Estudo revela que, mesmo em terceiro lugar no ranking de preferências, o vale-refeição é o benefício mais ofertado pelas empresas e se tornou um pilar crucial para reter profissionais. Foto: divulgação
A estrutura de benefícios corporativos transcendeu a esfera operacional e se consolidou como um pilar estratégico para atrair e reter talentos no competitivo mercado brasileiro. Dados do estudo Benefícios 2025, da Robert Half, colocam o vale-refeição (VR) em destaque: é o terceiro benefício mais valorizado pelos profissionais, atrás apenas de bônus e plano de saúde privado, mas lidera como o mais amplamente ofertado pelas empresas no país.
A pesquisa, que ouviu 1.150 pessoas entre lideranças, empregados e desempregados, evidencia o peso do benefício na decisão profissional. Sua relevância está ancorada em um atendimento direto a uma necessidade básica: garantir acesso a uma alimentação de qualidade durante a jornada de trabalho. Logo, a escolha do fornecedor de vale-refeição pelo empregador influencia diretamente desde a aceitação de uma proposta até a decisão de permanência na empresa.
Mais do que um simples ticket, o VR atua como ferramenta de bem-estar e organização financeira. Ao financiar refeições prontas em restaurantes, lanchonetes, padarias e até via delivery, o benefício segrega o custo da alimentação, promove uma pausa equilibrada e impacta positivamente na saúde, energia e redução do estresse dos colaboradores.
O vale-refeição como aliado do bem-estar e do bolso do trabalhador
Mais do que um complemento salarial, o vale-refeição atua como um pilar concreto de qualidade de vida e saúde financeira para o trabalhador. Seu impacto direto na rotina é duplo.
Primeiro, ao garantir uma verba dedicada especificamente para alimentação durante o expediente, o benefício assegura o acesso a refeições mais nutritivas e balanceadas, longe da improvisação. Assim, o benefício promove uma pausa alimentar de verdade, que recarrega as energias, melhora a concentração no período da tarde e contribui para a saúde a longo prazo.
Em segundo lugar, o VR oferece uma ferramenta prática de organização financeira. Ao segregar o custo do almoço ou lanche do orçamento doméstico, o colaborador ganha previsibilidade e controle sobre suas despesas mensais. Esse valor, que não entra na conta corrente, evita que a alimentação no trabalho comprometa outros gastos essenciais ou projetos pessoais, funcionando como uma “poupança forçada” para um item fundamental.
Assim, o benefício reduz o estresse financeiro cotidiano, gerando uma sensação de segurança e suporte que se reflete no engajamento e satisfação no ambiente profissional.
Insatisfação e a demanda por flexibilidade: um alerta para as empresas
Os resultados do estudo confirmam e ampliam uma tendência crítica já sinalizada: a era do pacote rígido de benefícios está com os dias contados. Os dados expõem uma demanda massiva por personalização que as empresas ainda não atendem. Enquanto 84% dos profissionais desejam escolher seus benefícios conforme seu estágio de vida e necessidades individuais, apenas 21% têm essa liberdade no ambiente corporativo atual.
Essa lacuna explica a insatisfação latente que coexiste com uma satisfação geral moderada (57% dos entrevistados). O fato de quatro em cada dez colaboradores não estarem contentes com seus benefícios atuais é um sinal de alerta estratégico. A pesquisa quantifica o risco da rigidez: para 66% dos profissionais empregados, a ausência de um benefício considerado essencial, como o valorizado vale-refeição, se torna um argumento para negociar um salário mais alto, transferindo o ônus financeiro direto para a empresa.
O estudo evidencia que oferecer uma lista de benefícios não é sinônimo de vantagem competitiva. Um dado revelador é que 37% dos colaboradores discordam de que os benefícios de sua empresa efetivamente ajudam a reter talentos. Isso indica uma falha de comunicação e, principalmente, de alinhamento com as expectativas reais.
Para transformar o investimento em retenção, as empresas precisam superar os dois maiores desafios apontados pelos gestores de RH: equilibrar custos (resposta de 68% dos entrevistados) e acompanhar as tendências do mercado (resposta de 53% dos entrevistados). A solução passa por investir em personalização, tornando os benefícios (começando pelos pilares como VR e plano de saúde) mais adaptáveis, o que é crucial para engajar uma força de trabalho diversa e com prioridades em constante evolução.
Escolha do fornecedor é decisiva para o impacto estratégico
Para que o benefício cumpra seu papel estratégico, a escolha do fornecedor de vale-refeição é etapa crítica. A consultoria orienta as empresas a irem além da oferta padrão e a avaliarem critérios fundamentais na contratação:
- ampla rede credenciada: garantir aceitação fácil onde o colaborador está;
- gestão e tecnologia: adotar plataformas que simplifiquem a administração para o RH;
- conformidade legal: assegurar que o fornecedor atue dentro das regras do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), garantindo segurança jurídica e incentivos fiscais;
- transparência de custos: ter clareza total sobre as taxas de administração envolvidas.
Ajustar a política de benefícios deixou de ser uma tarefa apenas do RH e tornou-se uma decisão da alta gestão. Em um mercado onde o cuidado com as pessoas está no centro, a oferta estratégica e flexível de benefícios como o VR fortalece o vínculo, impulsiona a retenção e consolida uma marca empregadora forte e atrativa.