A descentralização da inovação e o desenvolvimento de barreiras digitais robustas ganham um novo polo estratégico no Nordeste brasileiro. A EXA, ecossistema de proteção digital pertencente ao Grupo FS, inaugurou em Parnaíba (PI) o EXA Labs, consagrado como o primeiro Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do estado do Piauí focado estritamente em cibersegurança. A iniciativa visa integrar a pesquisa acadêmica, a qualificação de mão de obra e a engenharia de soluções baseadas em Inteligência Artificial para mitigar os impactos da criminalidade digital no país.
A implantação do laboratório ocorre em um momento crítico para a segurança da informação no Brasil, que ocupa a posição de segundo país mais atacado digitalmente em todo o mundo. Indicadores da Serasa Experian apontam que, no ano de 2025, o mercado nacional registrou mais de 14 milhões de tentativas de fraude — o equivalente a uma ocorrência a cada 2,2 segundos —, representando uma expansão de 28,6% em comparação a 2024. Os prejuízos financeiros decorrentes especificamente de golpes com Pix e boletos falsos alcançaram a marca de R$ 29 bilhões, vitimando 24 milhões de cidadãos. O cenário de vulnerabilidade é potencializado pelo uso de IA por parte de organizações criminosas, tecnologia presente em 42,5% das fraudes, com destaque para a explosão de 830% no volume de deepfakes em um ano. Na região Nordeste, as tentativas de golpes digitais registraram uma alta de 32%.
Aportes financeiros e a engenharia de modelos próprios de IA
Para estruturar sua capacidade operacional e de inovação, a EXA realizou um investimento histórico de R$ 250 milhões ao longo dos últimos três anos, direcionando o capital para infraestrutura de rede, desenho de produtos e recrutamento de pessoal qualificado. Desse montante global, R$ 9 milhões foram aplicados com exclusividade no custeio de laboratórios de pesquisa.
A inauguração em Parnaíba consolida um plano de expansão de longo prazo:
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Orçamento de P&D: Previsão de aporte de R$ 25 milhões nos próximos quatro anos direcionados ao EXA Labs local.
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Modelos Próprios de Machine Learning: Foco no desenvolvimento de algoritmos nacionais voltados ao rastreamento e detecção de deepfakes e checagem automatizada de URLs.
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Análise Comportamental: Criação de camadas analíticas de inteligência artificial para examinar mensagens maliciosas e identificar comportamentos suspeitos em transações financeiras digitais em tempo real.
Segundo Carlos Alberto Landim, membro do Conselho de Administração da EXA e partner do Grupo FS, o Piauí oferece um ambiente institucional favorável, conectividade de ponta e capital humano qualificado para ancorar o projeto de alta complexidade, transformando o conhecimento gerado em barreiras eficientes contra as novas modalidades de fraudes.
Integração acadêmica e combate ao apagão de talentos
O desenho do EXA Labs baseia-se no estreitamento de laços com o ambiente acadêmico, replicando e expandindo o modelo de cooperação que a empresa já mantém com a PUC-Rio. No Piauí, a companhia firmou alianças com duas instituições locais de ensino para impulsionar frentes distintas de atuação:
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Uninassau: Dedicada à pesquisa e desenvolvimento de novas soluções lógicas e tecnológicas focadas em mecânicas antigolpe e antifraude.
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SENAI: Voltado à capacitação técnica profissional de alunos e aceleração de projetos corporativos por meio do programa Saga SENAI de Inovação.
O investimento em educação e qualificação ataca diretamente um dos gargalos mais severos da infraestrutura de tecnologia da informação nacional: o déficit de pessoal. Dados divulgados pela Fortinet estimam que o Brasil enfrenta uma escassez de 750 mil especialistas em cibersegurança, lacuna que se torna ainda mais severa quando analisada fora dos grandes eixos industriais e das capitais do Centro-Sul. O EXA Labs funcionará como um ecossistema de conexão entre pesquisadores, corpo docente e equipes técnicas para universalizar o acesso de estudantes piauienses à fronteira do desenvolvimento de inteligência artificial.
Os fatores estratégicos que posicionaram o Piauí na liderança
A escolha de Parnaíba e do estado do Piauí como bases para o novo hub tecnológico fundamenta-se em indicadores macroeconômicos e de infraestrutura pública apresentados pelo estado:
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Liderança em Investimento: O Piauí ocupa o topo do ranking nacional de investimento público proporcional, alocando mais de 17% de sua Receita Corrente Líquida (RCL) em melhorias estruturais, segundo dados oficiais da Secretaria do Tesouro Nacional.
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Governo Digital: O estado lidera o ranking brasileiro de Oferta de Serviços Públicos Digitais, de acordo com a avaliação do Índice ABEP-TIC 2025.
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Infraestrutura de Rede: Presença de uma malha estruturada de mais de 11 mil quilômetros de rede de fibra óptica implantada em território estadual, aliada a programas públicos pioneiros de introdução de IA na rede de educação básica.
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Diferenciais de Parnaíba: O município destaca-se no cenário logístico e de comércio internacional por abrigar uma das quatro Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) alfandegadas em efetiva operação no Brasil, além de sediar o Tech Export Hub, plataforma focada na exportação de serviços tecnológicos e de software para o mercado global.
Brasil Inovador
A inauguração do EXA Labs no Piauí reposiciona a rota da tecnologia de alta complexidade no Brasil, comprovando que a descentralização do desenvolvimento de software é um caminho viável e altamente estratégico, uma dinâmica acompanhada com exclusividade pelo Brasil Inovador. Para o Brasil Inovador, a grande disrupção desse anúncio reside no rompimento da dependência do eixo Faria Lima-Paulista para a criação de soluções contra crimes digitais. Enfrentar uma realidade criminosa onde o Pix e os boletos falsos drenam R$ 29 bilhões exige inteligência analítica local de ponta. Ao investir R$ 25 milhões para criar modelos próprios de machine learning que detectam deepfakes diretamente de Parnaíba, a EXA transforma uma região com forte vocação de comércio internacional — impulsionada por sua ZPE e pelo Tech Export Hub — em uma fortaleza cibernética de padrão global.
Sob a perspectiva macroeconômica e de formação de capital humano, o projeto ataca com precisão cirúrgica o apagão de 750 mil especialistas em segurança da informação no país. O Piauí, ao liderar os rankings de investimento proporcional e oferta de serviços digitais, colhe agora os frutos de ter pavimentado o estado com 11 mil quilômetros de fibra óptica. O grande desafio estrutural para a EXA e suas parceiras acadêmicas (Uninassau e SENAI) nos próximos ciclos será garantir a rápida transição do conhecimento gerado nas bancadas de pesquisa para os aplicativos e sistemas de proteção utilizados na ponta pelo cidadão comum. Ao fundir a agilidade de investimento privado do Grupo FS com o sólido ecossistema de dados e infraestrutura pública do Piauí, o EXA Labs prova que o Nordeste brasileiro possui maturidade institucional e técnica para liderar a soberania tecnológica e a blindagem financeira do país na era da Inteligência Artificial.