Smart City Business Brazil Congress debate o futuro da infraestrutura urbana com céus monitorados por IA

Smart City Business Brazil Congress 2026 debate o futuro da infraestrutura urbana: dos céus monitorados por IA à gestão pública data-driven

A transformação das cidades brasileiras entrou em uma nova fase de maturidade em 2026, onde a tecnologia deixa de ser um acessório e assume o papel de infraestrutura vital. Durante o Smart City Business Brazil Congress 2026, especialistas, gestores públicos e lideranças da iniciativa privada se reuniram para debater soluções estruturais em mobilidade aérea avançada, segurança pública preditiva, saúde digital e governança orientada por dados (data-driven).

O congresso é um dos destaques do portfólio da Italian Exhibition Group (IEG) Brasil. A multinacional italiana, listada na Bolsa de Valores de Milão, vem acelerando seu processo de internacionalização e encerrou o ano de 2025 com receitas consolidadas de 266 milhões de euros (alta de 6,6% frente a 2024) e EBITDA ajustado de 71 milhões de euros.

eVTOLs e os primeiros vertiportos redesenham o espaço urbano

A chegada dos eVTOLs (aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical) ao cenário brasileiro mobilizou os debates no painel “Mobilidade 6 – O eVTOL chegou”. Diante do anúncio dos primeiros projetos de vertiportos no país, especialistas alertaram que a viabilidade da tecnologia depende de um planejamento urbano preventivo e altamente integrado.

Renata Cavion, coordenadora da Graduação em Engenharia de Transporte e Logística da UFSC, classificou a implementação como um problemia multicritério que vai muito além da engenharia aeronáutica. Segundo a especialista, o sucesso operacional exige o equilíbrio de diversas variáveis urbanas:

  • Comunicação Intermodal: Como o vertiporto não representa o destino final do usuário, a integração física com o metrô, ônibus ou malhas viárias é indispensável para garantir o ganho real de tempo de viagem.

  • Controle de Ruído e Escala: Embora os eVTOLs sejam consideravelmente mais silenciosos que os helicópteros convencionais, o aumento progressivo na frequência dos pousos e decolagens exigirá cautela e monitoramento dos impactos ambientais no entorno urbano.

  • Segurança e Aceitação Pública: A introdução das aeronaves demanda a consolidação de novas regulamentações e uma forte articulação para que a população absorva a tecnologia com confiança.

Pelo lado corporativo, Rogério Prado, CEO da PAX Aeroportos, enfatizou que a cidade de São Paulo reúne condições globais únicas para liderar a adoção da mobilidade aérea avançada, justamente por possuir uma das maiores frotas e operações de helicópteros do planeta. Para Prado, o mercado já possui demanda consolidada e um marco regulatório interessante, restando aperfeiçoar a integração prática à malha tradicional de transportes, nos moldes do que já realizam Cingapura e Dubai.

Embora o modal não deva atuar como transporte de massa em um primeiro momento, Luiz Cortez, do Metrô de São Paulo, lembrou que a nova infraestrutura mexerá significativamente com o zoneamento urbano, o mercado imobiliário e a arrecadação de tributos municipais. Na mesma linha, Edson Guedes, secretário de Mobilidade Urbana de Jacareí (SP), defendeu a urgência de as prefeituras se prepararem desde já, apontando que a transição do mercado já começou a se desenhar de forma prática com a forte expansão do uso de drones comerciais.

Videomonitoramento inteligente: câmeras migram de segurança para gestão estratégica

Outro salto tecnológico apresentado no congresso foi a transformação das câmeras de monitoramento em plataformas preditivas de administração pública através da inteligência artificial. Conforme exposto por Leandro Spanhol, da Dell Technologies, os sistemas avançaram da mera captação de imagens pós-fato para plataformas capazes de criar “muralhas virtuais” e antecipar sinistros. O software consegue, de forma proativa, alertar sobre vandalismo e assaltos, bem como identificar buracos em vias públicas, falhas na iluminação urbana e prever enchentes horas antes do nível da água subir.

Empresas de tecnologia exibiram inovações prontas para o mercado, como a câmera IPK 823+ da Pumatronix — dotada de visão de 180 graus e processamento analítico de reconhecimento facial e detecção de EPIs diretamente na borda do hardware (edge computing). A viabilidade prática dessa vigilância em larga escala foi demonstrada no projeto Smart Rio, conduzido pela ARC Mobilidade. A iniciativa carioca integra mais de 25 mil câmeras com analíticos de inteligência artificial voltados para leitura comportamental e emissão automática de alertas em tempo real para as centrais de controle da prefeitura.

Saúde conectada enfrenta o desafio do envelhecimento populacional até 2035

O debate sobre saúde digital na Mesa de Diretrizes 11 trouxe alertas fiscais e demográficos severos. O Dr. Chao Lung Wen, chefe de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP, apresentou dados que sinalizam uma crise de sustentabilidade financeira no SUS e na saúde suplementar caso o modelo assistencial não seja reformulado.

Segundo as projeções do Dr. Wen, a partir de 2030 o Brasil registrará mais cidadãos idosos do que crianças e adolescentes na faixa de 0 a 14 anos. Mantido o ritmo atual de hospitalizações e tratamentos puramente reativos, o país corre o risco de comprometer 20% de todo o seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2035 apenas com o cuidado de doenças — o dobro do patamar médio despendido por nações desenvolvidas.

A mesa setorial apontou que o maior gargalo atual não está na falta de tecnologia, mas sim na efetiveness de sua aplicação e no engajamento do paciente. Médicos e pesquisadores da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) ilustraram a distância entre digitalizar processos e transformar a ponta: o aplicativo Meu SUS Digital contabiliza mais de 50 milhões de downloads, porém possui uma base de apenas 4,5 milhões de usuários recorrentes ativos. Para reverter o cenário, especialistas defenderam a inserção de inteligência analítica para reduzir o absenteísmo (no-show), o redesenho dos currículos universitários de saúde para a prática com IA e a adaptação do mobiliário urbano das cidades, que, de acordo com o Insper, registraram uma expansão de 57% na população idosa entre 2010 e 2022 e ainda geram severa fricção de mobilidade para a terceira idade.

Prefeituras enfrentam barreiras culturais para estruturar governos data-driven

O fechamento do congresso concentrou-se na transição das administrações públicas para modelos orientados por dados (data-driven). Gestores municipais concordaram que o maior obstáculo para a eficiência não reside na aquisição de software, mas sim na quebra de silos institucionais e na mudança de comportamento do funcionalismo público.

Municípios de diferentes portes compartilharam suas jornadas de modernização administrativa:

  • Presidente Prudente (SP): O município rompeu um modelo analógico herdado da década de 1990 — onde cada secretaria retinha e isolava seus próprios bancos de dados — ao centralizar as informações por meio do programa Prudente Inteligente e da criação de uma Carta de Serviços unificada com 540 procedimentos mapeados.

  • Lençóis Paulista (SP): A cidade estruturou um prontuário eletrônico unificado e integrado com as farmácias municipais. O cruzamento automatizado de dados impede a retirada em duplicidade de medicamentos e municia os médicos com o histórico clínico em tempo real, economizando recursos fiscais e otimizando o tempo de atendimento.

  • Paranapanema (SP): Com apenas 19 mil habitantes, a prefeitura superou a restrição orçamentária ao abdicar do desenvolvimento interno de sistemas. O município optou por contratar uma solução integrada de mercado via edital público, revisando todos os fluxos burocráticos internos antes de digitalizar os documentos e disponibilizar o portal de autoatendimento ao munícipe.

Especialistas jurídicos e de tecnologia alertaram para o fato de que muitos servidores públicos tendem a guardar os dados para si como “únicos donos da informação”. Os palestrantes concluíram que a transformação digital divide-se em três etapas obrigatórias: a digitalização de documentos, a adequação tecnológica dos fluxos de trabalho e, por fim, a mudança cultural interna. Sem que esta última se consolide, nenhum painel ou painel de controle de dados (dashboard) se converterá em decisões efetivas para o bem-estar da população.

Brasil Inovador

A convergência de debates no Smart City Business Brazil Congress 2026 comprova que a inteligência urbana no país atingiu maturidade analítica e exige, acima de tudo, coragem de governança e rigor na integração de sistemas, uma dinâmica acompanhada com exclusividade pelo Brasil Inovador. Para o Brasil Inovador, o fio condutor que une os eVTOLs, as muralhas virtuais de monitoramento e o prontuário médico unificado é a urgência em transformar dados brutos e isolados em ativos estratégicos de tomada de decisão. Sob a perspectiva econômica e de sustentabilidade fiscal, o alerta demográfico de que o Brasil pode gastar um quinto de seu PIB com saúde em 2035 deveria retirar imediatamente os prefeitos e governadores da zona de conforto.

A tecnologia de telemedicina e a IA preditiva de tráfego ou enchentes deixaram de ser projetos de vitrine eleitoral para se converterem em ferramentas obrigatórias de sobrevivência financeira dos municípios. O grande desafio estrutural para o ecossistema público brasileiro nos próximos ciclos será vencer a mentalidade burocrática e paroquial de retenção de dados, garantindo a interoperabilidade total de sistemas baseada em normas internacionais como a ISO. Ao alinhar investimentos em tecnologia avançada a uma profunda reforma na cultura do funcionalismo, o Brasil sinaliza que o futuro das cidades inteligentes reside na capacidade de processar dados com precisão cirúrgica para proteger vidas, otimizar impostos e garantir o acolhimento digno de uma população em rápido envelhecimento.

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