CVC do Itaú lidera rodada Série A para resolver gargalos do setor elétrico brasileiro
O Itaú Ventures, veículo de Corporate Venture Capital do Itaú Unibanco, anunciou seu terceiro investimento estratégico ao liderar uma rodada Série A na Minter. A startup é especializada em infraestrutura de data centers móveis para mineração de ativos digitais, focando na solução do curtailment energético — o corte obrigatório de geração que afeta usinas solares e eólicas devido ao excesso de oferta. A rodada contou com a participação do Leste Group, da Legend Capital e de investidores do setor, reforçando a tese de monetizar o excedente de energia renovável transformando-o em poder computacional diretamente no ponto de geração. Foto: divulgação.
Data centers móveis convertem excedente de energia renovável em ativos digitais
Fundada por executivos com passagens por empresas como Hashdex e CleanSpark, a Minter inverte a lógica tradicional do setor elétrico ao levar o consumidor até a fonte de energia. O modelo de negócio utiliza data centers modulares instalados junto a usinas renováveis, permitindo absorver a eletricidade que seria desperdiçada durante os picos de geração intermitente. Com um projeto já operacional de 20 MW em Xique-Xique, na Bahia, a startup planeja dobrar sua capacidade até o fim de 2026 e atingir 500 MW em três anos, utilizando o suporte institucional do Itaú para expandir parcerias com grandes geradoras nacionais e explorar o mercado de inteligência artificial nos Estados Unidos.
Sinergia estratégica com serviços financeiros e custódia de criptoativos
Para o Itaú Ventures, o aporte na Minter vai além do retorno financeiro, abrindo caminho para o desenvolvimento de novos produtos bancários ligados ao ecossistema de ativos digitais. Phillippe Schlumpf, superintendente do veículo, destaca que a parceria possibilita a criação de soluções de liquidação e custódia para Bitcoins minerados com origem comprovadamente sustentável. Este movimento segue a estratégia de internalização de investimentos do banco após a dissolução da parceria com a Kinea para o CVC, somando-se a outros aportes relevantes como o feito na fintech Kanastra, consolidando o mandato de inovação estratégica com alta sinergia operacional.
Integração entre infraestrutura computacional e expansão da matriz verde
A tese de investimento combina dois vetores de crescimento acelerado: a transição energética para fontes limpas e a demanda explosiva por infraestrutura para processamento de dados. Ao apoiar uma solução flexível que endereça a intermitência das fontes solar e eólica, o Itaú Ventures posiciona-se na vanguarda da governança e sustentabilidade (ESG) aplicada ao mercado cripto. A flexibilidade dos data centers da Minter, que podem ser desligados instantaneamente quando a rede exige injeção de energia, oferece uma ferramenta de equilíbrio para o Sistema Interligado Nacional (SIN), conferindo maior eficiência econômica aos ativos de geração de energia renovável no Brasil.
Brasil Inovador
O investimento do Itaú Ventures na Minter em 2026 marca o amadurecimento de uma tendência que o portal Brasil Inovador vem acompanhando: a convergência definitiva entre energia, finanças e tecnologia de ponta. A solução para o curtailment através da mineração “limpa” não apenas resolve um problema técnico das geradoras, mas transforma o excedente energético brasileiro em um produto de exportação digital de alto valor. Em um cenário onde a demanda por processamento de IA e blockchain pressiona as redes elétricas globais, o Brasil se destaca ao oferecer uma infraestrutura sustentável e móvel. Este aporte sinaliza que os grandes bancos não são mais apenas espectadores da economia cripto, mas arquitetos de uma infraestrutura que une a solidez institucional à agilidade das startups para liderar a inovação industrial e financeira em 2026.