Iniciativa de empresa de fomento vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação vai ampliar o acesso do setor produtivo a recursos do Estado e fortalecer a Nova Indústria Brasil
Proposta aproxima o financiamento público da ponta produtiva e amplia o impacto da inovação na vida das pessoas. Foto: Luara Baggi (ASCOM/MCTI)
Aciência que chega perto de quem transforma ideias em soluções é o ponto de partida do Finep pelo Brasil. A iniciativa vai levar informação, orientação e recursos de fomento a empresas e instituições científicas de todas as regiões do País. O projeto foi apresentado nesta terça-feira (10), no Rio de Janeiro (RJ), e tem como proposta aproximar o financiamento público da ponta produtiva e ampliar o impacto da inovação na vida das pessoas.
Dirigentes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresentarão os 13 editais de fomento lançados recentemente. As publicações são direcionadas a empresas e instituições capazes de promover a reindustrialização nacional com foco em sustentabilidade, autonomia tecnológica e diminuição da dependência externa.
A jornada nacional de eventos presenciais da Finep e do MCTI ocorrerá de 10 de fevereiro a 30 de abril e tem como meta percorrer cem cidades, entre capitais e municípios do interior. A iniciativa está alinhada à Nova Indústria Brasil (NIB). Entre os editais apresentados, estão as 13 publicações anunciadas recentemente e que somam R$ 3,3 bilhões em recursos não reembolsáveis voltados a projetos com alto risco tecnológico, relevância social e foco em sustentabilidade.
Durante a abertura do evento, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o caráter estratégico do programa e a intenção de aproximar a política pública de quem atua diretamente na produção de conhecimento e tecnologia. “O Finep Pelo Brasil nasce para democratizar o acesso às oportunidades de fomento, levar informação, diálogo e orientação para todos os cantos do País”, afirmou.
A ministra ressaltou que o programa expressa a visão do Governo do Brasil de colocar ciência, tecnologia e inovação no centro do desenvolvimento nacional. “Não existe desenvolvimento sem ciência, não existe reindustrialização sem tecnologia e não existe futuro sem inovação”, disse. O programa parte da compreensão de que a ciência não se limita aos laboratórios e de que ela deve se traduzir em resultados concretos, com impacto direto na vida das pessoas, no fortalecimento da indústria, no aumento da produtividade, na geração de empregos e renda, na qualificação profissional, na abertura de mercados e na ampliação da soberania tecnológica do País.
O evento também evidenciou o papel da Finep como operadora do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A execução integral do orçamento no último ano ampliou a capacidade de apoio à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à inovação. Desde o início da atual gestão até o fim de 2025, o MCTI, por meio da Finep, investiu R$ 44,3 bilhões, incluindo contrapartidas, em mais de 3 mil projetos vinculados à Nova Indústria Brasil.
Os recursos têm sido direcionados a soluções tecnológicas voltadas a desafios nacionais em áreas estratégicas, como mobilidade sustentável, transição energética, bioeconomia e saúde, com iniciativas que vão do desenvolvimento de ônibus híbrido elétrico 100% nacional e de soluções de transporte para a Amazônia à ampliação da produção de etanol e a testes moleculares para a predição de recorrência do câncer de mama.
Para o presidente da Finep, Luiz Antonio Elias, a transformação do conhecimento em soluções concretas depende da articulação entre o sistema público de fomento e o setor produtivo. “Quando o setor público e o setor produtivo se associam e atuam de forma coordenada, a inovação deixa de ser exceção e passa a ser uma estratégia. O objetivo do Finep pelo Brasil é tornar o apoio, por meio de seus instrumentos e instituições, cada vez mais efetivo para que as empresas possam acessar esse conjunto de recursos e transformar conhecimento em inovação e competitividade”, explicou.
A capacidade de financiamento da Finep também foi ampliada após a sanção da Lei nº 15.184, que autorizou o acesso ao superávit financeiro do FNDCT. Com isso, além do orçamento anual, estão previstos cerca de R$ 30 bilhões adicionais para investimento em projetos de inovação até 2028.
O lançamento do Finep pelo Brasil ocorreu na Casa Firjan. “A iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o anúncio de subvenção econômica e linhas de fomento em condições especiais são relevantes, porque enfrentam um dos principais gargalos da indústria brasileira: o baixo investimento em inovação”, disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Luiz Césio Caetano.
Chamadas públicas e áreas estratégicas
Um dos eixos centrais do Finep pelo Brasil é a nova rodada de subvenção econômica anunciada pelo MCTI e pela Finep. São 13 editais, com R$ 3,3 bilhões em recursos não reembolsáveis destinados a empresas brasileiras de todos os portes, em parceria obrigatória com Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs). As propostas podem ser submetidas até 31 de agosto de 2026, pelo site da Finep.
Os editais estão alinhados aos seis setores estratégicos da Nova Indústria Brasil: cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética e defesa nacional.
Estratégia Nacional de CT&I
Durante o evento também ocorreu a entrega da versão final da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI 2024–2034) pela presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader. “A agenda não é apenas um documento de planejamento. Ela é, acima de tudo, um compromisso do Estado com o desenvolvimento sustentável, com a soberania nacional e com a melhoria concreta da vida da população brasileira”, destacou.
O secretário-executivo do MCTI, Luis Fernandes, definiu o momento como a consolidação de um processo participativo iniciado em 2023. “Esse é o coroamento de um amplo e massivo processo de participação na elaboração da estratégia”, disse.
Ainda no Rio de Janeiro, a ministra Luciana Santos participou do lançamento do Laboratório de Petrofísica do Observatório Nacional (ON) e cumpriu agenda institucional com visitas ao Comando-Geral dos Fuzileiros Navais e ao Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast).
Em 2026, a FINEP consolidou-se como a principal operadora do Plano Mais Inovação Brasil, sendo o braço financeiro que sustenta as missões da Nova Indústria Brasil (NIB). Sua importância estratégica para o país pode ser resumida em quatro eixos fundamentais:
1. Garantia de Soberania Tecnológica
A FINEP atua onde o mercado financeiro tradicional recua devido ao “risco tecnológico”. Ela financia o desenvolvimento de tecnologias críticas que o Brasil não pode depender de importações:
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Semicondutores e Microeletrônica: Investimentos massivos para criar uma cadeia nacional de chips, essencial para a indústria automobilística e de defesa.
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Complexo Industrial da Saúde: Financiamento para que laboratórios nacionais produzam APIs (Insumos Farmacêuticos Ativos) e vacinas de nova geração (mRNA), reduzindo o déficit na balança comercial da saúde.
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Defesa e Aeroespacial: Apoio a projetos de satélites de baixa órbita e sistemas de comunicações seguras para as Forças Armadas.
2. Transição Energética e Descarbonização
A FINEP é o principal motor da inovação em Bioeconomia e Energias Limpas no Brasil:
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Hidrogênio Verde (H2V): Subvenção para plantas-piloto que testam a viabilidade comercial da eletrólise em larga escala.
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Combustíveis de Aviação Sustentáveis (SAF): Pesquisa e desenvolvimento de processos para transformar biomassa em combustível para aeronaves, colocando o Brasil na liderança global desse mercado.
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Mobilidade Elétrica: Apoio ao desenvolvimento de baterias nacionais utilizando o lítio e o nióbio extraídos no país.
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3. Apoio a “Deep Techs” e Startups de Base Científica
Através do programa Finep Startups, a agência preenche a lacuna entre a pesquisa acadêmica e o mercado (o chamado “Vale da Morte”):
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Capital Semente: Investimento direto em empresas que desenvolvem soluções baseadas em ciência pesada (biotecnologia, nanotecnologia e IA).
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Conexão Universidade-Empresa: Editais que obrigam ou incentivam a parceria entre centros de pesquisa e indústrias, garantindo que o conhecimento gerado nas universidades se transforme em nota fiscal e empregos.
4. Gestão do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)
A FINEP é a secretaria executiva do FNDCT, o principal fundo público de fomento à CT&I:
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Recursos Não-Reembolsáveis: Em 2026, o governo mantém a proibição de contingenciamento deste fundo, garantindo um fluxo contínuo de bilhões de reais para infraestrutura de laboratórios em todo o país.
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Equilíbrio Nacional: Uso de recursos para diminuir as assimetrias regionais, fomentando polos de inovação em áreas estratégicas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além dos grandes centros industriais.
📊 Por que a FINEP é insubstituível?
Sem a FINEP, a inovação brasileira ficaria restrita a melhorias incrementais (“inovação de prateleira”). É a FINEP que permite a inovação disruptiva, aquela que cria novos mercados e garante que o Brasil compita em pé de igualdade na corrida global pela Inteligência Artificial e pela Indústria 4.0.