A expansão e o adensamento tecnológico dos ambientes de inovação no país ganharam um novo vetor estratégico na Região Norte. Durante a manhã de abertura da 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação, realizada em Manaus (AM), a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) promoveu a atividade “A Infraestrutura Digital que a Inovação Precisa”. O encontro marcou o lançamento de uma articulação nacional voltada a integrar hubs, parques tecnológicos e incubadoras à malha de conectividade de alto desempenho do país.
Conduzida pelo gerente de Inovação Tecnológica da RNP, Rafael Valle, a atividade apresentou as soluções de conectividade e serviços digitais que a organização disponibiliza para acelerar centros de pesquisa e desenvolvimento. O ponto central do anúncio foi a estruturação do Fórum de Gestores de TI dos Ambientes de Inovação, um canal permanente desenhado em cooperação com a Anprotec para alinhar o suporte tecnológico às demandas reais do setor privado e das startups.
Evolução da conectividade científica e projeção internacional
A trajetória da RNP confunde-se com a própria história da internet brasileira. Criada originalmente para atender às demandas de tráfego de dados da comunidade científica e acadêmica, a instituição capitaneou a implantação das primeiras redes de internet no país. Esse histórico pavimentou o caminho para a estrutura robusta operada hoje pela organização, que transcendeu o ambiente universitário para atuar como uma espinha dorsal de infraestrutura tecnológica nacional.
Atualmente, o sistema interliga instituições de ensino e pesquisa nas 27 unidades federativas do Brasil, alcançando uma base de mais de 6 milhões de usuários ativos — englobando estudantes, professores, pesquisadores e profissionais vinculados às instituições. No cenário global, a instituição assegura o posicionamento estratégico do país ao representá-lo na Global Research and Education Network (GREN), conectando as redes de alta velocidade nacionais aos principais centros internacionais de pesquisa.
Expansão de portfólio para parques tecnológicos e startups
A virada de chave no modelo de atuação ocorreu a partir de 2019, quando a atualização da Política de Uso da RNP autorizou formalmente a inclusão de ambientes promotores de inovação — como parques tecnológicos, aceleradoras e incubadoras — como beneficiários diretos de sua infraestrutura. Um projeto piloto iniciado em 2020 permitiu mapear os gargalos operacionais desses ecossistemas, direcionando o desenvolvimento de soluções customizadas de conectividade em alta velocidade, armazenamento em nuvem e cibersegurança.
O portfólio de entregas estruturais divide-se em quatro frentes principais:
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Conectividade de Altíssima Velocidade & Nuvem;
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Identidade Digital Federada & Cibersegurança;
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Infraestrutura Dedicada para Armazenamento e IA;
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Plataformas de Experimentação em TICs e Capacitação.
O grande desafio atual, segundo apontado no painel, reside na criação de modelos escaláveis de processamento de dados adequados à era da inteligência artificial generativa. Startups e empresas de tecnologia profunda demandam uma capacidade computacional sem precedentes, o que exige que a infraestrutura física nacional acompanhe essa evolução para evitar a perda de competitividade e a dependência de servidores estrangeiros.
Articulação de governança e diagnóstico de infraestrutura
A institucionalização do diálogo técnico ganhou forma através da proposta de criação do Fórum de Gestores de TI dos Ambientes de Inovação. O objetivo é transformar profissionais de tecnologia em mediadores estratégicos, capazes de consolidar as demandas de hardware, link dedicado e segurança das empresas locais para otimizar os investimentos federais e estaduais no ecossistema.
Como etapa inicial dessa aproximação na conferência, os participantes foram convidados a responder um formulário técnico para colher diagnósticos detalhados sobre as carências regionais de infraestrutura digital. Os dados coletados fundamentarão o desenho de uma rede de colaboração nacional e regional, com foco prioritário em mitigar as assimetrias históricas enfrentadas por ecossistemas localizados na Região Norte e no interior do país.
Brasil Inovador
A iniciativa liderada pela RNP em parceria com a Anprotec toca no ponto mais crítico para a competitividade das empresas brasileiras na atualidade: a infraestrutura básica de dados. Para o Brasil Inovador, a consolidação de ecossistemas inovadores na “economia do futuro” é diretamente proporcional à capacidade de processamento de dados e à velocidade de banda larga disponíveis no território nacional. Parques tecnológicos e incubadoras não podem performar como operadores estratégicos se suas startups estiverem asfixiadas por limitações de conexão ou custos proibitivos de computação em nuvem. Ao integrar estes ambientes à rede acadêmica de altíssimo desempenho, o país cria um colchão de segurança tecnológica essencial para que projetos nacionais de inteligência artificial e biotecnologia escalem com soberania, transformando a infraestrutura digital em uma vantagem competitiva real de mercado.