A programação da feira ExpoT&C, realizada durante a 78ª Reunião Anual da SBPC, trouxe para o centro do debate a necessidade de modernizar as estratégias de divulgação científica no ambiente digital. No auditório do MCTI, o coordenador de Comunicação da Embrapa, Daniel Medeiros, apresentou abordagens práticas sobre como transformar dados acadêmicos complexos em conteúdos de alto engajamento. O painel destacou o uso de metodologias narrativas, a definição precisa de públicos-alvo e o papel das redes digitais para aproximar os avanços da pesquisa nacional do cotidiano da sociedade, reforçando o impacto socioeconômico da ciência para a população.
A transição da comunicação acadêmica para os novos formatos digitais exige a superação de barreiras linguísticas e a superação do isolamento dos centros de pesquisa. Durante o encontro, especialistas e público debateram soluções para converter relatórios técnicos em peças informativas capazes de atrair o interesse geral sem perder o rigor conceitual. A iniciativa alinha-se ao propósito da reunião realizada no campus Gragoatá da UFF, em Niterói (RJ), consolidando a feira como um espaço de inovação e democratização do conhecimento científico.
O uso do storytelling na tradução da linguagem técnica
O ponto central da apresentação focou na aplicação do storytelling como ferramenta de estruturação narrativa para a ciência. A metodologia organiza a informação com base em elementos fundamentais de conexão humana — tais como mensagem central, contexto de conflito, personagens reais e enredo —, facilitando a assimilação de dados complexos por leigos, investidores e gestores públicos.
A construção de narrativas acessíveis permite contextualizar a utilidade direta das pesquisas no dia a dia da sociedade. Ao apresentar casos práticos da Embrapa, a palestra demonstrou que a comunicação efetiva não se limita a expor resultados de laboratório, mas sim a explicitar o impacto socioeconômico da inovação, como a segurança alimentar, a sustentabilidade agrícola e o desenvolvimento regional.
| Elemento do Storytelling | Aplicação na Comunicação Científica | Impacto no Público |
| Mensagem Central | Tese principal ou descoberta da pesquisa sem jargões | Clareza e fixação do conceito |
| Conflito | O problema real, gargalo industrial ou social enfrentado | Despertar de interesse e urgência |
| Personagens | Cientistas, comunidades impactadas ou empreendedores | Humanização e empatia |
| Enredo | O processo de busca da solução e o resultado aplicado | Valorização do método científico |
O detalhamento de campanhas bem-sucedidas serviu como modelo de como a escolha correta de formatos visuais e a adaptação de linguagem multiplicam a retenção da mensagem em canais digitais.
Desafios do ambiente digital e adaptação contínua
A difusão da ciência nas redes sociais exige um processo contínuo de experimentação de novos formatos e métricas de desempenho. A comunicação corporativa e acadêmica enfrenta a concorrência direta pela atenção dos usuários nos feeds, o que torna indispensável o domínio de plataformas multimídia e o uso de recursos de acessibilidade para atingir públicos diversos.
Medeiros enfatizou que a identificação das histórias por trás do desenvolvimento tecnológico é o diferencial para atrair engajamento orgânico. O planejamento exige que as equipes de comunicação e os próprios pesquisadores atuem em sinergia, transformando descobertas técnicas em matérias jornalísticas, vídeos curtos e conteúdos interativos preparados para distribuição em escala.
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Identificação de Personagens: Destacar o fator humano por trás da descoberta científica para gerar identificação.
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Formatos Nativos: Desenvolver conteúdos adaptados especificamente para a linguagem visual de cada plataforma digital.
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Testes e Iterações: Avaliar constantemente o desempenho de formatos multimídia para otimizar o alcance das publicações.
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Acessibilidade Universal: Incorporar recursos visuais e auditivos para garantir a inclusão de diferentes perfis de usuários.
A profissionalização da divulgação científica nas instituições públicas atua diretamente na proteção da reputação das universidades e centros de pesquisa, construindo uma barreira contra a desinformação.
Integração entre ecossistemas e democratização do conhecimento
A 78ª Reunião Anual da SBPC e a feira do MCTI funcionam como plataformas estratégicas para conectar o conhecimento gerado nos laboratórios com as demandas da sociedade. A realização de oficinas e palestras sobre comunicação digital reforça a importância da transparência e do diálogo contínuo entre os produtores de tecnologia e o público final.
A programação do evento contou com o suporte do aplicativo oficial da reunião para distribuição de notícias, agenda de palestras e materiais complementares, exemplificando a aplicação prática de ferramentas digitais no engajamento dos participantes. A presença de pesquisadores, estudantes e gestores municipais em Niterói consolida o compromisso do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) em ampliar os canais de difusão de suas entregas.
A facilitação do acesso à informação científica fortalece a relação de confiança entre a sociedade e as instituições de fomento, evidenciando o retorno social e econômico dos investimentos aplicados em pesquisa e desenvolvimento no país.
Análise Brasil Inovador
A modernização da comunicação científica é um pré-requisito fundamental para a consolidação e escala do ecossistema de inovação brasileiro. A adoção de técnicas como o storytelling e a presença estratégica em plataformas digitais superam a histórica distância entre a bancada acadêmica e a sociedade, fator que por anos reduziu a percepção de valor sobre os investimentos em P&D. A médio e longo prazo, uma comunicação científica eficiente e mercadologicamente orientada atua como catalisadora para a atração de capital privado, facilitando a transferência de tecnologia e estimulando o surgimento de spin-offs e parcerias corporativas. Instituições de pesquisa que dominam a arte de traduzir complexidade em relevância não apenas protegem seus orçamentos, mas posicionam suas soluções na linha de frente do desenvolvimento socioeconômico e industrial do país.