A 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada no município de Niterói (RJ) entre os dias 26 de julho e 1º de agosto de 2026, encerrou sua programação técnica e expositiva com a marca histórica de 110 mil participantes na ExpoT&C 2026. O evento, organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com instituições acadêmicas e empresariais, superou com folga a expectativa inicial dos organizadores, que projetavam uma média de 10 mil visitações diárias, atingindo a marca efetiva de 16 mil acessos por dia. A feira reuniu 70 instituições e mais de 1,1 mil expositores, funcionando como uma vitrine de projetos científicos, novas tecnologias e soluções voltadas ao desenvolvimento socioeconômico do país.
O ecossistema científico nacional e internacional esteve representado por dezenas de universidades, órgãos governamentais, centros de pesquisa e corporações do setor privado. Sob o tema central “Ciência para Todos: Soberania, Desenvolvimento e Inclusão”, a edição de 2026 estruturou sua agenda em torno da democratização do conhecimento e da integração entre produção acadêmica, mercado produtivo e políticas públicas. A dimensão dos números consolida o encontro como a maior plataforma itinerante de difusão científica e transferência de tecnologia da América Latina, reforçando a relevância do investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para impulsionar a competitividade do Brasil.
Dinâmica operacional e diversidade de fóruns técnicos
Durante os sete dias de programação, a SBPC e o MCTI coordenaram mais de 220 atividades simultâneas no espaço da feira e nos auditórios anexos. O cronograma contemplou 60 conferências (sendo 53 presenciais e sete em formato virtual), 88 mesas-redondas (74 presenciais e 14 virtuais), nove sessões especiais de debates estratégicos, 60 minicursos voltados à capacitação profissional (48 presenciais e 12 virtuais), além de sete encontros institucionais e quatro assembleias deliberativas.
A agenda técnica reuniu pesquisadores proeminentes, gestores do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI), autoridades públicas e lideranças empresariais. O foco dos debates esteve centrado na transição energética, na soberania tecnológica do país, na expansão da inteligência artificial aplicada à indústria e no financiamento de longo prazo para projetos de inovação disruptiva.
| Categoria de Atividade | Formato Presencial | Formato Virtual | Total de Sessões |
| Conferências | 53 | 7 | 60 |
| Mesas-redondas | 74 | 14 | 88 |
| Minicursos de Capacitação | 48 | 12 | 60 |
| Sessões Especiais | 9 | 0 | 9 |
| Encontros e Assembleias | 11 | 0 | 11 |
| Total Geral de Atividades | 195 | 33 | 228 |
Além da grade voltada ao público especializado e acadêmico, o evento manteve espaços dedicados à inclusão, à diversidade e ao engajamento de novos talentos. Estruturas temáticas como a SBPC Jovem, SBPC Cultural, SBPC Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais, e a SBPC Gênero, Diversidade e Equidade contaram com programações autônomas voltadas à popularização da ciência e ao fortalecimento de saberes tradicionais integrados ao ecossistema de inovação.
Conexão entre bancada acadêmica e o mercado corporativo
A presença expressiva de 1,1 mil expositores na ExpoT&C 2026 sinaliza uma mudança estrutural na relação entre o setor público de pesquisa e o ambiente de negócios. Historicamente vista como um espaço de debate estritamente acadêmico, a feira vem se consolidando como um ambiente propício para transferência de tecnologia, parcerias público-privadas (PPPs) e atração de capital de risco para startups de base tecnológica (deeptechs).
A exposição permitiu que empresas de diferentes portes tivessem acesso direto aos desenvolvimentos mais recentes produzidos nas unidades vinculadas ao MCTI — tais como o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Essa aproximação reduz o tempo de transição das pesquisas da fase de bancada para a aplicação comercial, viabilizando soluções nacionais para gargalos industriais, agrícolas e de saúde pública.
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Transferência Tecnológica: Negociações diretas entre centros de pesquisa e corporações para licenciamento de patentes brasileiras.
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Aceleração de Deeptechs: Aproximação de investidores anjo e fundos de Venture Capital com spin-offs acadêmicas e projetos de pesquisa aplicada.
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Divulgação Científica: Apresentação de projetos de impacto social diretamente à população, reforçando o valor do investimento público em ciência.
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Intercâmbio Internacional: Cooperação técnica firmada entre pesquisadores brasileiros e instituições estrangeiras presentes nos painéis virtuais e presenciais.
O sucesso de público registrado em Niterói reforça a urgência de descentralizar a infraestrutura de inovação no país. A realização do encontro em um hub fora das capitais tradicionais demonstrou a capacidade de mobilização dos ecossistemas regionais e o interesse crescente da sociedade civil pela pauta do desenvolvimento tecnológico sustentável.
Desafios do financiamento e métricas de impacto socioeconômico
A alta adesão de expositores e visitantes à feira ocorre em um momento estratégico de consolidação de políticas públicas voltadas à neoindustrialização e à transição ecológica. Os debates promovidos durante os painéis da reunião anual enfatizaram que a manutenção de um fluxo contínuo de recursos via Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) é premissa básica para que as tecnologias apresentadas no evento alcancem escala de mercado.
Lideranças do setor produtivo ressaltaram que o Brasil possui competência científica de ponta em áreas como biotecnologia, agrotecnologia e matrizes energéticas limpas, mas ainda enfrenta gargalos na fase de escalabilidade comercial dos produtos. A integração promovida pela ExpoT&C 2026 atua diretamente na mitigação dessa falha de mercado, criando pontes de conexão entre a produção intelectual das universidades e a capacidade de investimento da indústria.
A articulação entre os governos estaduais, secretarias de ciência e tecnologia e entidades como a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) foi apontada como peça-chave para garantir que os contatos e parcerias iniciados durante a feira se traduzam em novos contratos de inovação aberta, patentes concedidas e empregos de alta qualificação nos próximos anos.
Análise Brasil Inovador
O recorde de público da ExpoT&C 2026 reflete mais do que o interesse popular pela ciência; evidencia o amadurecimento do ecossistema de inovação brasileiro em alinhar produção acadêmica, demanda de mercado e políticas de soberania nacional. A expressiva participação do setor empresarial e a diversidade de temas debatidos sinalizam que o investimento em P&D deixou de ser encarado apenas como custo orçamentário para se consolidar como ativo estratégico de competitividade econômica. A longo prazo, a capacidade de converter o conhecimento exibido em Niterói em produtos de alto valor agregado dependerá da estabilidade dos mecanismos de financiamento e do fortalecimento das redes regionais de transferência tecnológica. Se o país mantiver o ritmo de integração entre bancada acadêmica e mercado, a difusão de tecnologias proprietárias será o principal vetor de crescimento produtivo e inclusão socioeconômica na próxima década.