Em 8 edições, o PNI teve 16,5 mil inscritos e 113 vencedores, das 5 regiões do país; prêmio reconhece soluções inovadoras e reforça a mensagem do papel fundamental da inovação. Foto: Gabriel Pinheiro/CNI
Mariana Costa
t-mariana.ferreira@cni.com.br
Sheylla Alves
t-sheylla.alves@cni.com.br
Os vencedores foram anunciados durante o 11° Congresso de Inovação da Indústria, no WTC em São Paulo.
Os vencedores do 9º Prêmio Nacional de Inovação (PNI) foram anunciados nesta quinta-feira (26). São, ao todo, 20 nomes, entre empresas de diferentes portes, ecossistemas e pesquisadores. O anúncio fez parte da programação do 11º Congresso de Inovação da Indústria, no WTC, em São Paulo.
A premiação é composta de sete modalidades: descarbonização, recursos renováveis, digitalização de negócios, IA para produtividade e Lei do Bem para pequenas, médias e grandes empresas; ecossistemas de inovação de pequeno, médio e grande porte; e pesquisador empreendedor de pequena, média e grande empresa.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou aos finalistas da premiação que competir, ser reconhecido e premiado alavanca a vontade de persistir.
“Que nós possamos estar sempre premiando e estimulando. Hoje são 20 prêmios, vamos considerar que quanto mais [premiados] e mais diversificado melhor. Vamos ter mais inovações para demandar mais setores, mais ideias, mais prêmios e mais entregas. O que é importante da inovação e da tecnologia é que ela venha para a realidade da prática sustentável. Que possamos, sim, com isso, melhorar a produtividade”, disse Ricardo Alban.
O diretor técnico do Sebrae Nacional, Bruno Quick, lembrou da importância da academia na trajetória da inovação. “Hoje o Brasil tem os institutos federais, iniciativas municipais e as universidades cresceram muito. São esses entes que fazem possível o mundo que estamos descobrindo hoje”, destacou. “Espero que vocês sejam exemplos para outros jovens que busquem conhecimento, encontrem aplicação prática para resolver problemas reais, gerar riqueza e fazer de fato o desenvolvimento sustentável do nosso país”, pronunciou Quick aos finalistas.
“É importante unir ciência e indústria. O conhecimento gera inovação quando se conecta a quem agrega valor à economia. Sem indústria, não há mudança no perfil da renda, da sociedade nem do desenvolvimento”, completou o diretor do Sebrae.
Confira os vencedores por categoria:
PEQUENAS EMPRESAS
DESCARBONIZAÇÃO
Isobloco (AL)
Referência em inovação sustentável na construção civil, a Isobloco desenvolve sistemas construtivos industrializados e de baixo carbono, baseados em concreto celular nanotecnológico. Sua solução integra vedação e estrutura em um único sistema, reduzindo o uso de cimento, aço e recursos naturais, além de minimizar resíduos e custos. Com forte aderência à economia circular, a empresa promove ganhos expressivos de produtividade e eficiência energética. Reconhecida nacional e internacionalmente, a Isobloco apresenta elevado potencial de escala e impacto ambiental positivo, contribuindo para uma construção civil mais acessível, eficiente e sustentável.
RECURSOS RENOVÁVEIS
Nilo by Lysis (PR)
Nascida da convergência entre ciência, propósito e impacto social, a Nilo By Lysis desenvolve soluções alimentares inovadoras a partir do reaproveitamento de biomassa residual. A startup criou uma proteína hidrolisada altamente digestível, inclusiva e de elevado valor nutricional, voltada a públicos sensíveis. A solução fortalece a economia circular, reduz desperdícios e gera benefícios sociais mensuráveis. A empresa consolida-se como referência em inovação sustentável no setor de alimentos funcionais.
IA PARA PRODUTIVIDADE
Sandora (AL)
Em um cenário em que saúde mental, compliance e sustentabilidade convergem, a Sandora desenvolveu uma plataforma de inteligência artificial voltada à prevenção de riscos psicossociais e assédio no trabalho. Operando em modelo SaaS, a solução adota uma abordagem preventiva, integrando diagnóstico psicossocial, canais estruturados de denúncia e análise avançada de linguagem natural. A IA consolida múltiplas fontes de dados organizacionais e transforma relatos e pesquisas em indicadores acionáveis. Validada em ambientes públicos e privados, a plataforma atende mais de 16 mil usuários ativos. O resultado é ganho expressivo de escala, governança e segurança psicológica nas organizações.
DIGITALIZAÇÃO DE NEGÓCIOS
UmmixAds
A UmmixAds atua na modernização da mídia tradicional ao aplicar lógica programática, automação e inteligência de dados à compra de mídia offline. A plataforma integra planejamento, contratação e acompanhamento de campanhas de rádio, TV, jornal e mídia exterior em um único fluxo digital. A solução amplia transparência, rastreabilidade e previsibilidade, reduzindo assimetrias de informação do mercado. Em operação real, conecta cerca de 25 veículos, com alcance agregado de 1,5 milhão de pessoas. O modelo foi reconhecido como a 4ª ideia mais inovadora em iniciativa da ABDI, consolidando sua proposta de digitalização do offline.
MÉDIAS EMPRESAS
DESCARBONIZAÇÃO
Reciaço (RN)
Referência em reciclagem metálica no Nordeste, a Reciaço RN avança na transição para um modelo industrial orientado pela economia circular. A empresa opera uma rota siderúrgica eletrificada, utilizando sucata como principal insumo e energia renovável certificada. Essa abordagem reduz significativamente a intensidade de carbono do processo produtivo. Com foco em eficiência, rastreabilidade e inovação, consolida-se como protagonista da siderurgia verde no Brasil.
RECURSOS RENOVÁVEIS
Melhoramentos (SP)
Com mais de um século de trajetória, a Melhoramentos avança na substituição de plásticos de uso único por embalagens alimentícias 100% celulósicas e compostáveis. Por meio da marca Biona, a empresa desenvolve soluções bio-baseadas com desempenho técnico adequado para contato com líquidos e altas temperaturas. A iniciativa alia inovação industrial, cadeias florestais certificadas e economia circular. O projeto já apresenta tração comercial e perspectiva de escala nacional.
IA PARA PRODUTIVIDADE
Kaatech (PA)
Nascida na Amazônia, a Kaatech desenvolveu o AçaíBot, um sistema de robótica florestal que aplica inteligência artificial à colheita do açaí. Utilizando visão computacional e aprendizado de máquina, o robô identifica maturação dos frutos, otimiza rotas e executa cortes automatizados com alta precisão. A solução elimina riscos ocupacionais associados à escalada de palmeiras e eleva a produtividade em até 180%. Validado em comunidades ribeirinhas, o modelo aumenta renda, gera empregos qualificados e fortalece a rastreabilidade da cadeia. A tecnologia evidencia o potencial da IA na bioeconomia amazônica.
DIGITALIZAÇÃO DE NEGÓCIOS
Montrel (SP)
A Montrel Tecnologia desenvolveu o MEDCAP, um capacímetro digital que transforma a inspeção de bancos de capacitores em subestações. A solução permite medições unitárias com o banco desenergizado e aterrado, sem desmontagem, reduzindo riscos e tempo de execução. O sistema integra automação de ensaios, alta precisão metrológica, conectividade móvel e rastreabilidade digital. Adotado por 26 empresas no Brasil e com presença internacional, o MEDCAP reduziu em até 70% o tempo de inspeção. A inovação gera ganhos operacionais, ambientais e de segurança no setor elétrico.
LEI DO BEM
Agrosystem (SP)
No coração do agronegócio brasileiro, a Agrosystem transforma engenharia experimental em produtividade sustentável. A empresa consolida sua vocação inovadora ao desenvolver tecnologias de agricultura de precisão adaptadas às condições reais do campo nacional. O projeto reafirma o papel da indústria brasileira como protagonista em soluções de alto desempenho, capazes de unir eficiência operacional, redução de custos e mitigação de impactos ambientais, ampliando o acesso à inovação em diferentes escalas de produção rural.
GRANDES EMPRESAS
DESCARBONIZAÇÃO
Tutiplast (AM)
Com mais de 30 anos de atuação no setor termoplástico, a Tutiplast reposiciona sua estratégia ao incorporar biocompósitos amazônicos como alternativa de menor pegada de carbono. A empresa desenvolveu materiais com fibras naturais da sociobiodiversidade regional, mantendo desempenho técnico equivalente às resinas convencionais. A solução já opera em escala industrial e integra inovação tecnológica, inclusão produtiva e recuperação ambiental. O modelo consolida uma rota sustentável para o Polo Industrial de Manaus.
RECURSOS RENOVÁVEIS
Baterias Moura (PE)
Líder sul-americana em soluções de acumulação de energia, a Baterias Moura consolidou um ecossistema avançado de economia circular por meio do Programa Ambiental Moura. A nova Unidade de Reciclagem e Metais opera com tecnologia digital integrada, energia 100% renovável e monitoramento ambiental em tempo real. A planta recicla baterias em larga escala, reaproveitando materiais estratégicos e reduzindo emissões. A iniciativa gera impactos ambientais, econômicos e sociais relevantes, fortalecendo a inovação industrial e o desenvolvimento regional.
IA PARA PRODUTIVIDADE
Tupy (SC)
Na confluência entre dados, metalurgia e pessoas, a Tupy estruturou um novo paradigma de transformação industrial ao integrar inteligência artificial e humana no coração da fundição. O marco estratégico de Inteligência Híbrida conecta sensores, automação avançada, sistemas próprios e modelos preditivos a uma governança robusta de dados e conhecimento. Aplicada transversalmente à planta de Joinville, a solução viabiliza decisões em tempo real, inspeção integral e controle preditivo do processo produtivo. O resultado é uma operação mais eficiente, segura e sustentável, com redução expressiva de não conformidades, ganhos energéticos e fortalecimento da competitividade industrial de longo prazo.
DIGITALIZAÇÃO DE NEGÓCIOS
Vivix Vidros (PE)
A Vivix implementou um sistema avançado de transformação digital que integra dados industriais (OT) e corporativos (IT) na produção de vidros planos. A solução inclui o Engenheiro Virtual, primeiro agente de IA generativa aplicado ao setor no Brasil, e o DNA do Vidro, plataforma de rastreabilidade e controle em tempo real. Mais de 75% das operações já estão digitalizadas, com maturidade entre os níveis 4 e 5 do ACATECH. Os resultados incluem aumento de rendimento, redução de custos energéticos e ganhos expressivos de produtividade.
LEI DO BEM
Natura (SP)
Reconhecida por integrar sustentabilidade ao centro do seu modelo de negócios, a Natura avança de forma consistente em sua estratégia de descarbonização e regeneração socioambiental. A empresa adota metas climáticas alinhadas à SBTi e ao Acordo de Paris, com ações estruturadas que abrangem operações, cadeia de valor e logística. Como fundadora da Aliança Regenerativa, mobiliza fornecedores em iniciativas de circularidade e redução de emissões. Os resultados reforçam uma governança climática robusta e impactos ambientais mensuráveis.
ECOSSISTEMAS DE INOVAÇÃO
SRI Norte Pioneiro (PR)
Na mesorregião do Norte Pioneiro paranaense, a inovação tornou-se linguagem comum e vetor de transformação territorial. O SRI Norte Pioneiro construiu, ao longo de uma década, um ecossistema colaborativo que reconecta tradição produtiva e futuro tecnológico, reposicionando a identidade regional. O resultado é um modelo maduro de desenvolvimento sustentável ancorado em inovação coletiva.
MÉDIO PORTE
Sudoeste do Paraná (PR)
No Sudoeste paranaense, a inovação é construída em rede e governada com método. O SRI Sudoeste articula municípios, universidades, ambientes de inovação e empreendedores em uma engrenagem integrada que transforma conhecimento em negócios e impacto social. Com governança multinível, planejamento orientado por resultados e forte inserção internacional, o ecossistema consolida um território competitivo, conectado ao mundo e comprometido com o desenvolvimento humano. A inovação emerge como política contínua e coletiva.
GRANDE PORTE
Florianópolis (SC)
Entre mar, ciência e tecnologia, Florianópolis consolidou um ecossistema de inovação que transforma cooperação em vantagem competitiva territorial. A cidade articula governo, universidades, empresas e sociedade civil em um modelo maduro de inovação aberta, com forte densidade empresarial e impacto direto no PIB e no emprego. A governança estruturada, a atração consistente de venture capital e a validação de soluções em ambiente real, posicionam o território como referência nacional e polo emergente na América Latina. Inovação, sustentabilidade e qualidade de vida operam de forma integrada.
PESQUISADORES
PEQUENOS NEGÓCIOS
Maria Beatriz da Rocha Veleirinho, da NanoScoping (SC)
Entre ciência profunda e aplicação industrial, Maria Beatriz transforma nanotecnologia em saúde funcional. A plataforma Aquasolvion inaugura uma nova lógica de biodisponibilidade, protegendo nutrientes frágeis até o momento exato de absorção. Livre de solventes e já em escala industrial, a solução combina desempenho técnico, sustentabilidade e competitividade global. O projeto consolida a ponte entre pesquisa avançada e mercado, com impacto nacional e internacional.
MÉDIO PORTE
Josafá Rebouças, da IBEL (CE)
Quando o olfato se torna linguagem de inclusão, a inovação ganha sentido humano. A Metodologia VICS rompe barreiras históricas ao permitir o aprendizado de cores por meio da cognição sensorial. Com forte base científica e impacto educacional comprovado, a solução amplia autonomia, autoestima e acesso ao conhecimento para pessoas com deficiência visual e neurodivergentes.
GRANDE PORTE
Carla Maria Sanches Scanavez de Paula (SP)
Ao unir ciência profunda, biodiversidade e inovação aplicada, Carla lidera uma nova fronteira no cuidado capilar. O Programa de Aceleração em Cabelos reposiciona o cabelo como um sistema vivo e integrado, conectando couro cabeludo, fibra capilar e ambiente. A iniciativa traduz pesquisa avançada em soluções sustentáveis e de alto desempenho, redefinindo a relação entre saúde, beleza e ciência no portfólio da Natura.
Assista a íntegra da cerimônia:
Sobre o Prêmio Nacional de Inovação
A iniciativa é da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em correalização com o Serviço Social da Indústria (SESI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e o Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI). O prêmio destaca empresas, pesquisadores e ecossistemas de inovação por suas conquistas e tem como propósito reconhecer soluções inovadoras e reforçar a mensagem do papel fundamental da inovação não só na produtividade e competitividade dos negócios, como também na sociedade e no desenvolvimento do Brasil.
A premiação é voltada para a indústria, com exceção dos pequenos negócios, que podem ser do setor industrial, de comércio, de serviço ou agronegócio. A premiação não avalia projetos isolados e sim a capacidade de inovação das empresas e ecossistemas.
Prêmio já teve mais de 16 mil inscritos em oito edições
Em oito edições, o PNI teve 16,5 mil inscritos e 113 vencedores, das cinco regiões do país. A inscrição é gratuita e todos os inscritos recebem um relatório de feedback da avaliação. Além de certificados e do troféu da premiação, os finalistas recebem divulgação em mídia espontânea e participam do Congresso de Inovação da Indústria.