FBV: ESG, inovação e propósito – sustentabilidade passa a ser estratégia no varejo

FBV: ESG, inovação e propósito - sustentabilidade passa a ser estratégia no varejo

A sustentabilidade já não ocupa mais um espaço periférico nas empresas. No varejo, ela se consolida como um tema estratégico, diretamente conectado à inovação, tecnologia, rentabilidade e à relação entre marcas, consumidores e fornecedores. Este foi o centro do painel intitulado “ESG que Gera Negócio: estratégia, inovação e desempenho.

O papel de grandes empresas e startups na adoção do ESG e no alcance de resultados mensuráveis”, realizado na tarde desta sexta-feira (22) na Feira Brasileira do Varejo (FBV). Mediado pelo co-fundador e head de Inovação e Marketing da Impactability e no AgNest Farm Lab, Leo Tostes, o encontro teve a participação da head de sustentabilidade do Azzas 2154, Suelen Joner, da executiva de Desenvolvimento de Negócios com Parceiros SAP na área de Sustentabilidade, Bruna Ferrari, e do sócio-fundador da Trashin, Rafael Dutra.

O evento é promovido pelo Sindilojas Porto Alegre e pelo Sebrae RS. Bruna Ferrari destacou que a sustentabilidade depende, antes de tudo, de informações confiáveis. Para ela, a rastreabilidade se tornou um dos pilares do ESG moderno, especialmente diante das novas exigências do varejo e da cadeia produtiva. “A sustentabilidade está muito vinculada aos dados”, reforçou a executiva, ao explicar que bancos de dados, inteligência artificial e sistemas de rastreabilidade são fundamentais para definir o que entra e o que fica fora das estratégias ESG de uma organização. Segundo Bruna, “empresas de referência, como a Facchini, por exemplo, mostram que a gestão sustentável precisa ser sustentada por tecnologia e monitoramento contínuo”.

Ela também chamou atenção para um gargalo ainda presente no mercado: o número reduzido de profissionais dedicados exclusivamente ao tema dentro das organizações, como os Chief Sustainability Officers (CSOs). Na visão de Rafael Dutra, a sustentabilidade também deve ser compreendida sob a ótica da oportunidade econômica. “Nós olhamos para o lixo não como um problema, mas como uma oportunidade”, afirmou. Atuando com gestão de resíduos, logística reversa e pesquisa e desenvolvimento, a empresa desenvolve um modelo baseado em três etapas: diagnóstico, estudo de viabilidade técnica e econômica e gestão unificada.

Entre as soluções apresentadas está o coletor digital, ferramenta que ajuda empresas a monitorarem descartes e ampliarem a eficiência da gestão de resíduos. Para Dutra, o ESG precisa ser encarado como um posicionamento estratégico capaz de gerar investimento e retorno financeiro. “Temos que olhar para o financeiro, sem dúvida”, destacou, ressaltando também o desafio de personalizar soluções para diferentes empresas sem perder o foco estratégico. Olhando para o futuro, ele acredita que o varejo viverá uma intensificação do ESG apoiada pela tecnologia e inovação. “Teremos muitos dados para analisar e mais maturidade para nos posicionarmos.

A responsabilidade sobre a sustentabilidade deve ser compartilhada entre empresas, fornecedores e consumidores”, pontuou. Já Suelen Joner apresentou a visão da Azzas 2154 sobre os pilares da sustentabilidade no setor da moda, estruturados em três frentes: uma moda mais limpa e responsável, mais justa e bela e mais ética e transparente. Segundo ela, a priorização das iniciativas passa por uma matriz de materialidade, metodologia que ajuda a identificar o que realmente é relevante para o setor e para os impactos do negócio. “A sustentabilidade, na sua essência, passa por cuidar das pessoas”, afirmou. Suelen também destacou o papel das parcerias entre startups e grandes organizações como aceleradoras de transformação, especialmente na busca por soluções para o descarte de resíduos.

Ao projetar o futuro do setor, ela trouxe uma provocação. “Embora a tecnologia avance em ritmo acelerado, a inovação também pode estar no resgate de saberes ancestrais. Precisamos retomar a inteligência do passado para introduzi-la no nosso modo de viver”, refletiu. A conclusão do painel aponta para uma mudança definitiva: ESG não é mais um diferencial reputacional, mas um fator de competitividade e sobrevivência.

A FBV conta com o patrocínio ouro da SAP, patrocínio prata do Governo do Rio Grande do Sul, Governo do Brasil, Caixa e Sicredi e patrocínio bronze do Badesul, Banrisul e CDL.

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