Sheylla Alves
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O Massachusetts Institute of Technology (MIT) foi o cenário da 4ª edição do Programa de Educação Executiva Global do IEL, que reuniu líderes industriais em Boston nesta semana. A missão, fruto de uma parceria entre o IEL Nacional e o IEL Pernambuco, ofereceu uma imersão profunda em ciência, tecnologia e liderança global, entre os dias 23 e 27 de março. O objetivo central foi conectar o setor produtivo brasileiro às tendências que estão moldando o futuro da indústria em escala mundial.
Ao longo de cinco dias, participantes de 11 estados brasileiros, além de representantes internacionais, mergulharam em uma programação customizada que combinou conteúdo de alto nível, debates aplicados, visitas técnicas e intenso networking. A proposta foi clara: ampliar horizontes, fortalecer conexões e identificar oportunidades concretas de transformação para os negócios em um cenário global marcado pela aceleração tecnológica e pelo avanço da inteligência artificial.
Segundo Michelle Queiroz, gerente de Carreiras e Desenvolvimento Empresarial do IEL Nacional, o balanço da semana foi extremamente positivo. “Tivemos um grupo altamente engajado, com cerca de 40 participantes, todos muito interessados em uma agenda transversal de liderança com inteligência artificial. Foi uma experiência que uniu fundamentos conceituais e aplicabilidade prática, com visitas a empresas e palestras impactantes”, destacou.
Entre os momentos marcantes estiveram a visita à IBM e a palestra com um representante da Amazon, além de atividades colaborativas que permitiram aos executivos trabalharem desafios reais de suas organizações ao longo da semana.
Para Michelle, o grande diferencial do programa está na conexão. “Conexão entre os próprios participantes, que compartilharam seus negócios e desafios, conexão com universidades e professores; e conexão com o ecossistema local, como no evento de networking. Esse tipo de vivência traz um olhar renovado para a empresa, ao colocar o líder em contato direto com tendências e com o que há de mais moderno em tecnologia e gestão”, afirmou. Ela resume a experiência em três palavras-chave: impacto, conexão e liderança.
Outro eixo central das discussões foi o papel das soft skills em um mundo cada vez mais tecnológico. A mensagem recorrente foi de que, diante da expansão da inteligência artificial, habilidades como negociação, inteligência emocional, capacidade de liderança e mentalidade colaborativa tornam-se ainda mais estratégicas. Como reforçado durante o programa, soft skills are the hardest skills to teach, e, justamente por isso, exigem desenvolvimento contínuo por parte das lideranças.
A colaboração entre humanos e inteligência artificial também esteve no centro da agenda. Mais do que substituir pessoas, a IA foi apresentada como uma aliada poderosa para melhorar processos, apoiar decisões e potencializar as melhores competências humanas. Nesse contexto, conceitos como atuação em rede, parcerias estratégicas e mentalidade de crescimento ganharam força e fortalecer a ideia de que o futuro dos negócios passa menos pela competição isolada e mais pela cooperação inteligente.
A relevância estratégica do programa foi destacada pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), Bruno Veloso. Para ele, a iniciativa reforça o compromisso do Sistema FIEPE com a formação de lideranças preparadas para um ambiente global cada vez mais competitivo. “É uma ação que conecta a indústria brasileira aos principais centros de conhecimento do mundo e amplia a visão sobre inovação, produtividade e transformação digital”, afirmou. Ao final da experiência, Veloso ressaltou que sai ainda mais motivado a disseminar os aprendizados e contribuir para o fortalecimento da indústria nacional.
Já o superintendente do IEL Pernambuco, Israel Erlich, destacou o orgulho de coordenar a 4ª edição do programa. “Foi uma semana de intensa troca e aprendizado, com uma turma altamente qualificada, reunindo lideranças de diferentes estados e do exterior. A combinação entre a excelência dos professores e a qualidade do grupo elevou o nível das discussões e da experiência como um todo”, avaliou. Segundo ele, o desafio agora é transformar conhecimento em ação, criar diferenciais competitivos reais para as organizações.
A prática agora é a meta!
Entre os participantes, a percepção foi de uma vivência transformadora. Renata Fernandes Theuer, gerente sênior de Sustentabilidade da Elanco Saúde Animal, afirmou que a experiência superou as expectativas. “O conteúdo foi extremamente prático, com cases reais e metodologias aplicáveis. As conexões construídas ao longo da semana foram valiosas, e tenho certeza de que esse investimento terá impacto direto na minha carreira e na minha organização”, relatou.
O programa também levou mais clareza sobre o papel da inovação, é o que Naiara Galliani, líder de Tecnologia e Inovação do Senai Mato Grosso, destacou principalmente no desenvolvimento agroindustrial. “Estivemos com profissionais que realmente fazem a inovação acontecer. Estar aqui é entender para onde o mundo está indo e como podemos levar esse conhecimento para transformar realidades locais”, afirmou.
O advogado Bruno Castro, de Cuiabá (MT), também destacou o valor da perspectiva global e das discussões sobre inteligência artificial. “O curso nos levou a rediscutir modelos de negócio e a entender como a IA pode colaborar com as empresas de forma prática e estratégica, inclusive em áreas como governança, planejamento sucessório e longevidade dos negócios”, explicou.
A programação incluiu temas como IA aplicada aos negócios, mensuração estratégica com KPIs inteligentes, competição global em um mundo fragmentado e transformação digital, além de master classes e workshops conduzidos por especialistas e professores da Harvard University e do Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Integrante da Academia de Líderes IEL, o Programa de Educação Executiva Global consolida-se como uma plataforma estratégica para preparar executivos e empresários para os desafios do presente e do futuro. Ao conectar conhecimento, prática e redes globais, a iniciativa reafirma o papel do IEL como agente de articulação, inovação e desenvolvimento da liderança industrial brasileira em um mundo em constante transformação.