A Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma tendência tecnológica e passou a ocupar um papel estratégico na gestão da saúde. Pesquisa global divulgada pela NVIDIA mostra que 85% dos executivos da área já associam o uso de IA ao aumento de receita nas empresas em que atuam, enquanto 80% afirmam que a tecnologia também contribui diretamente para a redução de custos operacionais.
O levantamento analisou diferentes segmentos da saúde em nível global, incluindo hospitais, healthtechs, operadoras e empresas de tecnologia médica. Segundo os dados, a adoção da Inteligência Artificial avançou em praticamente todas as áreas do setor, com destaque para o segmento de saúde digital, onde 78% das empresas já utilizam ferramentas baseadas em IA, seguido pela área de tecnologia médica, com 74%.
Além do impacto financeiro, a pesquisa aponta que a IA vem transformando modelos de gestão hospitalar, organização de fluxos internos e relacionamento com pacientes. Em tecnologia médica, por exemplo, 61% dos entrevistados afirmaram utilizar Inteligência Artificial em imagens médicas, incluindo aplicações voltadas à radiologia e análise de exames para ganho de produtividade e eficiência clínica.
No Brasil, o avanço também começa a ganhar escala. Levantamento realizado pelo Instituto Opinion Box em parceria com a Rivio aponta que 80% dos profissionais de saúde brasileiros demonstram interesse no uso de ferramentas com Inteligência Artificial. Apesar disso, a adoção prática ainda ocorre de forma desigual: atualmente, apenas 13% dos hospitais brasileiros utilizam oficialmente soluções de IA em suas operações.
Automação e gestão ganham espaço dentro das clínicas
O crescimento da Inteligência Artificial no setor acompanha uma pressão crescente por eficiência operacional em hospitais, clínicas e consultórios. Com aumento da demanda por atendimento, expansão dos canais digitais e necessidade de reduzir gargalos administrativos, ferramentas de automação passaram a ganhar relevância dentro da rotina médica.
Segundo a pesquisa da NVIDIA, tarefas administrativas e otimização de fluxo de trabalho aparecem entre as áreas com maior retorno sobre investimento (ROI) para empresas da saúde. Já no segmento de saúde digital, assistentes virtuais e chatbots foram apontados como os recursos com melhor desempenho operacional por 37% dos entrevistados.
Nesse cenário, plataformas voltadas à organização de atendimento, controle operacional e relacionamento com pacientes passaram a integrar a transformação digital das clínicas. O uso de software para gestão de clínicas vem crescendo justamente pela necessidade de centralizar agendamentos, prontuários, comunicação com pacientes, controle financeiro e redução de faltas em ambientes cada vez mais digitalizados.
A automação também começa a alterar rotinas internas das equipes médicas. Dados do blog do Conclínica apontam que o uso de assistentes baseados em IA ajudou 73% das clínicas a se tornarem mais eficientes ao reduzir o tempo gasto com documentação e registros operacionais.
Mercado de tecnologia em saúde deve superar R$ 15 trilhões até 2033
O avanço das soluções digitais acompanha a expansão acelerada do mercado global de tecnologia aplicada à saúde. Estudo divulgado pela Coherent Market Insights estima que o setor deve movimentar US$ 3,07 trilhões até 2033, o equivalente a aproximadamente R$15,38 trilhões na cotação atual do dólar, em R$ 5,01.
Segundo o levantamento, o mercado deve crescer a uma taxa anual composta de 13,7% entre 2026 e 2033, impulsionado pelo avanço da telemedicina, pela ampliação da infraestrutura digital em saúde e pela busca por soluções capazes de melhorar a experiência dos pacientes e otimizar a prestação de serviços médicos.
A pesquisa também mostra que o segmento de software deverá representar a maior fatia desse mercado em 2026, concentrando 47,8% da participação global. Já as plataformas em nuvem devem liderar os modelos de implantação, com participação estimada em 68,5%.
A tendência reforça uma mudança estrutural no setor de saúde: à medida que cresce a digitalização dos atendimentos e aumenta a pressão por eficiência operacional, tecnologias voltadas à automação, análise de dados e organização da jornada do paciente passam a ocupar um papel cada vez mais estratégico dentro de clínicas, consultórios e hospitais.