MCTI e a soberania tecnológica: Nova estratégia para minerais estratégicos
Criação do GT Soberania Tecnológica Nacional e o Programa Inova+Mineral
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) instituiu oficialmente, nesta quarta-feira (13), o Grupo de Trabalho de Inovação para o Setor Mineral, conforme a Portaria nº 10.064. O objetivo central deste grupo é elaborar a proposta do Programa Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico, Extensionismo Tecnológico e Inovação para o Setor Mineral, denominado Inova+Mineral. A iniciativa busca estruturar uma agenda nacional focada no fortalecimento da infraestrutura científica, na formação de profissionais especializados e na ampliação do conteúdo nacional em cadeias minerais consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país, integrando ciência e indústria.
Agregação de valor e soberania nas cadeias minerais brasileiras
Durante o lançamento em Brasília, a ministra Luciana Santos ressaltou que o Brasil deve superar o papel histórico de exportador de minério bruto e importador de tecnologia de alto custo. A demanda global por minerais críticos, essenciais para baterias, semicondutores e sistemas de energia renovável, coloca o país em uma posição estratégica para a transição energética e a digitalização econômica. O governo federal pretende ampliar a presença brasileira nas etapas de maior intensidade tecnológica da cadeia mineral, transformando recursos como lítio, nióbio e terras-raras em produtos de maior valor agregado, garantindo assim a autonomia técnica e a soberania nacional.
Articulação entre agências de fomento e ecossistema de inovação
O novo grupo de trabalho será coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação e contará com a colaboração de instituições fundamentais como o Cetem, a Finep, o CNPq, a Embrapii e o CGEE. Esta articulação visa integrar políticas públicas e instrumentos de financiamento, como a chamada Finep Mais Inovação Brasil, que destina R$ 200 milhões para soluções em transformação mineral e mineração urbana. A estratégia está alinhada a marcos nacionais como a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Plano de Transformação Ecológica, priorizando tecnologias sustentáveis, descarbonização e o reaproveitamento de resíduos eletrônicos para fortalecer a economia circular.
Brasil Inovador
O lançamento deste grupo de trabalho pelo MCTI sinaliza uma mudança profunda na visão estratégica brasileira, onde a mineração deixa de ser encarada como uma atividade puramente extrativista para se tornar a base de uma nova fronteira industrial. A convergência entre biotecnologia, transição energética e domínio de minerais críticos é a tendência que definirá a competitividade das nações até o final da década. O portal Brasil Inovador identifica que a estruturação de um ecossistema que une unidades de pesquisa de elite a programas de financiamento robustos cria o ambiente necessário para que startups e indústrias nacionais desenvolvam patentes próprias. No cenário de negócios globais, o domínio tecnológico sobre a transformação mineral é o que garantirá ao Brasil não apenas resiliência econômica, mas a liderança em soluções de baixo carbono e alta tecnologia para o mercado internacional.