O Sistema FIERGS inaugurou, neste sábado, 29 de agosto, a Casa da Indústria no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, trazendo como principal novidade para a 49ª Expointer uma sala imersiva focada na convergência entre a produção agrícola e o setor fabril. A estrutura de 420 metros quadrados, situada no setor de máquinas e equipamentos, funcionará até o dia 6 de setembro como centro de difusão tecnológica, abrigando mais de 30 iniciativas voltadas a negócios, inteligência computacional, comércio exterior e crédito produtivo. Sob a liderança do presidente da entidade, Claudio Bier, a iniciativa visa evidenciar como a incorporação de máquinas de alta precisão, bioinsumos e conectividade de borda transforma a produtividade no campo e impulsiona o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul.
A instalação utiliza projeções audiovisuais em grande escala para demonstrar o trajeto completo das commodities e dos alimentos, conectando a fase do plantio e da colheita ao beneficiamento em plantas industriais avançadas. A experiência busca demonstrar a interdependência dos dois setores, destacando que a eficiência da agricultura tropical moderna depende diretamente da capacidade da engenharia de máquinas e da automação digital.
A programação da Casa da Indústria estende-se ao longo dos nove dias da feira agropecuária, integrando ecossistemas de inovação, instituições financeiras, agências de fomento ao investimento e programas de formação profissional técnica.
Experiência imersiva e integração da cadeia de valor agroindustrial
A sala imersiva utiliza recursos de alta definição visual e sonorização dedicada para transportar os visitantes diretamente para o ambiente de produção agrícola e industrial. As telas e os projetores transmitem imagens que retratam o contraste entre o manejo do solo nas lavouras e a transformação de grãos dentro de complexos fabris modernos. A narrativa destaca o papel da tecnologia embarcada, da automação e do desenvolvimento de softwares específicos para o aumento de rendimento das safras.
A proposta de interação aproxima estudantes, pesquisadores, produtores rurais e executivos industriais das transformações tecnológicas em curso no agronegócio. A demonstração contínua da cadeia produtiva reforça que o suprimento de insumos sintéticos, biológicos e mecânicos pela indústria é o fator que garante a competitividade da produção agropecuária brasileira nos mercados globais.
O ambiente sensorial criado pela entidade industrial reforça o conceito de que a modernização do campo atua como propulsor de inovação para todo o parque fabril regional.
Demonstrações de robótica e projetos de agricultura digital
Entre os atrativos tecnológicos do estande, sobressaem-se as aplicações desenvolvidas pelo Centro de Competência Embrapii em Agricultura Digital (Cedra). O espaço exibe robôs e demonstradores práticos voltados ao manejo de precisão, com destaque para o projeto AgroBot. A solução integra veículos autônomos e dispositivos inteligentes conectados via internet das coisas (IoT), viabilizando a atuação coordenada e simultânea de tratores, sensores de solo e robôs terrestres.
A Casa da Indústria também disponibiliza aos visitantes a Vitrine da Indústria RS, um espaço interativo no qual o público pode realizar a troca de créditos por produtos fabricados no estado. Além das áreas expositivas fixas, o complexo reúne unidades móveis especializadas das entidades do sistema industrial gaúcho:
Sesi-RS: Oferta de ações de orientação e atendimento preventivo pelo programa Saúde em Dia.
Senai-RS: Operação da Carreta do Saber com focos de treinamento em mecânica de máquinas agrícolas pesadas.
IEL-RS: Disponibilização de serviços e consultorias por meio da Plataforma Oportunidades na Indústria.
A presença conjunta dessas unidades móveis visa suprir gargalos de qualificação profissional no interior do estado e acelerar a adoção de tecnologias da Indústria 4.0 nas propriedades rurais.
Agenda de debates sobre sustentabilidade, crédito e comércio internacional
A programação de painéis e seminários técnicos da Casa da Indústria abrange discussões estratégicas sobre o ambiente de negócios e a competitividade das exportações gaúchas. Os encontros começam na segunda-feira, 31 de agosto, abordando a mensuração da pegada de carbono na cadeia de alimentos e bebidas, a aplicação de materiais avançados e a produção de embalagens biodegradáveis para o mercado global.
Na terça-feira, 1º de setembro, a pauta envolve o certificado de cadastro da atividade de silvicultura, canais de distribuição para novos mercados e a avaliação do impacto de tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre as vendas do estado. No mesmo dia, o encontro Conexão Indústria formaliza a assinatura de um termo de cooperação técnica e comercial entre o Sistema FIERGS e a Invest RS.
A quarta-feira, 2 de setembro, é dedicada ao fórum AgroConecta 2026, realizado na Casa do SIMERS, estruturado segundo o cronograma técnico apresentado na tabela a seguir:
| Horário | Tema do Painel | Enfoque de Negócios e Mercado |
| 09h30 – 10h00 | Recepção e Conexões | Networking de integração entre industriais e produtores |
| 10h15 – 11h15 | Crédito para Crescer | Análise de financiamentos e entraves para a agroindústria |
| 11h30 – 12h30 | Competitividade Agroindustrial | Integração entre tecnologia, governança e exigências globais |
| 13h40 – 14h40 | Reconfiguração Global | Desafios geopolíticos e novas oportunidades de mercado |
| 14h50 – 15h50 | Reforma Tributária e o Agro | Impactos do IBS e CBS no setor de máquinas e agroindústria |
| 16h00 – 17h00 | Inovação Aplicada | Pesquisa científica e capacitação de equipes técnicas |
| 17h00 – 18h00 | Minerais e Adubos | Mapeamento de oportunidades em minerais e fertilizantes |
Os debates do evento buscam fornecer clareza regulatória e econômica para as tomada de decisão dos empresários rurais e industriais diante da reestruturação tributária nacional.
Relações internacionais, geopolítica e inovação em insumos
A programação prossegue na quinta-feira, 3 de setembro, com a assinatura de convênio financeiro envolvendo Badesul, Sicoob e Caixa Economica Federal, seguido por painéis dedicados à governança corporativa, saúde corporativa e ferramentas de importação. A partir das 14h30, as apresentações abordam estratégias de exportação direta para o Pavilhão da Agricultura Familiar e os impactos geopolíticos do acordo entre Mercosul e União Europeia sobre a agroindústria.
Na sexta-feira, 4 de setembro, os especialistas debatem o fortalecimento de marcas regionais, transição energética por meio do projeto RS+5, futuro da educação agrícola e valorização de subprodutos industriais. A agenda do dia encerra-se com análises sobre a retenção de talentos e o uso de materiais compósitos na fabricação de novos implementos agrícolas.
O encerramento das atividades ocorre no sábado, 5 de setembro, com doravante foco na cadeia de alto valor agregado:
14h00 – Rastreabilidade Vitivinícola: Soluções tecnológicas para garantia de origem e certificação no setor de vinhos e derivados.
15h00 – Biotecnologia em Queijos: Aplicação de processos de fermentação e inovação para diferenciação de laticínios artesanais e industriais.
As atividades técnicas e comerciais consolidam a Casa da Indústria como um dos polos de formulação de diretrizes para o agronegócio sul-americano.
Cobertura espacial e estrutura de atendimento ao público
O complexo fabril montado no Parque de Exposições Assis Brasil ocupa posição central dentro do setor reservado às indústrias de máquinas pesadas. A facilidade de acesso permite que produtores rurais em negociação no Parque de Máquinas visitem o estande para consultar linhas de fomento e soluções de automação.
A estrutura do Sistema FIERGS funciona de forma contínua durante todo o horário de visitação da Expointer, das 8h às 20h. O atendimento inclui equipes técnicas especializadas nas áreas de crédito bancário, comércio exterior, propriedade intelectual e consultoria tributária para empresas de todos os portes.
A infraestrutura receptiva da entidade visa transformar o fluxo de visitantes em conexões de negócios duradouras para o parque fabril gaúcho.
Análise Brasil Inovador
A presença estruturada do Sistema FIERGS na Expointer 2026, simbolizada pela sala imersiva e pelas demonstrações do Cedra, explicita que a fronteira da produtividade agrícola depende intrinsecamente do avanço da indústria de alta tecnologia. A convergência entre máquinas autônomas, robótica, bioeconomia e rastreabilidade digital demonstra que o valor financeiro do agronegócio migrate rapidamente do volume bruto de commodities para a inteligência agregada ao produto e aos processos.
Ao reunir no mesmo espaço discussões sobre a reforma tributária, crédito sustentável, inteligência artificial e inserção internacional, o setor fabril posiciona o Rio Grande do Sul não apenas como provedor de alimentos, mas como um centro desenvolvedor e exportador de soluções tecnológicas para a transição agroecológica e a eficiência energética do agronegócio global.








