Encontro reúne empresas contempladas em Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva de H2V. Foto: Dudu Leal
O Sistema FIERGS liderou um encontro com empresas selecionadas no Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva de Hidrogênio Verde (H2V) no Rio Grande do Sul para discutir oportunidades de integração da indústria gaúcha às novas demandas de transição energética. O programa financia iniciativas de produção de hidrogênio limpo, com foco no fomento à inovação em descarbonização industrial em escala estadual, destinando R$ 102,5 milhões para projetos do setor. A reunião ocorreu na sede da entidade, nesta terça-feira (20), e contou com a presença de representantes da Invest RS, Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS (Sema) e Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), além das empresas contempladas.
O diretor da FIERGS, Hernane Cauduro, destacou que o objetivo do encontro é potencializar a capacidade das indústrias gaúchas para o desenvolvimento de hidrogênio verde. Segundo ele, esse movimento surge a partir um projeto piloto realizado anteriormente, que evoluiu para o programa Conexão Indústria RS – programa de desenvolvimento e adensamento das cadeias produtivas do estado. “Esse movimento tem como foco o avanço das cadeias produtivas. O Rio Grande do Sul é historicamente um estado industrializado, mas ainda apresenta lacunas importantes, que representam oportunidades para atrair investimentos, ampliar a competitividade, reduzir custos e fortalecer o crescimento industrial”, afirmou. Ele enfatizou, ainda, o potencial do setor de bens de capital, máquinas e equipamentos do Rio Grande do Sul. “Existe uma oportunidade muito grande para que a indústria gaúcha desenvolva e adapte equipamentos voltados ao hidrogênio, uma nova fronteira que se apresenta para o estado dentro de uma cadeia estruturada de fornecedores”, concluiu.
A gerente de negócios da Invest RS, Lucila Pellegrini, ressaltou que o edital é uma parceria fundamental com a Sema e articulação com o Sistema FIERGS para o aumento da competitividade industrial. “O edital contemplou quatro empresas, e o próximo passo é apoiar aquelas que não foram selecionadas, identificando suas demandas por investimento ou desenvolvimento. A proposta é construir, ao longo do ano, uma trilha que envolva desde empresas em estágio mais avançado até aquelas que ainda precisam adquirir conhecimento e se conectar ao mercado”, explicou. Entre as 16 empresas participantes do edital, a Âmbar Sul, Tramontina, Rodoplast e Be8 tiveram projetos selecionados. Cada uma poderá receber até R$ 30 milhões, sem a necessidade de reembolsar o Estado, desde que garantam uma contrapartida mínima de 30% do valor do projeto.
Os projetos contemplados no edital buscam reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) nas cadeias industriais, além de estimular a inovação e o desenvolvimento de insumos sustentáveis. Durante a reunião, as empresas apresentaram suas iniciativas. A Âmbar Sul pretende substituir o hidrogênio cinza por hidrogênio verde no processo de arrefecimento industrial da Usina Termelétrica Candiota III, por meio de eletrólise da água com energia solar e sistema de armazenamento.
A Tramontina propõe a implantação de uma planta de produção de hidrogênio verde na unidade de cutelaria, em Carlos Barbosa, para conversão da frota interna para células a combustível, eliminando emissões no transporte. A Be8 S.A, em Passo Fundo, prevê a instalação de um posto de abastecimento de hidrogênio verde para caminhões extrapesados, produzido a partir de etanol. Já a Rodoplast propõe a implantação de uma planta de hidrogênio verde em Vacaria, com integração ao sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos (RSU), utilizados como fonte complementar de energia e calor.
O diretor executivo de Petróleo, Gás Natural, Bioenergia, Hidrogênio e Petroquímica da Abimaq, Alberto Machado Neto, apresentou as oportunidades para a indústria no setor de hidrogênio. O hidrogênio verde é o hidrogênio produzido a partir de fontes de energia renovável. Uma das principais formas de obtenção é por meio da eletrólise, processo em que a corrente elétrica separa a água em hidrogênio e oxigênio. Esse combustível pode ser aplicado em diferentes áreas, como no transporte de cargas, no aquecimento de ambientes por sistemas de calefação e em processos industriais. Segundo ele, “o Brasil tem chance de ser protagonista na economia de hidrogênio”, já que que a indústria brasileira já tem capacidade para produzir mais de 40% dos bens necessários para a cadeira de hidrogênio. Como desafios imediatos na cadeia, estão os custos para produção de H2 verde, a infraestrutura que apresenta gargalos como em linhas de transmissão e portos adaptados, e regulação, com marcos regulatórios claros e políticas de precificação de carbono.
PRÓXIMOS PASSOS
Como encaminhamento do encontro, está prevista a realização de rodadas técnicas para apresentação dos projetos desenvolvidos pelos investidores às indústrias interessadas em integrar a cadeia produtiva do hidrogênio verde que está sendo estruturada no estado. Os encontros ocorrerão na sede do Sistema FIERGS e terão como objetivo aproximar oferta e demanda tecnológica, promovendo o diálogo direto entre desenvolvedores de projetos e potenciais parceiros industriais.