
O Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas (Comung) reuniu reitores e lideranças acadêmicas nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, no Teatro Feevale, em Novo Hamburgo, para celebrar os 30 anos de fundação da entidade e apresentar um balanço detalhado da contribuição de suas 14 instituições de ensino superior para o desenvolvimento econômico, educacional e tecnológico do Rio Grande do Sul. O encontro, realizado no Câmpus II da Universidade Feevale, reuniu dirigentes da Unisc, PUCRS, Unisinos, Unijuí, UPF, Universidade La Salle, UCS e Univates. Os dados apresentados demonstram como o modelo comunitário sem fins lucrativos se consolidou como a principal rede de ensino superior do Estado, unindo oferta de ensino de ponta, infraestrutura de pesquisa e atendimento social de larga escala às demandas produtivas regionais.
A abrangência socioeconômica do consórcio evidencia a integração profunda entre a produção acadêmica e o ecossistema de negócios gaúcho. Conforme levantamento do Grupo de Pesquisa Competitividade, Economia Regional e Internacional (CEI), da Unisinos, as áreas de influência direta das 14 universidades comunitárias concentram 85,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul, além de responderem por 87% da atividade industrial e 50,6% de toda a produção agropecuária estadual. Essa representatividade reforça a premissa de que a reinversão integral dos resultados operacionais na própria infraestrutura e em serviços de extensão comunitária atua como um catalisador permanente para a competitividade das empresas instaladas no território gaúcho.
Abrangência acadêmica e sustentabilidade social
O volume de estudantes e a política de inclusão praticada pelas instituições do consórcio reforçam o caráter estratégico do modelo comunitário na formação de capital humano qualificado para a economia regional. Em 2025, as universidades do consórcio ofertaram 524 cursos de graduação presencial, registrando 85.588 alunos matriculados. Do total de universitários na graduação, 28.611 contavam com algum tipo de bolsa de estudo ou gratuidade, o que representa uma taxa de cobertura social de 33,4%. Além disso, 13.889 novos profissionais graduados concluíram a formação presencial no mesmo período, alimentando o mercado de trabalho com talentos prontos para atuação imediata.
Na pós-graduação, a capilaridade das 14 instituições viabilizou a oferta de 1.305 cursos lato sensu, que somaram 103.516 alunos matriculados. No âmbito da pós-graduação stricto sensu, voltada à formação científica e tecnológica avançada, foram mantidos 182 cursos com 7.673 estudantes de mestrado e doutorado, dos quais 3.941 contaram com bolsas de pesquisa ou gratuidades formais. Em 2025, essa estrutura permitiu diplomar 1.589 mestres e 720 doutores no Rio Grande do Sul, fortalecendo a matriz de pesquisa aplicada aos desafios industriais e econômicos regionais.
Historicamente, o modelo acumula resultados expressivos para o desenvolvimento do ensino superior no Brasil. Desde a criação do consórcio em 1996, a rede de universidades já concedeu grau acadêmico a mais de 674 mil estudantes em cursos de graduação tradicional e a mais de 220 mil em licenciaturas. O acumulado histórico da pós-graduação stricto sensu ultrapassa 31 mil mestres e 8,9 mil doutores formados. O corpo docente reunia 6.487 professores em 2025, dos quais 4.922 possuíam titulação mínima de mestrado acadêmico concluído, assegurando um alto padrão pedagógico e operacional.
| Indicador Acadêmico e Social | Registros de 2025 | Acumulado Histórico |
| Estudantes de Graduação Presencial |
85.588 matriculados |
Mais de 674 mil formados |
| Bolsas e Gratuidades na Graduação |
28.611 alunos (33,4%) |
N/A |
| Alunos de Pós-Graduação Lato Sensu |
103.516 matriculados |
N/A |
| Alunos de Pós-Graduação Stricto Sensu |
7.673 matriculados |
N/A |
| Mestres e Doutores Titulados |
1.589 mestres e 720 doutores |
31 mil mestres e 8,9 mil doutores |
| Corpo Docente Qualificado |
6.487 professores (4.922 mestres/doutores) |
N/A |
Ciência aplicada e infraestrutura de inovação
A pesquisa científica realizada nos laboratórios comunitários traduz-se em ativos intelectuais e transferência de tecnologia diretamente utilizáveis pelo setor produtivo. Somente em 2025, os pesquisadores vinculados ao consórcio produziram 13.849 publicações científicas em periódicos e congressos nacionais e internacionais. A proteção do conhecimento gerado no ambiente acadêmico também registrou marcas sólidas, alcançando o total de 360 patentes depositadas e registradas junto aos órgãos de propriedade industrial até o ano passado.
A estrutura de apoio ao empreendedorismo tecnológico e à criação de novos negócios intensivos em conhecimento representa um dos pilares mais destacados das universidades do consórcio. Os nove parques tecnológicos geridos pelas instituições abrigam atualmente 729 empresas residentes e graduadas, gerando 14.438 postos de trabalho diretos de alta qualificação. Complementarmente, as 13 incubadoras de empresas mantidas no ecossistema universitário registravam 266 startups e empreendimentos nascentes em processo de aceleração comercial em 2025.
A inserção internacional das instituições reforça o fluxo de conhecimento global direcionado ao Estado. Durante o ano de 2025, foram conduzidos 615 projetos voltados à internacionalização, conectando as universidades gaúchas a 1.015 instituições parceiras no exterior e envolvendo 8.665 estudantes em intercâmbios, pesquisas colaborativas e missões acadêmicas internacionais.
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Parques tecnológicos: 9 complexos de inovação abrigando 729 empresas e 14.438 empregos qualificados.
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Incubadoras de empresas: 13 estruturas de apoio mantendo 266 empresas nascentes em incubação.
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Propriedade intelectual: 360 patentes acumuladas e 13.849 artigos e trabalhos publicados em 2025.
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Rede internacional: 615 projetos globais ativos com 1.015 instituições parceiras no exterior.
Assistência à saúde e responsabilidade comunitária
A atuação das 14 universidades comunitárias estende-se de forma direta à melhoria da qualidade de vida da população por meio de atendimento prestado à comunidade na área da saúde e assistência social. Em 2025, a rede de instituições executou 11.043 projetos com atendimento direto ao público, mobilizando 4.999 colaboradores técnicos e administrativos, além de 10.755 alunos de cursos da área da saúde em estágios e atividades práticas supervisionadas. Essas ações englobaram serviços essenciais prestados de forma gratuita à população, como apoio psicológico, tratamentos odontológicos, clínicas médicas universitárias e programas de atividade física voltados à terceira idade.
As iniciativas de assistência à saúde alcançaram presencialmente 590.620 pessoas em diversas regiões do Estado durante o ano de 2025. Paralelamente, a responsabilidade social das instituições traduziu-se na execução de 110 projetos dedicados exclusivamente ao atendimento de populações em situação de vulnerabilidade social extrema, contemplando mais de 126.518 cidadãos com ações de acolhimento, orientação jurídica, inclusão profissional e assistência humanitária.
A flexibilidade e o compromisso regional das instituições comunitárias diferenciam-se do modelo societário privado tradicional por dispensar a distribuição de lucros aos acionistas. Todos os eventuais excedentes financeiros obtidos nas mensalidades e serviços prestados são compulsoriamente reinvestidos na modernização de laboratórios, expansão de campi, bolsas de estudo e aperfeiçoamento das bibliotecas. Esse ciclo contínuo de reinvestimento permite que as cidades do interior do Rio Grande do Sul mantenham complexos universitários e centros de pesquisa de padrões internacionais, retendo talentos jovens e atraindo investimentos industriais para fora da capital.
As instituições que compõem o Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas abrangem todas as regiões do Estado. Fazem parte do consórcio, além da Universidade Feevale, a UCS, Unisc, UFN, PUCRS, Unicruz, Unijuí, Universidade La Salle, Unisinos, Univates, UCPel, UPF, Urcamp e a URI. Essa distribuição descentralizada garante a presença de polos de formação acadêmica e apoio tecnológico de alta capacidade nos principais ecossistemas produtivos gaúchos, desde a metade sul até as regiões do alto uruguai, serra e vale dos sinos.
| Dimensão de Atuação Comunitária | Volume de Atendimento em 2025 | Impacto de Pessoas Alcançadas |
| Projetos de Saúde da População |
11.043 iniciativas executadas |
590.620 pessoas atendidas diretamente |
| Atendimento à Vulnerabilidade Social |
110 projetos específicos |
126.518 pessoas em situação de risco |
| Recursos Humanos Alocados na Saúde |
4.999 colaboradores e 10.755 alunos |
Suporte operacional ao Sistema Único de Saúde |
Análise Brasil Inovador
O marco de 30 anos do Comung demonstra que o modelo comunitário de ensino superior é um ativo econômico estratégico para a competitividade e resiliência do Rio Grande do Sul. Ao conectar a formação profissional e a pesquisa avançada com parques tecnológicos e demandas regionais, o consórcio mitiga a dependência de investimentos estatais diretos e preenche lacunas que o setor privado tradicional não atende por razões de rentabilidade.
A concentração de 85,5% do PIB gaúcho em territórios atendidos por essas universidades comprova a eficácia da descentralização da inovação. A médio e longo prazo, a capacidade do Estado de atrair indústrias de alto valor agregado, avançar na transição energética e desenvolver tecnologias para a agropecuária e a saúde dependerá fundamentalmente do fortalecimento dessa rede. A continuidade desse impacto exige a expansão de políticas públicas federais e estaduais que incentivem o financiamento à pesquisa aplicada e garantam a sustentabilidade das bolsas de estudo, preservando o modelo comunitário como pilar do desenvolvimento regional.