O papel da gastronomia no novo varejo urbano é tema de painel na Feira Brasileira do Varejo (FBV)

O papel da gastronomia no novo varejo urbano é tema de painel na Feira Brasileira do Varejo (FBV)

Mais do que um local de passagem, os bairros estão se transformando em destinos. Lugares onde as pessoas não apenas moram ou trabalham, mas escolhem estar. Nesse cenário, a gastronomia surge como um dos principais motores de revitalização urbana, capaz de impulsionar o comércio, fortalecer vínculos comunitários e criar experiências que ressignificam territórios. Foto: RCA

Este foi o centro do debate, na manhã desta sexta-feira (22), no último dia da Feira Brasileira do Varejo (FBV), que acontece no Centro de Eventos Fiergs, em Porto Alegre. O evento é promovido pelo Sindilojas Porto Alegre e pelo Sebrae RS. O painel “Quando o bairro vira destino: o papel da gastronomia no novo varejo urbano”, trouxe o Bom Fim, localizado em Porto Alegre, como estudo de caso para discutir os novos caminhos do varejo nas cidades. Participaram do encontro a especialista em comunicação digital, inteligência de mercado e análise de dados, Jacqueline Glat, o empresário especialista em inteligência urbana, comportamento e inovação aplicada aos negócios, Jairo Chotgues, e a fundadora, CEO e head criativa do Grupo Press Gastronomia e Diversão, Carla Tellini.

Em um contexto marcado pela chamada “Era da Conectividade”, o painel destacou como propósito, pertencimento e convivência vêm ganhando protagonismo na relação entre marcas, espaços urbanos e consumidores. Mais do que vender produtos ou serviços, o desafio do novo varejo está em criar ecossistemas vivos, onde comércio, cultura, lazer e relações de vizinhança coexistam de forma integrada. Jacqueline Glat observou como o bairro Bom Fim vem consolidando uma identidade própria, impulsionada pela diversidade de serviços e pela valorização do cotidiano local. Criadora do perfil @bomdobomfim, ela acompanha de perto as transformações da região e destacou a importância de iniciativas que ampliam a oferta de experiências para moradores e visitantes. “Quanto maior a diversidade de serviços e operações, mais forte se torna a atratividade do bairro”, salientou. Essa lógica é refletida no projeto da Alameda Bom Fim, apresentado por Jairo Chotgues, que vê no espaço uma releitura contemporânea dos antigos pátios e ruas de convivência.

Para ele, “transformar um bairro em destino exige compreender o comportamento das pessoas e criar oportunidades alinhadas às demandas reais da comunidade”. “O que transformou o espaço em um local gastronômico foi entender o que as pessoas buscavam”, ressaltou. Segundo Chotgues, “o conceito da Alameda nasceu justamente da ideia de promover encontros e fortalecer a extensão natural da rua e da vida do bairro, sem gerar conflitos com a vizinhança”. A relação entre gastronomia e desenvolvimento urbano também foi enfatizada por Carla Tellini. Entusiasta do potencial dos bairros como centros pulsantes de convivência, Carla defendeu um modelo inspirado em cidades ao redor do mundo, onde os bairros funcionam como “shoppings a céu aberto”. Para ela, gastronomia, comércio e serviços precisam caminhar juntos para criar vitalidade urbana. “A gastronomia não funciona sozinha”, afirmou, destacando que quanto maior a diversidade de operações em um bairro, mais atrativo ele se torna.

Carla também chamou atenção para a importância de preservar a arquitetura e a identidade cultural dos territórios, especialmente no Bom Fim, bairro marcado por memória afetiva e forte conexão comunitária. Outro ponto importante levantado foi a necessidade de maior protagonismo da iniciativa privada na gestão dos espaços urbanos. Diante das limitações do poder público, Carla destacou o papel das associações locais na promoção de melhorias, como monitoramento por câmeras, segurança e qualificação dos espaços públicos. Ideias como a criação de estacionamentos subterrâneos também surgem como alternativas para reduzir o impacto no trânsito e ampliar a ocupação qualificada das ruas. Ao longo do painel, ficou evidente que o futuro do varejo urbano passa pela construção de experiências autênticas, capazes de conectar pessoas ao território. O caso do Bom Fim demonstra que bairros se tornam destinos quando conseguem equilibrar identidade, conveniência, convivência e diversidade, transformando ruas em pontos de encontro, gastronomia em vetor de desenvolvimento e comércio em agente de pertencimento.

A FBV conta com o patrocínio ouro da SAP, patrocínio prata do Governo do Rio Grande do Sul, Governo do Brasil, Caixa e Sicredi e patrocínio bronze do Badesul, Banrisul e CDL.

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