Leidivino Natal, CEO global da Stefanini Cyber
A Stefanini Cyber, unidade de negócios focada em segurança digital do Grupo Stefanini, divulgou uma análise estratégica em junho de 2026 sobre como o cibercrime passou a utilizar intensivamente a inteligência artificial (IA) para atacar corporações por meio de suas cadeias de suprimentos (supply chain). Fornecedores de médio e pequeno porte com conexões lógicas diretas a sistemas de grandes organizações tornaram-se os alvos preferenciais para invasões e fraudes de grande escala, especialmente em setores integrados como o financeiro.
De acordo com dados de mercado compilados pelo Gartner, 45% das organizações globais sofreram algum tipo de incidente de segurança digital associado à cadeia de suprimentos de software nos últimos dois anos. O cenário evidencia que as barreiras tradicionais de perímetro corporativo tornaram-se obsoletas contra ofensivas automatizadas.
Da detecção à antecipação: o modelo preditivo
O avanço tecnológico dos ataques exige que as corporações substituam auditorias de risco estáticas e pontuais de terceiros por uma abordagem contínua e orientada por dados. O ecossistema criminoso atual emprega ferramentas inteligentes capazes de construir caminhos de ameaças customizados e preditivos, combinando acessos legítimos e dados dispersos para burlar defesas antes mesmo que uma vulnerabilidade técnica explícita seja detectada.
Segundo Leidivino Natal, CEO global da Stefanini Cyber, o mercado passa por uma mudança estrutural de paradigma, na qual a governança de cibersegurança precisa migrar da resposta em tempo real para o controle preditivo. A inteligência artificial defensiva é aplicada para:
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Análise Comportamental: Correlacionar dados analíticos internos e externos do ecossistema de fornecedores de forma automatizada.
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Mapeamento de Arquitetura de Ataques: Identificar padrões de comportamento suspeitos que sinalizam a preparação ou engenharia de um ataque em andamento na rede de parceiros conectados.
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Insights Acionáveis em Escala: Gerar respostas automatizadas e orquestradas em velocidades incompatíveis com as capacidades de triagem de equipes humanas tradicionais.
Abaixo, a tabela resume as principais características que diferenciam a segurança corporativa convencional dos novos requisitos de proteção baseados no ecossistema:
| Dimensão da Segurança | Modelo Tradicional (Reativo) | Novo Paradigma AI-First (Preditivo) |
| Foco do Perímetro | Proteção centralizada na infraestrutura interna | Monitoramento integrado de todo o ecossistema e parceiros |
| Frequência de Avaliação | Auditorias e checagens pontuais de fornecedores | Gestão de risco contínua, dinâmica e automatizada |
| Abordagem Técnica | Detecção e resposta a incidentes ocorridos | Antecipação de ameaças via correlação de dados por IA |
| Vetores de Ataque | Exploração de brechas e malwares genéricos | Ofensivas hiperpersonalizadas construídas por algoritmos |
| Vantagem Competitiva | Continuidade básica de operações internas | Resiliência cibernética, agilidade comercial e confiança |
O Grupo Stefanini, que opera sob o modelo AI-First, conta com a suíte de ferramentas SAI (Stefanini Artificial Intelligence) para desenhar soluções preditivas integradas às operações de seus clientes. A holding tech global possui presença consolidada em 46 países, dispõe de 23 centros de distribuição nos cinco continentes e conta com um quadro superior a 35 mil colaboradores. A maturidade de seu modelo corporativo gerou o caso de estudo “Criando uma Estratégia de Ecossistema na Era da AI”, chancelado academicamente pela escola de negócios internacional INSEAD.
Brasil Inovador
A análise trazida pela Stefanini Cyber toca no ponto mais crítico da transformação digital contemporânea: a interdependência dos sistemas comerciais e industriais. No cenário econômico atual, nenhuma grande empresa opera isolada; sua eficiência depende de centenas de fornecedores logísticos, de insumos e de software conectados em nuvem às suas bases operacionais. À medida que o cibercrime passa a utilizar IA para automatizar ataques em escala e descobrir rotas de acesso indiretas, a segurança deixa de ser uma mera despesa de TI para se tornar um elemento vital de governança corporativa e sobrevivência de mercado.
Organizações que não expandirem seus olhos analíticos para além de seus próprios servidores, auditando e blindando a maturidade digital de seus parceiros comerciais menores, correm o risco de ver operações bilionárias paralisadas por brechas periféricas. Entender e documentar esse ecossistema vivo e integrado, onde a automação de defesa é a única resposta viável contra a escala do crime digital, é a cobertura que a plataforma Brasil Inovador realiza para dar subsídio técnico aos tomadores de decisão no país.