MCTI e Finep anunciam R$ 3,3 bi para projetos alinhados à Nova Indústria Brasil

MCTI e Finep anunciam R$ 3,3 bi para projetos alinhados à Nova Indústria Brasil

Podem participar empresas de todos os portes. Serão 13 editais para cadeias de agroindústria, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética e defesa nacional

O anúncio do lançamento dos editais foi feito durante a reunião presencial do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação. Foto: Rodrigo Cabral (ASCOM/MCTI)

OMinistério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram, nesta sexta-feira (6), a segunda rodada de seleção pública de ações para o Programa Mais Inovação. Serão 13 editais e uma chamada para o Programa Conhecimento Brasil que, juntos, somam R$ 3,3 bilhões de investimentos em iniciativas estruturantes e mobilizadoras capazes de promover a reindustrialização nacional com foco em sustentabilidade, autonomia tecnológica e diminuição da dependência externa, com geração de empregos e renda. 

Podem participar empresas brasileiras de todos os portes que tenham propostas de desenvolvimento tecnológico alinhadas às linhas temáticas definidas para os seis setores estratégicos da Nova Indústria Brasil (NIB). São eles: cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética e defesa nacional. Os itens financiáveis são gastos de pessoal, serviços de consultoria, equipamentos e material de consumo. O anúncio do lançamento dos editais foi feito durante a reunião presencial do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), em São Paulo (SP). 

“Este governo tem um compromisso inegociável com a inovação, com a igualdade de oportunidades entre as diferentes realidades do nosso Brasil continental, com o fortalecimento da indústria nacional e com a soberania que eleva o País a patamares superiores frente ao mundo. Temos a vocação de impulsionar a produção nacional e seguiremos essa receita que tem gerado frutos substanciais para o desenvolvimento da nossa capacidade produtiva e tecnológica”, afirmou a ministra Luciana Santos.  

Essas chamadas buscam apoiar projetos de elevado grau de inovação, risco tecnológico e relevância econômico-social para o País, com foco em desafios tecnológicos considerados prioritários pela NIB, a exemplo de tecnologias para insumos farmacêuticos, fertilizantes, inteligência artificial, baterias, transição energética e minerais críticos. 

Para submissão de propostas, é requisito obrigatório que as empresas tenham parceria com Instituições Cientificas e Tecnológicas (ICTs). O objetivo é estimular a mobilização do sistema de inovação nacional que promove a integração entre atores, facilitar a transferência de tecnologia, fortalecer a competitividade das empresas e impulsionar o desenvolvimento regional por meio da geração e difusão de conhecimento. 

“O propósito desta rodada de oferta de recursos de subvenção econômica às empresas é contribuir para fomentar a inovação, reduzir assimetrias regionais, promover a transferência de tecnologia e fortalecer a competitividade nacional, de forma que a política pública da NIB alcance os resultados esperados”, disse o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias. 

No ciclo anterior (2024/2025), o MCTI e a Finep lançaram 13 editais de subvenção econômica, com R$ 2,5 bilhões em recursos não reembolsáveis para impulsionar projetos inovadores e de alto risco tecnológico. “Foram mais de 200 projetos contratados em todo o País, que estão gerando soluções promissoras que fortalecem a competitividade nacional e aceleram a transformação tecnológica”, contou o presidente da Finep. Os projetos envolveram ainda mais de 400 empresas parceiras, cerca de 2,8 mil pesquisadores — dos quais mais de 900 eram mestres ou doutores — e mais de 140 instituições científicas e tecnológicas. 

Durante o evento, a ministra também anunciou a abertura de uma nova rodada da seleção pública Conhecimento Brasil, que passa a contemplar não apenas a repatriação, mas também a fixação e a atração de pesquisadores de excelência no País. A iniciativa da Finep reforça o compromisso com a valorização do capital humano e a consolidação da base científica nacional. O novo edital disponibilizará R$ 500 milhões para impulsionar a geração de conhecimento e inovação.  

Divisão dos recursos 

Total: R$ 3,3 bilhões 

– R$ 500 milhões
Programa Conhecimento Brasil 

– R$ 500 milhões
Transição energética 

– R$ 300 milhões
Cadeias agroindustriais 

– R$ 300 milhões
Saúde e a chamada regional 

– R$ 300 milhões
Tecnologias digitais 

– R$ 300 milhões
Base industrial de defesa 

– R$ 300 milhões
Chamadas regionais (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) 

– R$ 200 milhões
Transformação mineral 

– R$ 150 milhões
Economia circular e cidades sustentáveis 

R$ 150 milhões
Eletrolisador nacional 

– R$ 120 milhões
Mobilidade sustentável 

– R$ 100 milhões
Semicondutores 

– R$ 60 milhões
Desenvolvimento de trator para agricultura familiar


A Nova Indústria Brasil (NIB) é a política industrial lançada pelo Governo Federal com um horizonte até 2033, mas que em 2026 vive sua fase de maior execução prática. O programa é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo BNDES, mobilizando um pacote de financiamento superior a R$ 300 bilhões.

Diferente de políticas do passado, a NIB não foca apenas em setores específicos, mas em missões que buscam resolver problemas estruturais da sociedade brasileira através da inovação e da sustentabilidade.


🚀 As 6 Missões da NIB

O programa é organizado em torno de objetivos sociais e econômicos claros:

  1. Cadeias Agroindustriais Sustentáveis: Foco na segurança alimentar e nutricional. Inovações em máquinas agrícolas, fertilizantes e bioinsumos para reduzir a dependência de importações.

  2. Complexo Econômico Industrial da Saúde: Reduzir a vulnerabilidade do SUS. Incentivo à produção nacional de vacinas, medicamentos (APIs), equipamentos médicos e telessaúde.

  3. Infraestrutura, Saneamento, Moradia e Mobilidade: Foco no bem-estar nas cidades. Desenvolvimento de ônibus elétricos, sistemas de construção modular e tecnologias para o Novo PAC.

  4. Transformação Digital: Digitalização de micro, pequenas e médias empresas. Foco em Semicondutores, Robótica e Inteligência Artificial para aumentar a produtividade.

  5. Bioeconomia, Descarbonização e Transição Energética: Promover a “Indústria Verde”. Foco em Hidrogênio Verde (H2V), Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF) e descarbonização do aço e cimento.

  6. Tecnologias de Interesse para a Soberania e Defesa Nacional: Fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID), incluindo satélites, radares, sistemas cibernéticos e projetos navais e aeronáuticos.


💰 Os Braços Financeiros e Instrumentos

Em 2026, o governo utiliza três ferramentas principais para fazer a NIB acontecer:

  • BNDES Mais Inovação: Linhas de crédito com taxas de juros equiparadas à Taxa Referencial (TR), tornando o financiamento à inovação o mais barato da história recente.

  • FINEP (Subvenção): Recursos não-reembolsáveis (“fundo perdido”) para projetos de alto risco tecnológico em setores estratégicos.

  • Compras Públicas: O Estado brasileiro utiliza o seu poder de compra (Exército, SUS, Petrobras) para dar preferência a produtos com tecnologia desenvolvida e fabricada no Brasil.


🛡️ Conteúdo Local e Reciprocidade

Uma marca da NIB em 2026 é a exigência de contrapartidas. Para receber os incentivos, as empresas precisam:

  • Investir em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no território nacional.

  • Cumprir metas de descarbonização (ESG).

  • Gerar empregos qualificados no Brasil.


📊 Impacto Estratégico Nacional

A visão da NIB é reverter o processo de “desindustrialização precoce” do Brasil. Em vez de exportar apenas commodities, o objetivo é que o Brasil exporte tecnologia embarcada.

  • Exemplo Prático: Em vez de apenas exportar minério de ferro, incentivar a siderurgia de baixo carbono (aço verde) financiada pela NIB para exportar chapas de aço com selo de sustentabilidade.


💡 Como as empresas acessam?

As empresas não “se inscrevem” na NIB, elas acessam os instrumentos da NIB.

  • Micro e Pequenas: Via programa Brasil Mais Produtivo (apoio à digitalização).

  • Médias e Grandes: Via editais da FINEP ou linhas de crédito do BNDES.

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