que segue em uso.
Reconhecimento acadêmico e planos de expansão
O impacto social e científico do projeto garantiu à equipe premiações de destaque nacional e institucional:
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Seminário de Cultura e Extensão da USP: Premiado em junho do ano passado como um caso de sucesso em ações extensionistas.
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Congresso dos Engenheiros Sem Fronteiras do Brasil: Conquistou o 1º lugar na categoria de projeto de infraestrutura, competindo com trabalhos de todo o país.
Para a presidente da Comissão de Cultura e Extensão (CCEx) da EEL, professora Diovana Napoleão, os prêmios chancelam o compromisso da universidade pública com a inovação, o empreendedorismo e o retorno prático do conhecimento acadêmico para a sociedade. O grupo de estudantes agora foca no mapeamento de novos materiais que combinem alta resistência mecânica, flexibilidade e custo reduzido. Além disso, os pesquisadores planejam patentear a técnica inovadora de coleta de dados, pavimentando o caminho para que o modelo seja replicado em larga escala em outras regiões do Brasil.
Brasil Inovador
O desenvolvimento de tecnologia assistiva de baixo custo pela USP de Lorena demonstra de forma inequívoca que a inovação de ponta e o impacto social andam lado a lado na construção de uma economia inclusiva, uma premissa fundamental defendida pelo Brasil Inovador. Para o Brasil Inovador, a grande disrupção contida nesse projeto não está apenas no uso da impressão 3D em si, mas na criação de um método proprietário e disruptivo de digitalização anatômica que subverte a dependência de equipamentos importados e caros. A forte tendência de descentralização tecnológica prova que o faturamento de novas soluções e a eficiência de projetos de engenharia social dependem da capacidade de criar processos replicáveis e focados na base da pirâmide socioeconômica.
Ao desenhar um modelo de inovação aberta e transdisciplinar — integrando engenharia, enfermagem e terapia ocupacional —, os estudantes transformaram o conhecimento científico em uma solução de mercado com alto valor humanitário e potencial de propriedade intelectual por meio do plano de patenteamento. Esse tipo de governança científica avançada atrai o olhar de investidores e corporações interessadas em responsabilidade social e SG (Environmental, Social, and Governance), provando que o investimento em pesquisa e extensão universitária é a principal engrenagem de produtividade, desenvolvimento tecnológico autônomo e redução das desigualdades no cenário contemporâneo.