Especialistas discutem como os hubs de inovação pública e novas soluções de crédito ajudam startups lideradas por mulheres a romper barreiras burocráticas e vender para o governo.
O papel das mulheres na liderança da transformação digital e os caminhos para que startups fundadas por empreendedoras alcancem o mercado governamental (B2G) foram os temas centrais do painel “Liderança que transforma: mulheres na linha de frente da inovação pública”, no GovTech Summit 2026. Mediado por Téo Girardi, o debate reuniu especialistas e empreendedoras que compartilharam os desafios de financiamento e o impacto de iniciativas de aceleração de Norte a Sul do Brasil, entre elas Angela Medeiros, do Programa Mulheres Inovadoras; Camila Murta, representante da ABES; Patrícia Aiello, presidente do Instituto Brasil Inovação e CEO do Elas Tokenizam; e Grazi Carvalho, head de Inovação na LICI GovTech.
Medeiros destacou o potencial das startups lideradas por mulheres voltadas para soluções governamentais. Ela ressaltou o impacto de programas de capacitação para preparar essas soluções para o mercado, como o Programa Mulheres Inovadoras. “O negócio delas é de impacto e a tecnologia pode ser governamental. Hoje temos quatro startups que se intitulam GovTechs. É bacana ver essa caminhada e entender que elas podem ser B2G, ou seja, vender para o governo”, afirmou Medeiros.
Provocada por Téo sobre como enxerga a participação feminina na construção dessas agendas, Murta enfatizou a resiliência e a capacidade de adaptação das mulheres diante da evolução tecnológica, mas apontou um comportamento comum no ecossistema de negócios. “As mulheres estão cada vez mais presentes na transformação digital e na liderança de projetos. Entendemos que a transformação digital veio para mudar e nós abraçamos isso com facilidade por possuírmos habilidades multifacetadas”, disse.
Teo Girardi questionou o que ainda falta para que ideias femininas se transformem em negócios escaláveis. Aiello apontou a falta de capital e de suporte estruturado como a principal barreira, o que a motivou a criar uma solução para esse desafio. “Falta o apoio para a mulher. A dor que eu senti quando saí do ambiente corporativo para empreender foi ver que várias amigas empreendedoras sentem que falta dinheiro. Foi assim que nasceu o ‘Elas Tokenizam’, dividindo a venda de ativos em diversos pedaços para auxiliar a empreendedora. As mulheres precisam de apoio e, através desse projeto, conseguimos fornecer isso”, explicou Aiello.
Ao ser questionada sobre os desafios práticos de empreender no nicho de GovTechs, Carvalho destacou o papel dos ecossistemas de inovação corporativos. “Hoje somos uma startup do hub TEIA, da Caixa. O caminho mais fácil para uma startup chegar ao governo é via hubs de inovação pública. Nós precisamos ter essa chancela”, defendeu.
O GovTech Summit é uma das frentes do hub GovTech Lab, um projeto de transformação governamental. Entre os patrocinadores confirmados para a edição 2026, estão Banrisul, Caixa Econômica Federal, Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Prefeitura de Porto Alegre, Procergs, Procempa, Corsan, Rio Grande Seguros e Previdência, TOTVS, Prodesp e Sebrae. O evento é idealizado pela Moove – a primeira agência com o selo GovTech do Brasil, certificada pela BrazilLab.
Foto: Cassius Souza