Governança avança, mas tecnologia ainda limita a evolução da auditoria interna

Governança e tecnologia

Fraudes corporativas, ataques cibernéticos, mudanças regulatórias e um ambiente de negócios cada vez mais complexo vêm ampliando o papel da auditoria interna nas organizações. Mais do que verificar controles, a função passou a apoiar decisões estratégicas e a antecipar riscos. Essa transformação, porém, ainda acontece em velocidades diferentes entre as empresas brasileiras.

De acordo com levantamento feito em parceria do Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil) e a KPMG, mostra importantes avanços na adoção de boas práticas de governança e qualidade. Hoje, 46% das áreas de auditoria interna afirmam cumprir as normas internacionais da profissão e já passaram por avaliação externa de qualidade, índice superior aos 35% registrados na edição anterior. Ao mesmo tempo, a pesquisa evidencia que a transformação operacional ainda não acompanha esse movimento: 45% das organizações não utilizam nenhum software de Governança, Riscos e Compliance (GRC) para apoiar suas atividades e 38% ainda não implementaram processos de auditoria contínua, considerados essenciais para o monitoramento permanente de riscos e controles.

O diagnóstico também revela que a maturidade da auditoria interna no Brasil segue em um momento de transição. Vinte e oito por cento das organizações ainda estão classificadas no nível “Fraco”, enquanto 22% alcançaram o estágio “Integrado” e 20% o nível “Avançado”, em que a auditoria atua de forma conectada à estratégia do negócio, à gestão de riscos e ao processo de tomada de decisão. Para os especialistas, os resultados demonstram que muitas empresas já estruturaram processos e fortaleceram sua governança, mas ainda precisam desenvolver capacidades analíticas e tecnológicas para transformar informações em decisões mais rápidas e efetivas.

Outro desafio está relacionado às pessoas. Embora o percentual de empresas sem um plano formal de desenvolvimento para seus auditores tenha caído de 42% para 27%, a pesquisa mostra que 71% das organizações ainda não possuem profissionais com a certificação internacional Certified Internal Auditor (CIA), uma das principais credenciais da profissão. O resultado indica que a evolução da área ainda depende de investimentos mais consistentes em capacitação, especialização e desenvolvimento de competências voltadas ao uso de dados, tecnologia e riscos emergentes.

A pesquisa também identificou avanços na capacidade de resposta das empresas às recomendações feitas pela auditoria interna. O percentual de organizações que implementam planos de ação em até 30 dias chegou a 44%, uma evolução significativa em relação à edição anterior. Apesar disso, 55% das empresas ainda não utilizam a implementação dessas recomendações como indicador de desempenho para avaliação de seus executivos, o que limita a consolidação de uma cultura de accountability e melhoria contínua.

Quando falamos em maturidade da auditoria interna, não estamos falando apenas de processos ou conformidade. Estamos falando da capacidade de ajudar a empresa a tomar melhores decisões, antecipar riscos e responder mais rapidamente às mudanças do mercado. Os resultados mostram que avançamos nesse caminho, mas também deixam claro que ainda existe um espaço importante para evoluir, principalmente no uso de tecnologia e no desenvolvimento das pessoas”, afirma Paulo Roberto Gomes, diretor-geral do IIA Brasil.

Realizada entre novembro de 2025 e março de 2026, a quarta edição da pesquisa reuniu o maior número de participantes desde o início da série histórica. O estudo contou com profissionais de diferentes níveis hierárquicos e segmentos da economia, oferecendo um retrato abrangente sobre o estágio de maturidade da auditoria interna nas organizações brasileiras e os desafios para sua evolução nos próximos anos.

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