A comunidade de liderança feminina Clube Aladas concluiu sua participação na primeira edição do festival SP2B (São Paulo To Business), realizado entre os dias 9 e 16 de agosto de 2026 no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Ocupando o espaço Beginning dentro da trilha Reconhecimento, a iniciativa promoveu 15 painéis de debate focados em quatro eixos centrais: carreira, gestão financeira, relacionamentos interpessoais e maturidade profissional. O ciclo de palestras reuniu executivas, empreendedoras, jornalistas e especialistas de diversas gerações para debater a quebra de paradigmas corporativos, a saúde mental em ambientes de alta performance e a expansão do protagonismo feminino em posições de tomada de decisão.
A programação do Palco Aladas abordou as contradições do mercado de trabalho moderno, destacando o impacto do esgotamento profissional, a busca por autonomia patrimonial e a transição de carreira após o desligamento de grandes corporações.
Autonomia patrimonial, saúde mental e a redefinição de carreira
A abertura das sessões temáticas colocou em pauta a relação entre exaustão, produtividade e independência financeira. No painel “Exhaustas e Produtivas”, Juliana Ferraz, sócia e diretora da Holding Club, abordou o estado de alerta permanente vivenciado por executivas em posições de comando, confrontando a necessidade de manter a performance corporativa mesmo diante do cansaço físico e mental.
A autonomia financeira e a gestão de patrimônio foram analisadas por Denise Damiani, CEO e conselheira de administração, e Lucia Hauptman, fundadora e CEO da PRADA Assessoria. As painelistas destacaram a necessidade de superação de comportamentos conservadores de investimento por parte das mulheres e ressaltaram a gestão patrimonial como um instrumento fundamental de liberdade de escolha e poder de decisão.
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Transição Corporativa: O painel “Há Vida Depois do Crachá?” discutiu os desafios de reconstrução da identidade profissional após a saída de cargos executivos, com contribuições de Renata Afonso (ex-CEO da CNN Brasil), Paula Puppi (ex-CTO da WPP) e Renata Feltrin (referência em liderança no LinkedIn), sob mediação da jornalista Fabiana Corrêa (Marie Claire).
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Filosofia e Tecnologia: A professora Luciana Zaterka conduziu o painel “Entre Humanos e Máquinas: Uma Perspectiva Filosófica sobre a Condição Humana”, abordando o impacto do avanço tecnológico nas relações de trabalho.
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Afeto e Produtividade: No debate “Por que as relações importam tanto?”, a psicanalista Carol Tilkian e a cientista da felicidade Juliana Sawaia, com mediação de Carol Romano (cofundadora da Futuro Co), analisaram a infiltração de métricas de produtividade e controle nas relações interpessoais e afetivas.
| Painel | Participantes Destacados | Eixo Temático Central |
| Exausta e Produtiva | Juliana Ferraz (Holding Club) | Saúde mental, ritmo corporativo e alta performance |
| Gestão e Patrimônio | Denise Damiani e Lucia Hauptman (PRADA Assessoria) | Independência financeira e apetite a risco |
| Vida Depois do Crachá | Renata Afonso, Paula Puppi e Renata Feltrin (LinkedIn) | Transição de carreira e identidade pós-corporativa |
| Humanos e Máquinas | Luciana Zaterka | Filosofia, condição humana e tecnologia |
| Relações e Afeto | Carol Tilkian, Juliana Sawaia e Carol Romano (Futuro Co) | Impacto da produtividade nos vínculos pessoais |
Protagonismo no jornalismo e a estrutura do Clube Aladas
A representatividade feminina nos veículos de imprensa foi o tema do painel “Mulheres no Centro da Narrativa: Jornalismo, Visibilidade e o Poder de Colocar Mulheres em Cena”. O debate contou com as jornalistas Lia Rizzo (editora da revista Exame) e Christiane Pelajo (âncora da CNBC no Brasil), com mediação da jornalista Maria Prata. A discussão enfatizou a importância de migrar a presença das mulheres nos meios de comunicação do papel de personagens para o posto de fontes especialistas e autoridades nos assuntos abordados.
Fundado em 2024 pelas empresárias Andrea Bisker (fundadora da Spark:off) e Daniela Graicar (CEO e fundadora da agência PROS), o Clube Aladas é uma comunidade de liderança feminina voltada ao intercâmbio de conhecimento, networking de alto nível e desenvolvimento de carreiras executivas. A rede, que iniciou com 24 associadas, conta atualmente com 170 integrantes atuantes em setores como tecnologia, mercado financeiro, direito, comunicação, moda, educação e saúde. O ingresso ocorre via processo seletivo e possui teto limitado a 200 membros, registrando uma taxa de renovação de 89% no primeiro semestre de 2026.
Análise Brasil Inovador
A presença de palcos dedicados exclusivamente à liderança feminina em grandes festivais de negócios como o SP2B reflete uma transformação estrutural no ecossistema corporativo brasileiro, em que a diversidade de gênero deixa de ser vista apenas sob a ótica de responsabilidade social para se consolidar como fator estratégico de competitividade e governança (ESG). A maturidade das discussões promovidas pelo Clube Aladas — ao abordar desde a gestão de patrimônio até a saúde mental e transição de carreira de altíssima liderança — demonstra que a retenção de talentos femininos exige redes de apoio estruturadas e ambientes de trabalho adaptados às reais dinâmicas sociais. A médio e longo prazo, a consolidação de comunidades fechadas de executivas acelera o preenchimento de cadeiras em conselhos de administração e diretorias, promovendo uma descentralização no poder decisório e impulsionando novos modelos de gestão focados em inovação, sustentabilidade e equilíbrio operacional no setor privado nacional.