por AUSPIN
A FAPESP definiu novos eixos estratégicos alinhados às tendências globais. Foram R$ 400 milhões, direcionados para projetos disruptivos de ciência e inovação, que contam com a conexão com programas como PIPE, CEPIDs, CPAs, entre outros. Foto: divulgação
Na última quinta-feira, 26 de março, a FAPESP divulgou os sete eixos estratégicos que orientarão os investimentos em pesquisas científicas nos próximos dois anos. A definição dessa agenda prioriza os seguintes temas: biotecnologia; transição energética; biodiversidade, produção sustentável de alimentos e segurança alimentar; transição digital e inteligência artificial; ciência e tecnologias quânticas; saúde humana e animal; além de violência e segurança pública.
A escolha dessas áreas foi fundamentada em consultas com lideranças científicas, gestores da própria fundação, representantes de órgãos governamentais, universidades, institutos de pesquisa e setores empresariais, além de contar com a análise de tendências internacionais em ciência, tecnologia e inovação. Dessa forma, a agenda proposta dialoga diretamente com diretrizes globais, especialmente aquelas que orientam os mercados mais avançados em tecnologia e inovação, evidenciando o expressivo potencial econômico dessas pesquisas e contribuindo para a formação de um ambiente favorável ao empreendedorismo e ao desenvolvimento de startups.
Ao observar os relatórios estratégicos desenvolvidos pela Europa, China, Canadá e Reino Unido, é notável como a ciência e a inovação são determinadas como fatores decisivos para a competitividade econômica, para autonomia tecnológica e para sustentabilidade ambiental. Nesse contexto, países e blocos econômicos têm intensificado investimentos nessas áreas, reconhecendo seu papel central na geração de valor, no fortalecimento industrial e na inserção competitiva no cenário global, privilegiando os investimentos em inteligência artificial, tecnologias quânticas, biotecnologia, transição energética, produção sustentável de alimentos, saúde, segurança ambiental e transformação digital da indústria.
Não diferentemente, o Brasil se insere nesse contexto buscando se desenvolver dentro desses temas prioritários que devem impactar a realidade social e econômica do país. Tendo isso em vista, a FAPESP, ao definir esses sete eixos estratégicos, recebeu autorização de seu Conselho Superior para destinar 400 milhões de reais adicionais a pesquisas nessas áreas, sem prejuízo aos investimentos já realizados em outros campos do conhecimento. Essa ampliação de recursos evidencia não apenas o reconhecimento da relevância científica desses temas, mas também seu potencial de transformação econômica.
Isso se torna ainda mais relevante porque os investimentos propostos têm como objetivo apoiar iniciativas disruptivas, isto é, projetos que envolvam risco científico e apresentem potencial para promover um salto qualitativo na pesquisa e desenvolvimento (P&D) no estado de São Paulo. Além disso, as ações previstas pelo Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP devem ser articuladas com programas já consolidados, como os CEPIDs, os Centros de Pesquisa Aplicada (CPAs) e o programa PIPE, voltado ao incentivo de pequenas empresas inovadoras.
Essa integração fortalece a conexão entre pesquisa e mercado, ao estimular o desenvolvimento de tecnologias com potencial de aplicação prática e favorecer o surgimento de startups. Desse modo, a ciência deixa de ocupar um espaço restrito ao meio acadêmico e passa a atuar como um vetor estratégico do desenvolvimento econômico, impulsionando a inovação e o empreendedorismo no país.
Portanto, o direcionamento estratégico desses investimentos contribui para a consolidação de uma economia baseada no conhecimento e na inovação, na qual o empreendedorismo tecnológico assume papel central. Ao aproximar ciência e mercado, o Brasil avança na construção de um ecossistema mais robusto, capaz de promover crescimento sustentável e enfrentar os desafios sociais contemporâneos.
Para mais detalhes sobre a definição dos tema estratégicos da FAPESP, confira: https://fapesp.br/publicacoes/2026/temasestrategicos.pdf