O erro silencioso que pode custar milhões: a desorganização de dados

Especialista aponta que organização da informação já é fator crítico para controle, transparência e gestão 

Empresas já estão perdendo milhões sem perceber e o problema não está na falta de dados, mas na forma como eles são organizados. Um levantamento da IBM divulgado em 2025 mostra que falhas na qualidade e na gestão das informações já geram prejuízos superiores a US$ 5 milhões por ano em uma parcela significativa das organizações, evidenciando um risco silencioso que impacta diretamente a operação e os resultados.

No ambiente corporativo, a ausência de organização pode gerar riscos significativos. Muitas empresas ainda operam com informações fragmentadas, distribuídas em planilhas ou sistemas não integrados, o que dificulta a leitura do negócio como um todo e compromete a tomada de decisão.

Esse cenário reforça um ponto central: quando bem estruturadas, as informações deixam de ser apenas registros e passam a contar histórias completas. “Quando a informação está estruturada, ela cria rastreabilidade. Isso é essencial não só para controle interno, mas também para tomada de decisão e transparência”, afirma Bosco Magalhães, fundador do Grupo EASE, empresa especializada em tecnologia para  gestão de shopping centers.

Nesse contexto, a ausência de integração pode gerar riscos ainda mais relevantes. Muitas empresas ainda operam com sistemas isolados e processos pouco conectados, o que compromete a visão estratégica do negócio e dificulta a tomada de decisão baseada em uma única fonte de verdade. “A questão não é apenas ter dados, mas saber como eles se conectam. Sem isso, a empresa perde visão, controle e capacidade de resposta. Quando os sistemas são integrados, a empresa passa a enxergar a operação de forma completa, com todas as áreas conectadas e as informações atualizadas em tempo real”, explica Bosco Magalhães.

A digitalização acelerou a produção de informações e trouxe um novo desafio: garantir não apenas organização, mas também segurança. É nesse ponto que o uso da infraestrutura em nuvem ganha relevância. Ao contrário do que muitos ainda acreditam, a nuvem não é apenas um local de armazenamento, mas uma infraestrutura que permite maior controle, rastreabilidade e proteção dos dados, com camadas de segurança, backups automatizados e atualização constante dos sistemas. De acordo com o relatório Cost of a Data Breach 2024, da IBM Security, empresas que adotam práticas avançadas de proteção, como criptografia, conseguem reduzir significativamente os custos e os impactos de incidentes de segurança.

“Existe uma percepção equivocada de que a nuvem é menos segura, quando, na prática, ela oferece um nível de proteção muito superior aos modelos tradicionais, justamente por contar com monitoramento contínuo e padrões elevados de segurança”, explica Bosco.

Nesse tipo de ambiente, a adoção de protocolos como a criptografia garante que os dados permaneçam protegidos ao longo de todo o processo, reforçando a segurança das informações e a confiabilidade da operação.

Além da segurança, a integração dos sistemas é outro fator decisivo. Plataformas que centralizam informações financeiras, contratos e operações em um único ambiente permitem que diferentes áreas da empresa operem com base na mesma fonte de dados, reduzindo inconsistências e aumentando a eficiência.

Nos últimos anos, esse tipo de solução passou a ser uma necessidade operacional. Com o aumento do volume de informações, a gestão desses ativos ocupa hoje um papel central na estratégia das empresas, especialmente em setores mais complexos.

O tema também ganha relevância em um contexto de maior exigência por transparência, tanto por parte do mercado quanto de órgãos reguladores.

A organização das informações passa, assim, a ser vista como um ativo estratégico, capaz de proteger empresas, orientar decisões e trazer mais clareza para operações cada vez mais complexas.

Na prática, os prejuízos não vêm apenas de grandes falhas, mas de perdas silenciosas acumuladas no dia a dia com retrabalho, inconsistências, decisões equivocadas e riscos de exposição de informações sensíveis. Sem organização, integração e segurança adequadas, empresas acabam perdendo eficiência, controle e, inevitavelmente, recursos financeiros. É justamente nesse ponto que o erro deixa de ser operacional e passa a impactar diretamente o resultado do negócio. 

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