O Ministério das Relações Exteriores (MRE) divulgou o Relatório do Programa Diplomacia da Inovação (PDI) 2025, apresentando os resultados consolidados da política pública voltada à internacionalização da ciência, tecnologia e inovação (CT&I) do ecossistema brasileiro. No período analisado, a iniciativa executou 183 ações internacionais — um salto expressivo para o programa criado em 2017 com apenas seis atividades —, impulsionado pelo engajamento de 69 embaixadas, consulados e escritórios de representação do Brasil no exterior.
De acordo com o documento oficial, o PDI foi estruturado para mitigar um hiato de conhecimento identificado entre a percepção do mercado externo e a real capacidade tecnológica instalada no Brasil. Esse desalinhamento de imagem impactava diretamente a atração de capital de risco, a inserção global de produtos de alto valor agregado e a projeção institucional do país. Desde 2019, o programa mantém uma eficiência fiscal rigorosa, com execução orçamentária superior a 90% dos recursos alocados.
Especialização temática e mapeamento global de ecossistemas promotores
Os indicadores de 2025 revelam uma clara tendência de especialização técnica e amadurecimento das pautas comerciais defendidas pela rede diplomática. As iniciativas de caráter multissetorial, que representavam 64% do portfólio em 2024, recuaram para 51,4% no último ano. Paralelamente, o MRE priorizou agendas de alta complexidade industrial e biotecnológica, direcionando os esforços de promoção para setores estratégicos da nova economia.
O direcionamento temático das ações e o avanço da cobertura geográfica estão detalhados a seguir:
| Segmento Tecnológico Prioritário | Representatividade (%) | Indicador de Expansão de Inteligência |
| Inteligência Artificial | 20,8% | Mapeamentos Realizados: 21 relatórios produzidos ou atualizados em 2025. |
| Biotecnologia | 8,7% | Ecossistemas Cobertos: 81 polos inovadores monitorados globalmente. |
| Healthtech (Saúde) | 5,5% | Evolução Histórica: Crescimento expressivo frente aos 22 ecossistemas mapeados em 2022. |
| Tecnologias da Comunicação | 5,5% | Eficiência Orçamentária: Execução superior a 90% mantida de forma consistente. |
| Agritech (Agronegócio) | 3,8% | Nível de Engajamento: Participação ativa de 69 postos diplomáticos no exterior. |
A atuação do programa também se destacou pela densidade da inteligência comercial gerada. Os 21 mapeamentos consolidados servem como subsídio estratégico para o ecossistema nacional, oferecendo caminhos claros para a conexão de empresas brasileiras com os principais ambientes de inovação do planeta.
Concentração geográfica na Europa e capilaridade das missões de negócios
A operação internacional do PDI em 2025 concentrou-se majoritariamente no continente europeu, que respondeu por 42% das atividades, seguido pela América do Norte (23%), Ásia (17%), América Latina (14%) e Oriente Médio (4%). No recorte por postos diplomáticos, as cidades de Barcelona (26 ações), São Francisco (16 ações) e Tóquio (10 ações) lideraram o volume de execuções finalizadas.
Em termos de formatos operacionais, o portfólio de 183 atividades desdobrou-se em 52 seminários e conferências, 22 ações de mobilização da diáspora científica e tecnológica brasileira, 19 participações em grandes feiras de tecnologia, 15 webinários técnicos e 13 missões de internacionalização de startups. Para o avanço dessas agendas de imersão corporativa externa, a Anprotec atua como uma parceira estratégica do MRE, liderando as Missões Internacionais da Anprotec para conectar os ambientes de inovação locais às redes globais de empreendedorismo.
Planejamento estratégico aponta expansão e novos mercados para 2026
As perspectivas para o ciclo de 2026 indicam a continuidade da expansão do programa, que já conta com 289 propostas de ações aprovadas para execução — superando as 263 registradas no ano anterior. O planejamento prevê a mobilização de 58 postos diplomáticos e busca estabelecer um maior equilíbrio geopolítico entre os mercados tradicionais e os ecossistemas emergentes.
Haverá um incremento percentual nas ações direcionadas a postos localizados na Ásia e na África. No campo temático, além de manter a tração em inteligência artificial e tecnologias ambientais, o PDI incorporará setores em ascensão no comércio internacional, como a indústria de jogos eletrônicos e o desenvolvimento de tecnologias quânticas, alinhando a diplomacia corporativa às prioridades de inserção econômica e soberania tecnológica do Brasil.
## Brasil Inovador
O avanço consolidado do Programa Diplomacia da Inovação reflete a urgência de posicionar o Brasil não apenas como um exportador de commodities, mas como um player global de alta tecnologia e propriedade intelectual, uma dinâmica acompanhada de perto pelo Brasil Inovador.
Para o Brasil Inovador, a grande disrupção demonstrada pelo PDI em 2025 reside na transição de uma promoção institucional genérica para uma estratégia de inteligência comercial altamente especializada e orientada a dados. Ao focar mais de 20% de suas ações em Inteligência Artificial e expandir o mapeamento para 81 ecossistemas globais, a diplomacia brasileira assume um papel de infraestrutura logística de negócios, pavimentando o caminho para que startups e ambientes promotores nacionais superem barreiras de entrada em mercados altamente competitivos e regulados, como o europeu e o norte-americano.
Sob a perspectiva da estratégia de negócios, atração de investimento estrangeiro direto (IED) e competitividade, o sucesso contínuo do PDI em 2026 dependerá da capacidade de transformar o alinhamento com postos no exterior em canais fluidos de captação de recursos e de soft landing corporativo. A redução de iniciativas multissetoriais em prol de agendas nichadas — como biotecnologia e tecnologias quânticas — demonstra maturidade de mercado, permitindo que fundos de venture capital internacionais enxerguem com clareza os ativos tecnológicos brasileiros. Ao conectar o ecossistema de inovação local, a capilaridade da rede diplomática e o pragmatismo das lideranças empresariais, o ambiente institucional constrói um mecanismo sustentável para acelerar a produtividade, escalar negócios globais e consolidar a relevância econômica e tecnológica do Brasil nas cadeias globais de valor.