Gringo capta R$ 150 milhões para seu ‘super app do motorista’, que já tem 10 mi de usuários

Gringo capta R$ 150 milhões para seu ‘super app do motorista’, que já tem 10 mi de usuários

A Gringo – a startup tentando criar o ‘super app do motorista’ – acaba de levantar R$ 150 milhões numa rodada que vai acelerar o crescimento de sua base de usuários e permitir plugar novos serviços na plataforma.

A captação foi liderada pela Valor Capital e teve a participação de todos os investidores anteriores, incluindo a Kaszek Ventures, ONEVC e a VEF, uma gestora londrina.

Num sinal dos novos tempos, a Gringo não discute o valuation da rodada, mas diz que ele foi 50% maior que o da Série B, fechada há um ano e meio e cujo valuation também não foi revelado. 

De lá para cá, a startup dobrou sua base de usuários, passando de 5 milhões de motoristas para mais de 10 milhões, e triplicou sua receita. Cerca de 80% dos usuários são ativos – na definição da companhia, aqueles que entram no app pelo menos uma vez por trimestre.

O plano é chegar a 20 a 30 milhões de usuários nos próximos dois anos. 

A Gringo criou um aplicativo que consegue gerar recorrência usando uma fórmula simples. A startup monitora os documentos, a CNH, as multas e o pagamento do IPVA dos motoristas – entrando no dia a dia dos usuários e fazendo com que eles entrem com frequência no app para ver essas informações.

Para isso, a Gringo se conecta com APIs de bancos, despachantes e do Detran para – com a autorização do motorista – puxar de forma automatizada e em tempo real todas as suas informações relacionadas ao carro e à CNH. 

O motorista recebeu uma multa? A Gringo envia um push avisando. A CNH venceu? A Gringo alerta. Tem desconto pagando a multa antes? A startup te informa.

Até há pouco tempo, a receita da Gringo vinha apenas de uma taxa que ela recebia quando o motorista optava por pagar as multas ou o IPVA direto pelo aplicativo. Há alguns meses, ela começou também a distribuir seguros e empréstimos com garantia do automóvel, ganhando uma comissão em cima das vendas. 

Hoje, 90% da receita vem das taxas dos pagamentos, e 10% das comissões de seguros e crédito. 

O fundador Rodrigo Colmonero — que também é sócio da Neo Investimentos — disse ao Brazil Journal que o plano é consolidar os produtos de seguro e crédito e, na sequência, entrar no segmento de compra e venda de automóveis. 

“Não sabemos ainda exatamente como vamos entrar, mas a ideia é ajudar os motoristas na compra e venda com um modelo mais asset light,” disse ele. “Não vamos operar comprando e revendendo os carros, por exemplo, no modelo da Kavak.

Segundo ele, a ideia é usar as informações que a startup tem sobre os carros e o motorista para tornar o processo de compra e venda mais personalizado e fluido. 

A visão de longo prazo da Gringo é ter no aplicativo todos os produtos e serviços que o motorista precisa — do abastecimento à manutenção, da tag de pedágio ao seguro. “Mas vamos fazer isso de forma sequencial e sem pressa. Queremos lançar os produtos, torná-los relevantes na base e só depois lançar outro,” disse ele. 

Caique Carvalho, o outro fundador da Gringo, disse que a startup não quer ter um excesso de ofertas na home do app — prejudicando a experiência do usuário. (O terceiro fundador é Juliano Dutra).

“Nunca vamos ter 10 ofertas de produtos para um usuário, como muitos ‘super apps’ fazem. Vamos colocando os produtos na jornada de acordo com os dados que temos de cada um. Se um usuário está se aproximando da data da renovação do seguro, por exemplo, vamos oferecer o seguro para ele. Se virmos que ele olhou a tabela Fipe do carro, vamos oferecer o serviço de compra e venda.”

A captação de hoje vai garantir recursos para a Gringo continuar crescendo pelos próximos três a cinco anos, quando a startup pensa em fazer um IPO. Rodrigo disse que, dos R$ 190 milhões da rodada anterior, a Gringo ainda tem metade em caixa, que será reforçado com os R$ 150 milhões captados agora.  

A startup ainda está queimando caixa, “mas isso depende mais da nossa estratégia de crescimento do que uma busca pelo breakeven. Se quiséssemos ‘breakavar’ agora conseguiríamos, mas não faz sentido.”


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