A Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) oficializou a assinatura de um acordo de cooperação internacional com a Mana Tech, hub de empreendedorismo e aceleração corporativa sediado em Miami, nos Estados Unidos. A aliança estratégica visa consolidar o processo de expansão global da entidade, estruturando canais comerciais e de relacionamento para que empresas de tecnologia baseadas em Santa Catarina ampliem sua penetração no mercado norte-americano. Por meio dessa cooperação, as companhias associadas passarão a contar com uma plataforma de apoio voltada à geração de novos negócios, intercâmbio corporativo, captação de investimentos de risco e imersão em ecossistemas de inovação de ponta.
A formalização do termo de parceria reuniu lideranças empresariais e governamentais na última segunda-feira. O documento foi chancelado pelo presidente da ACATE, Diego Ramos, pelo COO da Mana Tech, Conrado Morais, e pelo presidente do Movimento Floripa Sustentável, Roberto Costa. O encontro de negócios também contou com a presença do diretor do Polo Regional da ACATE na Grande Florianópolis, Marcos Lichtblau, do secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Florianópolis, Juliano Pires, e do vice-presidente do Floripa Sustentável, Júlio Geremias.
Pontes comerciais com a Flórida e atração de investimentos
A aproximação institucional responde a um direcionamento do plano estratégico da associação de tecnologia, focado em quebrar barreiras regulatórias e comerciais para aproximar inventores e desenvolvedores brasileiros das maiores economias digitais globais. Segundo o presidente da entidade, os Estados Unidos figuram como o principal mercado de TI do planeta, tornando a conexão com a Flórida um trampolim indispensável para que as soluções tecnológicas nascidas em solo catarinense ganhem escala global e sofisticação operacional.
O hub da Mana Tech opera especificamente como um porto seguro de aterrissagem (soft landing) para startups internacionais que buscam validar e tracionar seus modelos de negócios na América do Norte e na América Latina. Os executivos envolvidos no projeto destacam que o alinhamento com o Movimento Floripa Sustentável potencializa a sinergia entre as cidades de Florianópolis e Miami, estabelecendo um fluxo previsível de inteligência de mercado, rodadas de capital e parcerias corporativas bilaterais.
Conexões latino-americanas e projeção de cidades inteligentes
Como primeiro desdobramento prático da parceria, a organização confirmou a realização do Tech Cities of America (TCA), evento internacional programado para ocorrer entre os dias 2 e 4 de dezembro em Miami. O fórum global focará em reunir e debater os ecossistemas de empreendedorismo urbano mais dinâmicos e inovadores da América Latina, contando com a participação confirmada do prefeito de Florianópolis, Topazio Neto.
A secretaria de Desenvolvimento Econômico da capital catarinense reiterou que a política pública municipal caminha em exata consonância com o acordo, estimulando as empresas locais a buscarem receitas em moedas fortes e a competirem no exterior. Para as lideranças de articulação regional, o convênio com a estrutura de Miami funciona como o marco inicial de um amplo processo de internacionalização urbana, desenhado para transformar Florianópolis, no longo prazo, na principal referência e centro de conexão tecnológica (hub) para as nações integrantes do Cone Sul.
Brasil Inovador
A aliança entre a ACATE e a Mana Tech reflete um estágio avançado de maturidade das empresas e do ecossistema de inovação de Santa Catarina, consolidando uma tendência de internacionalização acelerada monitorada de perto pelo Brasil Inovador. Sob a perspectiva de competitividade e desenvolvimento de negócios, a criação de um canal direto com Miami retira as startups locais de uma dependência exclusiva do mercado consumidor doméstico e as força a elevar seus padrões de governança, segurança de dados e propriedade intelectual para competir na maior vitrine tecnológica do mundo.
O grande valor estratégico desse movimento está no pragmatismo da engenharia comercial proposta: ao conectar governos municipais, movimentos de sustentabilidade urbana e hubs de aceleração internacional em eventos como o Tech Cities of America, o ecossistema sulista não está apenas exportando linhas de código ou softwares isolados, mas está inserindo suas cidades inteligentes na rota global de atração de capital de risco e fundos de venture capital. O desafio para o próximo ciclo será capacitar os empreendedores locais para absorverem esse fluxo intensivo de conexões, garantindo que a tecnologia catarinense converta essa relevância diplomática em receita líquida, escala global e soberania produtiva.