A healthtech brasileira PoliHealth lançou em agosto de 2026 o primeiro prontuário de precisão do país, plataforma de inteligência artificial (IA) de apoio à decisão clínica que integra exames laboratoriais, sequenciamento genético, histórico familiar e hábitos de vida em uma única interface. A entrada da startup no mercado ocorre em um momento de forte aceleração do setor de saúde digital no Brasil, no qual o uso profissional de inteligência artificial por médicos saltou de 38% em 2023 para 81% em 2026, impulsionado pela incorporação do exame de exoma completo pelo SUS e pelo crescimento de 123% na busca por exames genéticos particulares. Fundada pelo executivo Rodrigo Faria Matheucci, sócio da DNA Club, a empresa conta também com o aporte e a atuação executiva de Felipe Spritzer, fundador da consultoria financeira Portfel. A empresa mira um faturamento de R$ 8 milhões e projeta atingir a marca de 30 mil profissionais de saúde usuários da plataforma em um horizonte de três anos.
O lançamento da tecnologia coincide com uma rodada expressiva de aportes no ecossistema nacional, no qual healthtechs brasileiras captaram mais de R$ 520 milhões no primeiro semestre de 2026, com forte concentração em copilotos clínicos e sistemas de apoio diagnóstico.
Integração de inteligência clínica e otimização de consultas
A proposta da PoliHealth foca em resolver a dispersão de informações médicas e o tempo despendido em burocracia pelos profissionais de saúde. Um mapeamento genético de risco completo pode conter mais de 270 análises individuais, volume que inviabiliza a consulta manual durante o atendimento prévio. A plataforma transforma esses relatórios extensos em recomendações sintéticas no momento exato do atendimento, permitindo cruzar dados preventivos com o histórico do paciente.
Antes do lançamento oficial, a empresa operou um projeto-piloto desde junho de 2026 com cerca de 20 médicos e nutricionistas e mais de 200 pacientes cadastrados. Além disso, a startup conquistou o 6º lugar no Innovation Race, competição promovida pela FCJ, e firmou parceria com as marcas do Grupo DNA.
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Apoio à Decisão Clínica: Alinhamento estrito às resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM), expondo a fundamentação de cada sugestão e mantendo a autonomia final do médico.
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Motor de Farmacogenética: Integração com a DNA Club para mapear variantes genéticas que alteram a resposta medicamentosa. Estima-se que entre 91% e 99% da população apresente ao menos uma variante de impacto em fármacos, que representam 18% das prescrições no Brasil.
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Estratégia de Go-To-Market Direct-to-Doctor: Foco de vendas direto em consultórios privados, evitando os longos ciclos de negociação de hospitais e operadoras e reduzindo o tempo de conversão de vendas para uma média de 10 dias.
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Carteira Digital do Paciente: Lançamento previsto para setembro de 2026 de um aplicativo que permite ao próprio usuário controlar o acesso aos seus dados de saúde.
| Métrica / Indicador | Desempenho Operacional | Meta / Projeção |
| Captação de Healthtechs no Brasil | R$ 520 milhões (1º semestre de 2026) |
Expansão de aportes em IA clínica |
| Meta de Usuários Profissionais | Base mapeada de 13 mil nomes | 30 mil médicos e nutricionistas em 3 anos |
| Adoção de IA por Médicos | 38% (2023) |
81% (2026) |
| Aumento em Exames Genéticos | +123% em um ano no Brasil |
Expansão com a entrada do exoma no SUS |
Governança de dados, conformidade e privacidade do paciente
A arquitetura do prontuário foi desenvolvida sob os preceitos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo a anonimização das informações genéticas e o controle total do paciente sobre quais profissionais podem acessar seu histórico médico. A empresa reforça que não comercializa nem compartilha bancos de dados com seguradoras, laboratórios ou farmacêuticas.
A estratégia de segurança contrapõe-se a crises internacionais do setor de genômica, como a falência da 23andMe em 2025 e a posterior venda de seu banco de dados de 15 milhões de pessoas em meio a litígios por uso indevido de informações.
| Frente Estratégica | Detalhamento Operacional |
| Estrutura Corporativa |
Liderada por Rodrigo Faria Matheucci (DNA Club) e Felipe Spritzer (Portfel) |
| Estrutura de Vendas | Estratégia B2D (Business to Doctor) focada na dor burocrática dos consultórios |
| Eventos de Estreia | Presença confirmada no Congresso Brasileiro de Nutrologia em São Paulo (Estande 36) |
| Escalabilidade do Mercado | Atuação sobre uma base nacional de 600 mil médicos e 350 mil nutricionistas |
Análise Brasil Inovador
A consolidação da PoliHealth no mercado brasileiro de medicina de precisão ilustra uma mudança estrutural no uso da inteligência artificial na saúde: a transição da simples geração de dados para a integração preditiva no ponto de atendimento. O crescimento acelerado na realização de exames genéticos no país corria o risco de criar um gargalo operacional, no qual relatórios complexos permaneciam subutilizados por falta de tempo e de ferramentas de síntese nos consultórios. Ao adotar um modelo de distribuição direto ao médico e integrar o motor de farmacogenética em conformidade rigorosa com a LGPD e o CFM, a empresa contorna a lentidão burocrática dos grandes sistemas hospitalares. A médio e longo prazo, a ampliação de plataformas de decisão clínica baseadas em dados genéticos e ambulatoriais tende a reduzir custos com eventos adversos a medicamentos, personalizar tratamentos preventivos e elevar a eficiência do sistema de saúde suplementar e privado no Brasil.