7 em cada 10 empresas não sabem o que muda com atualização da NR-1

Pesquisa nacional aponta despreparo do setor produtivo diante de novas exigências sobre saúde mental e riscos psicossociais nas organizações

O relógio já corre contra o tempo para o setor produtivo brasileiro. A partir de maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1) deixa de ser uma diretriz de boas práticas para se tornar uma obrigação legal com impacto direto no balanço financeiro das companhias. 

Um levantamento nacional realizado pela Heach RH com 1.730 organizações revela um cenário de vulnerabilidade. Dentre as empresas, 68% ainda não compreendem a profundidade das mudanças obrigatórias. O desconhecimento é o primeiro passo para o crescimento de passivos trabalhistas e autuações pesadas baseadas na NR-28.

Diferente das revisões anteriores, o novo texto da NR-1 obriga a inclusão de riscos psicossociais e saúde mental no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na prática, o Ministério do Trabalho passa a exigir evidências concretas do monitoramento que as empresas empregam visando a  harmonia do clima organizacional e se possuem mecanismos de prevenção contra o esgotamento profissional, integrando esses fatores à estratégia de governança corporativa.

Atualmente, 62% das empresas ainda não possuem nenhum tipo de indicador formal para detectar e monitorar os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. 

O impacto financeiro e a conexão com a NR-28

O que muitas corporações ainda não perceberam é que a conformidade com a NR-1 é o gatilho para a fiscalização da NR-28 (Fiscalização e Penalidades). A norma não apenas estabelece as regras, mas define o preço do descumprimento, conectando diretamente a gestão de pessoas ao balanço contábil.. A ausência de um inventário de riscos psicossociais no PGR ou a falta de medidas preventivas configuram infrações que podem paralisar o fluxo financeiro das organizações.

As penalidades são calculadas com base no cruzamento do número de empregados e o índice de infração (I1 a I4), conforme os anexos da NR-28. No caso de riscos à saúde mental, as autuações frequentemente recaem sobre o descumprimento de itens de Segurança (S) ou Medicina (M) do Trabalho, como por exemplo: 

  • Multas Administrativas: Variam de valores pouco expressivos a quantias que ultrapassam R$ 6 mil por infração, podendo ser multiplicadas pelo número de trabalhadores expostos ao risco.
  • Tipo de Autuação: A fiscalização pode enquadrar a ausência de gestão de riscos psicossociais como uma infração de grau elevado, especialmente se resultar em doenças ocupacionais comprovadas, como o esgotamento profissional.
  • Interdições: Em casos extremos, onde o ambiente de trabalho é considerado psicologicamente degradante ou há risco iminente de colapso coletivo, auditores-fiscais têm prerrogativa para interditar setores ou atividades.

Para a especialista Heloisa Moraes, Head de Gente e Gestão da Contato Seguro,  “o risco financeiro e a sustentabilidade do negócio hoje estão diretamente atrelados à capacidade estratégica de provar a prevenção no ambiente corporativo”.

Canal de acolhimento como blindagem estratégica

Para sair da teoria e entrar na conformidade prática, a adoção de um Canal de Acolhimento da Contato Seguro tem se tornado uma solução estratégica para documentar a diligência da empresa. Diferente de uma ouvidoria passiva, essa ferramenta foca na segurança psicológica e no suporte especializado 24 horas por dia, funcionando como um sensor em tempo real da organização, oportunizando uma escuta ativa, ética e preservando a segurança do “desabafo” de cada colaborador.

Ao contrário de pesquisas de clima anuais ou do “feeling” do RH, a ferramenta atua como um sensor de People Analytics em tempo real. Dados do Anuário 2025 da Contato Seguro revelam que 77,7% das pessoas preferem o anonimato para relatar problemas. Sem o sigilo de um canal externo, a empresa perde o acesso a quase 80% das informações vitais sobre seu próprio ambiente organizacional.

Segundo a Head de Gente e Gestão, o Canal de Acolhimento preenche a lacuna de governança exigida na NR-1 ao atuar em três frentes:

  1. Documentação e Prova: Gera dados auditáveis que comprovam ao Ministério do Trabalho que a empresa possui um fluxo de recebimento e tratamento de queixas psicossociais.
  2. Monitoramento de Riscos: Alimenta o PGR com indicadores reais, permitindo que a empresa identifique “focos de incêndio” emocional como ansiedade antecipatória ou falhas de liderança, antes que se tornem doenças ocupacionais.
  3. Redução de Impacto: Ao acolher o colaborador 24 horas por dia, período em que ocorrem 34,3% dos relatos, fora do horário comercial, a empresa reduz drasticamente a probabilidade de judicialização e afastamentos pelo INSS.

Liderança: O pilar de sustentação da nova norma

O maior obstáculo para a nova NR-1 não é técnico, mas cultural. Na prática, tudo começa pelo líder, que precisa ser o grande aliado na implementação da nova NR-1, entendendo profundamente o novo posicionamento da empresa e sendo o principal agente de transformação da cultura organizacional.

As lideranças também precisam estar atentas à perpetuação do Assédio Moral que ainda é o principal tema dos relatos em 41,8% dos casos, segundo o Anuário da Contato Seguro, com a consciência de que a solução exige uma mudança na cultura de gestão.

A pesquisa da Heach RH também aponta que 67% dos líderes nunca passaram por avaliações comportamentais ou treinamentos para gestão de crises psicossociais, impossibilitando o filtro da capacidade emocional desses profissionais para lidar com as questões de saúde mental da sua equipe.  

 Contudo, 58% das companhias admitem que só reagem a problemas de saúde mental após denúncias formais ou decisões judiciais. A modernização da norma pressupõe que tudo comece pelo topo da pirâmide, legitimando os processos de acolhimento e garantindo que a prevenção não seja apenas no papel. É o líder que transforma o dado em ação, utilizando os relatórios estatísticos para justificar treinamentos e ajustes operacionais que garantem a conformidade real.

Sem o envolvimento e a preparação correta das lideranças, as empresas permanecem em risco. Para o mercado, o recado é claro: em 2026, a saúde emocional deixará de ser um benefício opcional para se tornar uma política de gestão de riscos vital para a sobrevivência do negócio e das pessoas.

Sobre a Contato Seguro

A Contato Seguro é pioneira e líder no mercado brasileiro de Canais de Denúncia e Canais de Acolhimento externos e independentes, oferecendo soluções de escuta que apoiam as empresas na construção de ambientes corporativos mais íntegros e seguros. Com presença em mais de 50 países e atuação junto a mais de 3 mil clientes, transforma a forma como organizações e pessoas se conectam ao integrar tecnologia de ponta, inteligência artificial aplicada à otimização da gestão das plataformas e atendimento humanizado conduzido por psicólogos-ouvidores preparados para uma escuta ativa e segura. 

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