A gestão de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) vem ganhando centralidade na agenda de hospitais e operadoras de saúde, em meio ao aumento de diagnósticos e à maior demanda por cuidado contínuo e multidisciplinar. Nesse contexto, a level, empresa de infraestrutura de maturidade financeira baseada em dados na saúde, anuncia o lançamento do M22, módulo dedicado ao TEA que combina identificação automática, estratificação por nível de suporte e coordenação da jornada assistencial, com potencial de reduzir em até 30% eventos evitáveis, como internações e atendimentos de urgência, ao mesmo tempo em que entrega melhora a qualidade do acompanhamento clínico.
Desenvolvido ao longo de pouco mais de um ano, com investimento equivalente a cerca de 25% do faturamento da companhia, o produto integra a estratégia de crescimento da healthtech, que projeta alcançar R$ 15 milhões em receita em 2026, após anunciar um novo posicionamento de mercado, com direito a rebranding e mudança de nome. A proposta do M22 é atuar sobre um ponto ainda pouco estruturado no sistema de saúde, que é a falta de visibilidade sobre a jornada dos pacientes com TEA dentro das bases hospitalares e das operadoras. “O desafio do TEA hoje não é o custo em si, mas a falta de estrutura para acompanhar esses pacientes ao longo da jornada”, aponta Mariana Gaspers, cofundadora da level.
A executiva conta que hoje, grande parte desses pacientes já está registrada em prontuários, laudos ou históricos de atendimento, mas sem uma leitura consolidada que permita identificar o nível de suporte necessário e organizar o cuidado ao longo do tempo, por exemplo. Na prática, isso dificulta o acompanhamento contínuo e a atuação preventiva das equipes, limitando o potencial de intervenções precoces e coordenadas, refletindo tanto na qualidade do atendimento clínico quanto na gestão financeira do sistema como um todo. “Quando você não consegue enxergar quem são esses pacientes e qual o nível de suporte de cada um, o sistema acaba reagindo apenas quando a demanda já chegou em um estágio mais complexo, acarretando em consequências que extrapolam a capacidade de conduta adequada a cada caso, tanto do ponto de vista operacional quanto assistencial”, explica.
O M22 atua ao integrar-se aos sistemas existentes e analisar, por meio de agentes de IA proprietários, dados estruturados e não estruturados para identificar pacientes com TEA e classificá-los automaticamente por nível de suporte. A partir dessa estratificação, os agentes inteligentes organizam fluxos de acompanhamento, sinalizam riscos de descontinuidade no cuidado e apoiam equipes assistenciais na priorização de casos, promovendo maior consistência na jornada de cada paciente, garantindo desfechos clínicos muito mais efetivos e satisfatórios.
Esse modelo tende a gerar impacto financeiro relevante, sobretudo pela redução de eventos de maior complexidade que podem ser evitados com acompanhamento estruturado. Pacientes com necessidades mais intensivas de suporte podem demandar investimentos assistenciais elevados ao longo do tempo, especialmente quando não há coordenação adequada, com custos que podem variar entre R$ 90 mil e R$ 180 mil por ano em casos mais complexos . “Quando você organiza o cuidado com base em dados, consegue melhorar o desfecho clínico e, ao mesmo tempo, usar melhor os recursos do sistema”, reforça Gaspers.
Mariana explica que, em operadoras de médio porte, a adoção de modelos estruturados de gestão pode representar economias de cerca de R$ 5 milhões a R$ 7 milhões por ano apenas com a redução de eventos assistenciais evitáveis, com potencial adicional de R$ 1,5 milhão a R$ 4 milhões, relacionado à queda na judicialização. O efeito combinado amplia a previsibilidade financeira e fortalece a capacidade das operadoras de sustentar modelos de cuidado mais consistentes no longo prazo.
Do ponto de vista assistencial, ela aponta que o principal avanço está na continuidade do cuidado. A possibilidade de identificar pacientes sem seguimento, organizar retornos e antecipar intervenções permite melhorar desfechos clínicos, especialmente em fases mais sensíveis do desenvolvimento. Acompanhando o dia a dia do time de saúde, percebemos que o acompanhamento estruturado reduz o uso de serviços de urgência e contribui para maior autonomia dos pacientes ao longo do tempo.
A proposta da level com esse lançamento se apoia na tese de que eficiência financeira e qualidade assistencial caminham juntas quando sustentadas por dados. “O que estamos propondo é transformar informação que já existe no sistema em decisão estruturada, com impacto real tanto para o paciente quanto para a sustentabilidade do modelo de saúde”, conclui Mariana.