Ministros e autoridades dos países integrantes do BRICS aprovaram, em 21 de agosto de 2026, o Consenso de Chennai durante a 14ª Reunião de Ministros de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada na cidade de Chennai, na Índia. Representado pelo secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Daniel Almeida Filho, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil participou da formulação das diretrizes que visam reorganizar a arquitetura de cooperação do bloco. O documento estabelece prioridades estratégicas em pesquisa científica, infraestrutura compartilhada, inteligência artificial, biotecnologia e economia digital, visando acelerar a autonomia tecnológica e o desenvolvimento econômico sustentável dos países membros.
A aprovação do acordo ocorreu sob a coordenação do ministro de Ciência e Tecnologia e Ciências da Terra da Índia, Jitendra Singh, após debates técnicos realizados na Reunião de Altos Funcionários de CTI. O texto final consolida o alinhamento das políticas públicas de inovação entre os países emergentes e fixa um cronograma de atividades conjuntas estendido até o ano de 2027.
Reestruturação da governança e eixos estratégicos de cooperação multilateral
O Consenso de Chennai define parâmetros operacionais para modernizar a arquitetura interna do grupo na área tecnológica. Um subcomitê dedicado apresentou propostas para integrar de forma mais eficiente os diversos grupos de trabalho existentes, otimizando o fluxo de projetos e eliminando a duplicidade de esforços entre as frentes de pesquisa.
A cooperação abrangerá frentes estratégicas voltadas à resolução de desafios industriais e climáticos globais. A intenção é conectar o conhecimento gerado em centros acadêmicos aos setores produtivos nacionais, garantindo que o avanço científico se converta em ativos econômicos e novas patentes regionais.
Frentes priorizadas: Inteligência artificial, computação de alto desempenho, biotecnologia e tecnologias geoespaciais.
Infraestrutura e recursos: Prevenção de desastres naturais, transição energética e pesquisa oceânica avançada.
Mecanismos de expansão: Transferência de tecnologia corporativa, formação de redes de pesquisadores e programas de ciência aberta.
A reformulação da governança terá prosseguimento ao longo de todo o ano de 2026, consolidando critérios padronizados de acompanhamento de resultados para os projetos financiados pelo bloco.
Infraestrutura digital crítica e conectividade via rede de cabos submarinos
Entre os projetos de infraestrutura estratégica mantidos no documento está a análise de viabilidade técnica e econômica para a construção de uma rede privada de comunicação por cabos submarinos de alta velocidade interligando os membros do bloco. A iniciativa dá sequência ao estudo diretivo Requirements for the BRICS Cable e visa reduzir a dependência de infraestruturas de tráfego de dados geridas por nações externas ao agrupamento.
A implementação dessa infraestrutura de telecomunicações é considerada essencial para suportar o volume massivo de dados exigido por pesquisas em supercomputação, modelos de inteligência artificial generativa e transferência de dados científicos de megaprojetos.
| Projeto de Infraestrutura | Objetivo Estratégico | Status de Implementação |
| Cabo Submarino do BRICS | Garantir soberania de dados e alta velocidade de conexão | Estudo de viabilidade técnica em andamento por força-tarefa dedicada |
| Rede Brics-Grain | Compartilhamento de laboratórios avançados e instalações de megaciência | Plano de ação em fase de operacionalização entre os membros |
| Repositório de Pesquisa | Centralizar dados de instituições, projetos e pesquisadores do bloco | Proposta aprovada para estruturação sob liderança da Índia |
| Plataforma de Startups | Fomentar o empreendedorismo tecnológico para jovens fundadores | Ambiente virtual em fase de especificação de arquitetura |
A articulação em torno da Rede Global de Infraestruturas Avançadas de Pesquisa, conhecida como Brics-Grain, visa regulamentar o acesso de cientistas brasileiros e dos demais países membros a grandes centros de radiação síncrotron, supercomputadores e observatórios astronômicos instalados nos territórios do bloco.
Fomento ao empreendedorismo jovem e calendário de atividades globais
Para dinamizar os ecossistemas locais de inovação, o Consenso de Chennai acolheu a proposta de criação da Plataforma de Startups para Jovens do Brics. A ferramenta funcionará como um ambiente digital voltado à conexão entre empreendedores de base tecnológica, fundos de capital de risco e programas de aceleração em mercados emergentes, facilitando a internacionalização de negócios nascentes.
A agenda de compromissos técnicos aprovada estende-se até 2027. O próximo encontro de alto nível ocorrerá em Goa, na Índia, focado em computação de alto desempenho e inteligência artificial. O cronograma prevê ainda simpósios sobre nanotecnologia, astronomia e transferência tecnológica entre empresas.
| Data da Reunião | Foco Temático do Encontro | Local de Realização |
| Setembro de 2026 | Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial | Goa, Índia |
| Segundo Semestre de 2026 | Materiais Avançados, Biotecnologia e Nanotecnologia | Cidades itinerantes nos países membros |
| Ano de 2027 | Presidência de CTI e Reunião Ministerial Ministerial (15ª Edição) | China (Sede da Presidência Rotativa) |
Em 2027, a China assumirá a presidência rotativa do grupo, momento em que será apresentada a avaliação dos resultados do Programa-Quadro de CTI e definidos novos investimentos estratégicos.
Análise Brasil Inovador
A adoção do Consenso de Chennai sinaliza um avanço pragmático no alinhamento estratégico das nações emergentes, deslocando o foco de intenções diplomáticas genéricas para a construção de infraestrutura tecnológica física e institucional. A priorização de projetos como a rede de cabos submarinos e o compartilhamento de supercomputadores responde diretamente à necessidade de soberania digital e autonomia em inteligência artificial diante da crescente fragmentação geopolítica global.
Para o setor produtivo e acadêmico brasileiro, a integração mais profunda a essas redes amplia o acesso a mercados de alta escala e a instalações científicas de última geração que exigiriam investimentos proibitivos se desenvolvidas isoladamente. A longo prazo, a consolidação de mecanismos privados como a plataforma de startups e os fundos de cooperação em inovação aberta tende a acelerar a atração de capital internacional para greentechs, biotecnologia e agtechs locais, fortalecendo a competitividade das empresas nacionais nas cadeias globais de valor.








