Cooperativismo leva prioridades ao debate sobre o futuro do Rio Grande do Sul

Cooperativismo leva prioridades do setor ao debate sobre o futuro do Rio Grande do Sul

Os pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul Marcelo Maranata (PSDB), Luciano Zucco (PL) e Gabriel Souza (MDB) participaram, nesta segunda-feira (6), de um painel promovido pelo Sistema Ocergs durante o Fórum dos Presidentes, em Porto Alegre.

O Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) marcou presença nas discussões estratégicas sobre o planejamento de longo prazo do Rio Grande do Sul. Durante o Fórum dos Presidentes 2026, realizado em Porto Alegre (RS), lideranças do setor reuniram-se com os principais pré-candidatos ao Governo do Estado para debater os desafios econômicos, de infraestrutura e de sustentabilidade que impactam o desenvolvimento gaúcho. O encontro, promovido pelo Sistema Ocergs, teve como objetivo central colocar as demandas das cooperativas no centro das plataformas políticas e governamentais do próximo ciclo executivo.

A abertura do evento contou com a participação da presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, que defendeu o estabelecimento de um canal de diálogo permanente entre o poder público e as lideranças cooperativistas. Respaldado por dados macroeconômicos robustos, o movimento cooperativo nacional apresentou propostas focadas na previsibilidade de investimentos, segurança jurídica e atração de novos negócios, consolidando o setor como um indutor de estabilidade social e dinamismo financeiro em momentos de transição econômica.

A força socioeconômica do movimento cooperativo

O peso do cooperativismo na estrutura econômica nacional serviu como base para as reivindicações institucionais levadas aos pré-candidatos. Atualmente, o Brasil reúne 25,8 milhões de associados vinculados a mais de 4,3 mil cooperativas, com presença consolidada em mais de 3,5 mil municípios. O volume de negócios gerado por essa rede ultrapassa a marca de R$ 757 bilhões por ano. Essa capilaridade demonstra que o modelo societário baseado na cooperação mútua consegue reter riquezas nas comunidades locais, descentralizando o desenvolvimento econômico.

No cenário do Rio Grande do Sul, o impacto do setor é ainda mais acentuado. O estado concentra 352 cooperativas ativas, que respondem por mais de 4,37 milhões de cooperados e geram aproximadamente 80,8 mil empregos formais diretos. Em termos financeiros, o cooperativismo gaúcho movimentou R$ 90,5 bilhões em ingressos operacionais e alcançou um montante de R$ 215,2 bilhões em ativos totais. A relevância histórica do estado também foi pautada, visto que o município gaúcho de Nova Petrópolis foi o berço da primeira cooperativa de crédito do país, estabelecendo os alicerces de um segmento que hoje financia o agronegócio e as pequenas empresas nacionais.

Infraestrutura rural e mitigação de riscos climáticos

Durante a sabatina, os quatro pré-candidatos ao governo estadual responderam a questionamentos técnicos formulados pelo comitê diretivo do Sistema Ocergs. Um dos tópicos mais críticos abordados foi a urgência na criação de mecanismos governamentais e ferramentas de seguro agrícola voltadas para a gestão e mitigação de riscos diante de eventos climáticos extremos. As lideranças destacaram que a recorrência de intempéries severas no território gaúcho exige planos de contingência robustos para resguardar a capacidade produtiva e financeira das cooperativas agropecuárias.

A modernização da infraestrutura de logística e transporte também dominou as discussões. O setor pleiteia investimentos massivos na recuperação e duplicação de rodovias estaduais, expansão de ferrovias e melhoria dos terminais portuários para otimizar o escoamento de safras e produtos industrializados. Adicionalmente, foi enfatizada a necessidade de solucionar os gargalos na oferta de energia elétrica trifásica e conectividade digital no interior, fatores considerados indispensáveis para a implementação de tecnologias de agricultura de precisão e automação nas propriedades rurais.

Abaixo, a tabela apresenta os principais indicadores de desempenho do setor cooperativo e as frentes prioritárias de articulação política debatidas no fórum:

Dimensão Setorial Indicadores de Desempenho (RS) Pautas Prioritárias para o Governo
Representatividade Física 352 cooperativas e 4,37 milhões de associados Canal permanente de interlocução institucional
Geração de Empregos 80,8 mil postos de trabalho diretos Ampliação de cooperativas em licitações públicas
Movimentação Financeira R$ 90,5 bilhões em ingressos operacionais Investimento em energia trifásica e conectividade
Estrutura Patrimonial R$ 215,2 bilhões em ativos consolidados Modernização de modais de transporte e rodovias
Segurança e Sustentabilidade Histórico pioneiro em Nova Petrópolis Modelos de previsão contra eventos climáticos extremos

As pautas apresentadas aos futuros gestores públicos estão alinhadas às diretrizes do documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo. Elaborado nacionalmente pelo Sistema OCB, o manifesto funciona como uma bússola de competitividade para o mercado de cooperativas, defendendo a desburocratização administrativa, incentivos fiscais para inovação tecnológica e o fortalecimento do ambiente de negócios.

Contratações públicas e fomento ao emprego cooperativo

Outra vertente defendida pelas lideranças foi a ampliação da participação de cooperativas de trabalho e de saúde nos processos de licitação e contratação promovidos pela administração pública estadual. O setor argumenta que a inclusão dessas organizações nas concorrências governamentais eleva a transparência na prestação de serviços essenciais e estimula a distribuição de renda formalizada, impulsionando a eficiência dos gastos públicos em áreas como atendimento médico ambulatorial, manutenção predial e suporte administrativo.

O engajamento do setor no debate político visa assegurar que o Rio Grande do Sul desenvolva políticas públicas alinhadas à realidade prática de quem opera na ponta da cadeia produtiva. Ao estruturar compromissos claros com os postulantes ao cargo executivo, o cooperativismo busca consolidar um ambiente regulatório favorável para que as cooperativas continuem expandindo suas operações de forma sustentável, gerando emprego, renda e atração de investimentos para os municípios gaúchos.

Brasil Inovador

A inserção coordenada do cooperativismo nos debates sucessórios do Rio Grande do Sul reflete a maturidade política de um setor que se consolidou como a principal rede de segurança socioeconômica do estado. Em 2026, após sucessivos desafios climáticos e macroeconômicos na região Sul, o modelo cooperativo demonstra que sua capacidade de resiliência financeira ultrapassa a das corporações tradicionais, justamente devido ao seu vínculo societário comunitário e à retenção de sobras locais. A médio e longo prazo, a sustentabilidade do agronegócio e do crédito regional dependerá diretamente da capacidade do novo governo estadual de modernizar a infraestrutura de energia e conectividade no campo.

Cooperativas que operam sem estabilidade elétrica ou internet de alta velocidade perdem competitividade global na era da agricultura digital. O grande desafio dos futuros gestores públicos será integrar a robustez financeira dessas organizações em parcerias público-privadas de infraestrutura. Mapear essa articulação estratégica, onde o associativismo se torna o motor de atração de investimentos e inovação regional, é o escopo analítico que a plataforma Brasil Inovador monitora para contextualizar o futuro do desenvolvimento econômico do país.

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