Conferência Anprotec debate em Manaus a tríplice hélice na defesa e a soberania tecnológica nacional

36ª Conferência Anprotec debate em Manaus a tríplice hélice na defesa e a soberania tecnológica nacional

Renato Mussi, Sheila Pires, Ruth de Mello, Andrea Waichman e Coronel Almir Mendes

A intersecção estratégica entre segurança nacional, soberania científica e desenvolvimento econômico norteou os debates de abertura da maior agenda de inovação do país. Realizado em Manaus (AM), o Painel Especial “Defesa e Soberania: Inovação em Ambientes de Alta Complexidade” marcou o início da 36ª Conferência Anprotec de Empreendedorismo e Ambientes de Inovação, nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026. O fórum reuniu o alto comando das Forças Armadas, lideranças acadêmicas e órgãos de fomento para estruturar propostas capazes de acelerar a independência tecnológica do país e consolidar ecossistemas de inovação preparados para os desafios geopolíticos da próxima década.

Sob a mediação de Ruth de Mello, articuladora do Parque de Inovação da PUC-Rio, o painel evidenciou que a capacidade tecnológica e o domínio de patentes críticas determinam a relevância geopolítica e econômica de um país. O encontro integra a programação da conferência que, em 2026, traz como tema central “Consolidando Ecossistemas: Empreendedorismo Inovador para a Economia do Futuro”, coorganizada pelo Sebrae, FPFTech e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Cultura organizacional, experimentação e segurança geopolítica

A quebra de paradigmas burocráticos no ecossistema militar e a necessidade de uma infraestrutura produtiva nacional autônoma foram os eixos condutores das apresentações institucionais:

  • Inovação no Exército Brasileiro: O coronel Almir Mendes da Silva, chefe do Escritório do Sistema de Defesa, Indústria e Academia do Comando Militar do Nordeste (CMNE/DCT), abordou a transição cultural nas Forças Armadas. Ele destacou que a liderança deve capitanear a aversão ao risco e aceitar o erro como parte indissociável da experimentação científica, ressaltando o mapeamento de processos para garantir agilidade operacional.

  • Soberania e Domínio Estratégico: Representando o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Renato Mussi defendeu que a soberania nacional está diretamente atrelada à capacidade interna de desenvolver e produzir tecnologias sensíveis, mitigando a dependência externa frente a incertezas globais e cadeias logísticas vulneráveis.

A complexidade amazônica e o fomento por missões

O painel avançou para as dimensões de sustentabilidade institucional e governança de ecossistemas complexos, abordando o papel da bioeconomia e do fomento de longo prazo:

                  ┌──► Científica e Tecnológica (Independência de insumos)
                  │
DIMENSÕES DA      ├──► Ambiental e Territorial (Monitoramento e Biomas)
SOBERANIA NA ─────┼──► Institucional (Integração Academia-Empresa-Governo)
AMAZÔNIA          │
                  └──► Inclusiva (Geração de valor e combate a assimetrias)

A professora Andrea Waichman, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), propôs uma mudança analítica: enxergar os sistemas de inovação como “sistemas vivos e adaptativos” e não como máquinas rígidas. Para a pesquisadora, a resiliência da Amazônia depende de conectar os atores regionais em torno de problemas reais e territoriais.

Encerrando as discussões, Sheila Pires, assessora da Embrapii, mapeou os desafios transversais da próxima década — como inteligência artificial, transição climática e desigualdades crescentes. Ela pontuou que o ecossistema brasileiro evoluiu da infraestrutura física para a maturidade de fundos de investimento e marcos regulatórios, mas alertou que a consolidação definitiva depende de uma governança robusta e de incentivos financeiros orientados por missões concretas da sociedade.

## Brasil Inovador

O debate sobre defesa, soberania e inovação na 36ª Conferência Anprotec joga luz sobre a urgência de estruturarmos cadeias de suprimentos e inteligência tecnológica nacionais, um movimento acompanhado de perto pelo Brasil Inovador. Para o Brasil Inovador, a grande disrupção desse painel em Manaus reside na quebra de silos institucionais para a consolidação da tríplice hélice. Quando o Exército (CMNE/DCT) e a Aeronáutica (DCTA) alinham-se publicamente à academia e aos mecanismos de fomento como a Embrapii para defender uma cultura de experimentação e aceitação do risco, o país sinaliza a maturação de um modelo de inovação aberta defensável. A soberania em ambientes de alta complexidade não se compra; constrói-se criando condições para que fornecedores locais e startups de base tecnológica (deep techs) desenvolvam soluções de ponta e reduzam o “custo Brasil” em setores de alta intensidade de capital.

Sob a perspectiva de macroeconomia, finanças e governança estratégica, a tese defendida de encarar ecossistemas de inovação como “sistemas vivos e territorializados” é vital para o desenvolvimento sustentável da Amazônia e das demais regiões periféricas do país. Financiar a inovação orientada por missões — com foco em inteligência artificial adaptativa, bioeconomia e segurança de fronteiras — é o caminho mais eficiente para converter o conhecimento acadêmico em produtividade industrial exportável. Ao desenhar mecanismos robustos de fomento que unam capital público e privado sob métricas claras de impacto, o Brasil não apenas blinda seu território contra vulnerabilidades geopolíticas, mas posiciona sua indústria de defesa e sustentabilidade como um polo de competitividade e vanguarda tecnológica no cenário global.

+
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.