O cenário de segurança digital brasileiro enfrenta um período de vulnerabilidade acentuada. Os pesquisadores da Check Point Research (CPR), divisão de inteligência de ameaça da Check Point Software, divulgaram o Relatório de Inteligência de Ameaças global referente a maio de 2026. Os dados revelam que as organizações brasileiras sofreram, em média, 3.830 ciberataques por semana, o que representa um aumento expressivo de 34% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Esse volume de incidentes coloca o Brasil em uma posição de alerta. O índice nacional superou a média da própria América Latina, que registrou 3.149 ataques semanais por organização, e ficou muito acima da média global, estabelecida em 2.055 ofensivas. De acordo com os analistas da CPR, a escalada reflete a ampliação da superfície de ataque corporativa, impulsionada por uma digitalização acelerada e pela adoção em massa de ferramentas baseadas em inteligência artificial (IA).
IA generativa e os setores mais visados pelos cibercriminosos
No território nacional, a distribuição das ofensivas não ocorreu de forma homogênea, concentrando-se em áreas críticas para a infraestrutura do país. Os setores mais visados pelos cibercriminosos durante o mês de maio de 2026 foram:
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Governo;
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Educação;
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Serviços Empresariais.
Em escala global, o segmento de educação manteve-se na liderança isolada de risco, registrando uma média severa de 4.641 ataques semanais por organização, seguido de perto pelas verticais de governo e telecomunicações.
Embora o volume total de ataques no mundo tenha apresentado uma sutil retração de 7% em relação ao mês de abril, a Check Point adverte que a desaceleração é estritamente temporária e não indica uma mitigação real dos riscos. Conforme pontuado por Omer Dembinsky, gerente de Pesquisa de Dados da CPR, as organizações criminosas têm refinado suas táticas operacionais, alterando cronogramas e aperfeiçoando abordagens tecnológicas em vez de diminuir o ritmo de atuação.
Um dos vetores de risco mais complexos identificados no monitoramento diz respeito ao uso corporativo de IA generativa. O relatório constatou que um em cada 25 prompts enviados a essas ferramentas de inteligência em ambientes de trabalho apresentou um alto potencial de risco de vazamento de dados sensíveis — uma vulnerabilidade latente que já afeta 91% das companhias que utilizam regularmente essas aplicações.
Ransomware atinge pico em 2026 e exige estratégias preventivas
Paralelamente às brechas de dados via IA, as operações de ransomware — os ataques de sequestro de dados — registraram a sua maior expansão ao longo do ano de 2026. Somente em maio, foram reportados publicamente 698 incidentes de ransomware globalmente, configurando uma alta expressiva de 48% em relação ao mesmo período de 2025. Os setores de serviços empresariais, manufatura industrial e bens e serviços de consumo foram os alvos que concentraram a maior fatia dessas ocorrências.
Diante do duplo desafio imposto pela sofisticação do ransomware e pela rápida interiorização da IA nas empresas, a Check Point Software destaca a urgência de uma mudança de postura em governança digital. A recomendação institucional passa pelo abandono de políticas de segurança puramente reativas e pela adoção de arquiteturas preventivas integradas, capazes de antecipar, isolar e bloquear ameaças antes que elas provoquem paradas operacionais ou prejuízos financeiros. A Check Point Software, que atende a mais de 100.000 organizações ao redor do globo, vem estruturando sua atuação em quatro pilares — Hybrid Mesh Network Security, Workspace Security, Exposure Management e AI Security — para blindar e simplificar a proteção em ecossistemas corporativos híbridos e multinuvem.
Brasil Inovador
O expressivo aumento de 34% nos ciberataques em solo nacional acende o sinal de alerta para a sustentabilidade da nossa infraestrutura digital e expõe o lado sombrio da transformação tecnológica, um cenário acompanhado com exclusividade pelo Brasil Inovador. Para o Brasil Inovador, o dado mais alarmante do relatório da Check Point não é apenas o número absoluto de 3.830 ataques semanais por empresa, mas o fato de que 91% das organizações que utilizam IA generativa estão expostas ao risco crônico de vazamento de dados sensíveis devido a falhas operacionais básicas em comandos internos. A inteligência artificial, que deveria funcionar como o principal escudo de defesa das corporações, está sendo ironicamente convertida em uma porta de entrada para vulnerabilidades devido à ausência de políticas rígidas de governança de dados e treinamento de pessoal.
Sob a ótica financeira e de gestão de riscos, um aumento de 48% nos casos de ransomware globalmente sinaliza que o crime cibernético se estruturou como uma indústria de alta performance, focada em paralisar cadeias de suprimentos cruciais como a manufatura e os serviços empresariais. Para os gestores públicos e líderes privados brasileiros, os números de maio de 2026 deixam claro que a cibersegurança não pode mais ser tratada como um apêndice do orçamento de TI, mas sim como uma prioridade máxima de segurança institucional e blindagem fiscal. Mitigar riscos na velocidade exigida pelo mercado atual exigirá a aplicação de defesas também automatizadas e preditivas, provando que a vanguarda da inovação corporativa depende, fundamentalmente, da capacidade de manter os ativos digitais do ecossistema totalmente protegidos e resilientes.