Diante do crescente fenômeno da “terceirização cognitiva” (cognitive offloading), o julgamento humano se tornará mais valioso do que nunca, moldando as qualidades que os empregadores mais valorizarão e, em última análise, definindo o que diferenciará os graduados, de acordo com um novo relatório da Aliança Global em Educação de Gestão, CEMS.
O relatório, intitulado Augmented Leadership: Navigating the New Age of Intelligence (Liderança Aumentada: Navegando na Nova Era da Inteligência), destaca que, embora as ferramentas de IA generativa possam aumentar a produtividade e a criatividade, a dependência excessiva arrisca enfraquecer as próprias capacidades que os empregadores mais valorizam: pensamento crítico, curiosidade e tomada de decisão ética. Em vez de tratar a IA como um piloto automático, os colaboradores enfatizam a necessidade de usá-la como um copiloto que estende, e não substitui, o discernimento humano.
O documento apresenta contribuições de representantes seniores de empresas multinacionais e das principais escolas de negócios globais – parceiros corporativos e acadêmicos da aliança CEMS – explorando as habilidades de liderança de alto nível necessárias para ter sucesso em uma era dominada pela IA. O CEMS oferece o Master in International Management (MIM), considerado um dos melhores masters do mundo, segundo a QS Ranking. No Brasil, apenas a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) faz parte da aliança CEMS, que atrai estudantes do mundo todo.
No geral, os colaboradores que participaram da pesquisa expressam otimismo sobre o potencial da IA para amplificar a criatividade quando usada com sabedoria. A pergunta não deve mais ser “A IA vai tomar o meu emprego?”, mas sim “Como a IA pode me tornar melhor nele?”.
No entanto, eles também alertam que a IA não é um colega de equipe ou de trabalho – e não pode substituir o julgamento humano. O verdadeiro perigo para os futuros líderes reside na complacência e na dependência excessiva.
Insights para desenvolver habilidades de liderança de alto nível
O relatório aprofundado apresenta entrevistas com especialistas de toda a aliança global da CEMS, composta por 33 escolas de negócios líderes e mais de 70 parceiros multinacionais, que juntos oferecem o Master in International Management (CEMS MIM), conectado, no Brasil, com o programa de Mestrado Profissional em Gestão Internacional da FGV EAESP.
Ele se baseia em um estudo anterior, realizado entre parceiros corporativos da aliança CEMS, que identificou a próxima geração de habilidades de liderança necessárias para prosperar em 2030 e além.
O relatório destaca insights fundamentais para líderes empresariais, educadores e empregadores, oferecendo maneiras práticas de aproveitar a IA como um catalisador para amplificar o potencial humano. Eles incluem:
Para líderes: Entenda o que está “por baixo do capô”. As ferramentas de IA são imensamente úteis, mas também têm limitações. Estruture seu próprio pensamento antes de recorrer à IA e incentive os outros a fazerem o mesmo. Avalie o que é útil, refine os resultados e tome decisões melhores.
Para educadores: Incentive os alunos a usar a GenAI (IA Generativa) para investigar, explorar e desafiar ideias que eles tiveram primeiro. Abrace a GenAI como um auxílio de ensino reflexivo, mas combine-a com avaliações autênticas que meçam conhecimento genuíno, pensamento independente e habilidades de comunicação.
Para profissionais em início de carreira: Não trabalhe “no fluxo” (vibe work) apoiando-se apenas no que as ferramentas de IA produzem. O risco não é que a IA nos domine, mas que possamos entregar o controle voluntariamente porque parece fácil. Olhe mais fundo, reformule a pergunta e compare múltiplas perspectivas. Pense primeiro e dê o prompt depois.
O papel crítico da educação empresarial
Nicole de Fontaines, diretora-executiva da aliança CEMS, disse: “Em nosso novo relatório, colaboradores especialistas revelam uma verdade otimista: quando usada de forma responsável, a IA pode amplificar o potencial humano, aumentar a criatividade e desbloquear novas possibilidades para líderes, educadores e profissionais em início de carreira”. No entanto, a diretora ainda acrescenta que eles também destacam que a dependência excessiva da IA pode ter consequências: distanciamento, confiança reduzida e um senso de propósito diminuído. “É precisamente por isso que redefinimos o Perfil do Graduado CEMS: para garantir que nossos graduados cultivem não apenas fluência digital e curiosidade, mas também o julgamento ético, a autoliderança e a profundidade humana necessários para navegar pelas tecnologias inteligentes com responsabilidade e manter o pensamento humano de alta qualidade no centro da liderança.”
Outro ponto destacado por Fontaines é que o ensino superior e a educação empresarial têm um papel vital a desempenhar na preparação dos alunos para um mundo integrado à IA. “As universidades e escolas de negócios visam cada vez mais ajudar os alunos a entender não apenas como esses sistemas funcionam, mas também quando e por que usá-los, incluindo suas implicações sociais e ambientais mais amplas, e como equilibrar a fluência digital com a profundidade humana.”
Abraçando a inovação sem perder a humanidade
Sherif Kamel, reitor da Onsi Sawiris School of Business na Universidade Americana no Cairo e vice-presidente da CEMS, comenta no relatório: “Cada onda de inovação na história despertou medos de substituição, mas acabou criando novas oportunidades, e acredito que a IA não será diferente, se a abraçarmos com sabedoria. Ao navegarmos nesse futuro, devemos lembrar que a tecnologia pode mudar as ferramentas que usamos, mas não muda quem somos. Nossa capacidade de pensar criticamente, adaptar-nos com resiliência e nos conectarmos significativamente continua sendo nossa maior vantagem.”
O poder da curiosidade humana e do pensamento crítico
Guillaume Delacour, vice-presidente e chefe Global de Desenvolvimento de Pessoas na ABB, ex-aluno do CEMS MiM e colaborador do relatório, disse: “A IA pode liberar sua criatividade, inovação e resolução de problemas, mas também pode esmagá-las. A chave para trabalhar bem com a IA é aplicar curiosidade e pensamento crítico. A GenAI sempre gerará algo. Ela foi projetada para fazer isso. Mas o perigo está em aceitar o resultado como ele é. Dizemos ao nosso pessoal: ‘pensem primeiro, deem o prompt depois. Construam suas próprias ideias, estruturem seu pensamento e, somente quando atingirem seus limites, recorram à IA. É aí que ela se torna uma parceira verdadeiramente valiosa’.”
Para finalizar, Delacour comenta que os novos graduados – que dominarão tanto fortes habilidades humanas quanto digitais, em particular a GenAI – terão a incrível oportunidade de se tornarem os melhores profissionais que os mundos corporativo e acadêmico já viram na história.
Um link para o relatório completo pode ser encontrado aqui: Link
Sobre a Aliança CEMS: A aliança CEMS é uma rede global de 33 das melhores escolas de negócios do mundo, mais de 70 parceiros corporativos (empresas multinacionais) e 8 parceiros sociais (ONGs), dedicada a educar e preparar as futuras gerações de líderes empresariais internacionais através do Master in International Management (CEMS MIM).
No Brasil, o CEMS MIM é ofertado para os alunos do Mestrado Profissional em Gestão Internacional (MPGI) pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), que ao final do programa recebem o título de Mestre em Gestão Internacional da FGV EAESP e o certificado de Master in International Management da aliança CEMS. O programa enfatiza a responsabilidade pessoal e social na tomada de decisões empresariais, liderança e cidadania, informadas pelo raciocínio ético, integridade pessoal e respeito pela diversidade social. O programa ajuda os alunos a entender e navegar no ambiente de negócios internacional, ao mesmo tempo em que os equipa com o conhecimento, as habilidades e a rede para gerenciar pessoas através de fronteiras e dentro de equipes multinacionais, abordando questões de negócios reais em uma variedade de campos.