Por décadas, o vale-refeição foi tratado pelas empresas como um benefício complementar ao salário. Mas a transformação das relações de trabalho e a busca por profissionais mais qualificados fizeram com que a alimentação passasse a ocupar outro espaço dentro das estratégias de recursos humanos: o de ferramenta de atração, retenção e experiência do colaborador.
Uma pesquisa da Serasa Experian, divulgada em fevereiro de 2026, aponta que 93% dos profissionais têm sua satisfação impactada pelo pacote de benefícios oferecido pelas empresas. O levantamento mostra ainda que vale-refeição e vale-alimentação aparecem entre os benefícios mais valorizados pelos trabalhadores, citados por 54% dos empregadores entrevistados como itens de maior relevância para seus colaboradores.
Para especialistas, o movimento acompanha uma mudança no comportamento dos trabalhadores brasileiros, que passaram a avaliar uma oportunidade profissional não apenas pelo salário oferecido, mas pelo conjunto de vantagens que afetam diretamente sua rotina.
Alimentação ganha protagonismo em meio ao desafio do poder de compra
O avanço do vale-refeição como diferencial acontece em um cenário de pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras. A alimentação continua representando uma das principais despesas do trabalhador, fazendo com que benefícios voltados ao consumo diário tenham impacto direto na renda disponível.
Nesse contexto, empresas passaram a buscar alternativas capazes de oferecer mais flexibilidade aos colaboradores. Uma das tendências é a adoção de soluções como o cartão multibenefícios, que permite reunir diferentes categorias de benefícios em uma única plataforma, ampliando as possibilidades de uso conforme as necessidades individuais de cada profissional.
A mudança também acompanha uma transformação regulatória no setor. As novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que começaram a entrar em vigor em 2026, alteraram aspectos como taxas cobradas dos estabelecimentos, prazos de repasse e interoperabilidade dos sistemas, com impacto sobre mais de 22 milhões de trabalhadores brasileiros.
Mercado entra em nova fase após quase 50 anos do PAT
Criado em 1976, o Programa de Alimentação do Trabalhador completa quase cinco décadas em um momento de transformação. Atualmente, o programa reúne cerca de 327 mil empresas cadastradas e alcança 22,1 milhões de trabalhadores no país.
A combinação entre mudanças regulatórias, digitalização e novas expectativas dos profissionais indica que o vale-refeição passa por uma mudança de papel: de benefício complementar para elemento estratégico na relação entre empresas e colaboradores.
Para o mercado de trabalho, a tendência é que os benefícios deixem de ser avaliados apenas pelo valor financeiro oferecido e passem a ser analisados pela capacidade de acompanhar diferentes estilos de vida, necessidades e momentos da jornada profissional. Nesse cenário, empresas que conseguem oferecer mais autonomia e personalização ganham espaço na disputa por talentos.