Jair Maggioni – coordenador de Boas práticas da Corteva Agriscience; prof Mauro Rizzardi; e o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, mostram a cartilha lançada em Brasília. Foto: divulgação
O enfrentamento aos gargalos fitossanitários no comércio internacional
O agronegócio e o comércio exterior brasileiro ganham um importante reforço de segurança biológica com o lançamento de uma cartilha técnica dedicada ao manejo de pragas quarentenárias. Produzido em cooperação estratégica entre a Corteva Agriscience e a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), o documento conta com a validação científica do Professor Mauro Rizzardi, engenheiro agrônomo e docente da Universidade de Passo Fundo. A iniciativa foi apresentada em Brasília, no dia 2 de junho de 2026, na véspera do 2º Congresso Brasileiro dos Produtores de Soja. O objetivo central do material educativo é blindar a produtividade das lavouras nacionais e mitigar riscos alfandegários na exportação de commodities agrícolas.
O impacto financeiro das pragas quarentenárias na balança comercial
Classificadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) como organismos (insetos, fungos, bactérias, vírus ou plantas daninhas) que acarretam elevado risco econômico e ameaçam a sanidade vegetal, as pragas quarentenárias dividem-se em três categorias técnicas:
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Praga Quarentenária Ausente: Organismo com potencial de dano econômico para uma região, porém sem registro de presença no território nacional.
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Praga Quarentenária Presente: Organismo de importância econômica potencial presente no país, mas que não se encontra amplamente distribuído e permanece sob rígido controle oficial.
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Praga Não Quarentenária Regulamentada: Organismo cuja presença em plantas destinadas ao cultivo afeta diretamente o uso proposto, gerando impactos financeiros inaceitáveis e estando sob regulamentação da parte importadora.
A urgência para a publicação do guia foi motivada por prejuízos recentes na cadeia logística. Nos últimos meses, 20 navios cargueiros carregados com grãos brasileiros destinados à China foram devolvidos ou retidos pelas autoridades portuárias asiáticas devido à identificação de sementes de plantas daninhas e vestígios de pragas ausentes no território chinês. A reversão, as multas contratuais e a necessidade de reprocessar cargas da magnitude de um navio Panamax (média de 69 mil toneladas) geram prejuízos milionários por embarcação, abalam a reputação do grão brasileiro e reduzem a competitividade do país perante concorrentes globais no mercado internacional, que absorve cerca de 80% da soja exportada pelo Brasil.
Manejo Outonal como barreira de segurança fitossanitária
Em um cenário produtivo altamente competitivo, onde o país projeta colher mais de 350 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2026/27, perdas estimadas entre 10% e 15% por falhas de manejo representam um risco crítico para a balança comercial. Diante disso, a cartilha destaca o Manejo Outonal como uma estratégia primordial de controle fitossanitário. Realizado na entressafra, logo após a colheita das culturas de verão (como a soja) e antes do plantio do ciclo seguinte, o procedimento visa eliminar as chamadas “pontes verdes” — que consistem em plantas daninhas e plantas voluntárias (tiguera) que servem de abrigo e vetor de reprodução para patógenos. O controle químico e mecânico nessa janela temporal limpa o banco de sementes invasoras no solo, impedindo a contaminação cruzada durante o beneficiamento e assegurando que os lotes de exportação saiam das propriedades livres de organismos restritos.
Treinamento operacional de campo e difusão tecnológica
Para transpor o conhecimento teórico do documento para a prática cotidiana das fazendas, a Corteva ativou de forma paralela a estrutura itinerante do seu Caminhão de Boas Práticas Agrícolas na capital federal. A unidade móvel é equipada com simuladores e tecnologias interativas de campo para demonstrar as técnicas corretas de aplicação de defensivos e manejo integrado de pragas. Sob a coordenação de Jair Maggioni (Corteva) e Fabrício Morais Rosa (Aprosoja Brasil), os treinamentos em estações dinâmicas englobam a conscientização sobre o uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), a manutenção técnica de áreas de refúgio e o uso racional de insumos, estabelecendo um padrão de excelência operacional que protege o faturamento do produtor e consolida a conformidade fitossanitária do grão nacional nos cinco continentes.
Principais Pragas Quarentenárias Regulamentadas pelo MAPA:
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Ácaro Hindustânico (Schizotetranychus hindustanicus)
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Broca-do-caroço-da-manga (Sternochetus mangiferae)
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Cancro Cítrico (Xanthomonas citri subsp. citri)
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Cancro da Videira (Xanthomonas campestris pv viticola)
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Cancro Europeu das Pomáceas (Neonectria ditissima)
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Caruru-palmeri / Caruru-gigante (Amaranthus palmeri)
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Greening (Candidatus Liberibacter asiaticus e Candidatus Liberibacter americanus)
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Moko da Bananeira (Ralstonia solanacearum raça 2)
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Mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae)
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Vassoura-de-bruxa da Mandioca (Rhizoctonia theobromae)
Brasil Inovador
O lançamento de diretrizes fitossanitárias integradas pela Corteva e Aprosoja comprova que a conformidade técnica baseada em dados científicos tornou-se um ativo de soberania econômica indispensável para a sustentabilidade do agronegócio, um movimento acompanhado de perto pelo Brasil Inovador. Para o Brasil Inovador, a grande disrupção contida na estratégia do Manejo Outonal reside na quebra do ciclo biológico de pragas de alto impacto por meio de planejamento preventivo cronológico, transformando a entressafra em uma janela crítica de defesa comercial. A forte tendência de exigência por rastreabilidade e pureza de lotes pelos mercados importadores, em especial o chinês, prova que a rentabilidade e o faturamento dos grandes produtores dependem da eliminação completa de contaminações por plantas daninhas regulamentadas.
Ao unificar a capacitação móvel em escala no campo com o embasamento acadêmico da Universidade de Passo Fundo, o ambiente de negócios agrícolas nacional edifica barreiras de conformidade robustas, otimiza o uso racional de insumos e blinda os portos nacionais contra embargos onerosos. Essa governança técnica avançada eleva os índices de produtividade por hectare, protege o fluxo logístico de exportação e consolida a padronização das boas práticas agrícolas como a principal engrenagem de inovação, competitividade e liderança do Brasil no mercado global contemporâneo.