O novo reitor da USP, Aluisio Augusto Cotrim Segurado, e a nova vice-reitora, Liedi Légi Bariani Bernucci, tomaram posse no dia 23 de janeiro, em cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes. Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
O novo reitor e a nova vice-reitora da USP, Aluisio Augusto Cotrim Segurado e Liedi Légi Bariani Bernucci, tomaram posse no dia 23 de janeiro, em sessão solene do Conselho Universitário realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo. Autoridades governamentais e diplomáticas, representantes de instituições de ensino, agências de fomento nacionais e internacionais e organizações do setor produtivo, dirigentes, professores, estudantes e servidores técnicos e administrativos da Universidade lotaram o Auditório Ulysses Guimarães para prestigiar o evento.
A cerimônia teve início com a entrada dos membros do Conselho Universitário e das Congregações da Escola Politécnica (Poli) e da Faculdade de Medicina (FM), que conduziram os novos reitor e vice-reitora até o palco, ao som de Trompete Voluntário, de Jeremiah Clarke. A obra foi executada pela Orquestra Sinfônica da USP (Osusp), sob a regência do maestro Ricardo Bologna. Após a abertura dos trabalhos da sessão solene feita pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a Osusp apresentou o Hino Nacional Brasileiro.
Em seguida, Segurado e Liedi leram os termos de compromisso e assinaram os termos de posse, acompanhados pela secretária-geral da Universidade, Marina Gallottini. Conforme estabelece o protocolo do cerimonial acadêmico, a etapa seguinte da sessão solene foi a transmissão das vestes talares – capelo, borla e samarra –, do colar reitoral e do bastão reitoral.
A saudação aos novos dirigentes, em nome do Conselho Universitário, foi feita pela diretora da Faculdade de Medicina (FM), Eloísa Silva Dutra de Oliveira Bonfá. “Reunimo-nos hoje para algo que vai além de um rito administrativo: reafirmamos o compromisso histórico da Universidade de São Paulo com a excelência acadêmica, a democracia, a autonomia universitária e o futuro do País. Ao saudarmos a nova gestão, celebramos uma instituição que se renova com responsabilidade, e o fazemos com a gratidão de quem reconhece o trabalho consistente e visionário realizado pela gestão que ora conclui seu ciclo”, afirmou a conselheira.
“Não é trivial governar uma universidade da dimensão da USP: aproximadamente 100 mil estudantes, mais de 5 mil docentes, mais de 12 mil servidores técnico-administrativos, distribuídos em dezenas de unidades de ensino e pesquisa, em múltiplos campi, responsáveis por aproximadamente um quinto de toda a produção científica brasileira. Essa grandeza impõe complexidade, mas também confere à USP uma responsabilidade singular no cenário nacional. É nesse contexto que o leme passa agora às mãos do professor Aluisio e da professora Liedi.
O professor Aluisio traz uma trajetória de dedicação integral à Universidade: médico de reconhecida atuação acadêmica, foi um dos coordenadores do Comitê de Crise durante a pandemia e acumulou experiência estratégica como pró-reitor de Graduação. Ao seu lado, a professora Liedi, gestora experiente e inovadora, primeira mulher a dirigir a Escola Politécnica, agrega visão sistêmica, rigor técnico e capacidade de condução institucional. A combinação entre saúde, engenharia, ciência e gestão pública expressa bem a agenda de integração e modernização assumida pela nova Reitoria”, destacou.
Eloísa ressaltou, também, a importância da sustentabilidade econômica e da autonomia da Universidade: “A autonomia universitária e financeira das universidades públicas estaduais, historicamente assegurada pelo repasse do ICMS, é condição essencial para que São Paulo mantenha universidades públicas com padrões internacionais. As transformações recentes no sistema tributário introduzem incertezas que exigem diálogo, previsibilidade e, acima de tudo, compromisso de Estado, simbolicamente reafirmado pela realização de uma reunião do Conselho Universitário no Palácio dos Bandeirantes, gesto que expressa o reconhecimento, pelo governo do Estado, do valor estratégico e institucional da Universidade de São Paulo. Acreditamos que preservar essa autonomia não é um privilégio corporativo, mas uma estratégia estruturante de desenvolvimento científico, econômico e social para o Estado de São Paulo e para o Brasil” (acesse aqui a íntegra do discurso).
Autonomia universitária
Em seu discurso, o novo reitor destacou que “a gestão que se inicia será guiada por um programa construído coletivamente por integrantes da comunidade docente, discente e de servidores técnico-administrativos, em sintonia com nossa missão institucional e com os valores que compartilhamos, com visão de futuro e coerência diante dos desafios do presente”.
“Propomo-nos, professora Liedi e eu, enfrentar com determinação os novos desafios que se apresentam. Identificamos como prioridades garantir e consolidar a autonomia universitária, fortalecer a convivência democrática e incorporar, de forma crítica e responsável, as tecnologias digitais disruptivas de inteligência artificial às atividades acadêmicas e de gestão”, afirmou Segurado.
Outro tema abordado pelo novo reitor foi a questão do financiamento das universidades estaduais paulistas. “A preservação da autonomia universitária é absolutamente prioritária e será objeto de nossa especial atenção e de ações efetivas ao longo da gestão. A manutenção do atual modelo de financiamento é imprescindível para assegurar o planejamento e a sustentabilidade de nossa atuação acadêmica no médio e no longo prazo”, considerou.
Segundo ele, a gestão terá quatro eixos norteadores: a valorização e reconhecimento das pessoas que compõem a comunidade uspiana; a garantia da excelência acadêmica no exercício de nossas atividades-fim – ensino, pesquisa, inovação, cultura e extensão universitária–; o fortalecimento da relação USP-sociedade e sua contribuição efetiva para a melhoria da qualidade de vida das pessoas; e a otimização de processos de gestão acadêmica e administrativa.
“Este é o momento de convidar todas e todos, docentes, discentes, servidores e servidores técnico-administrativos da USP para que possamos, coletivamente, avançar na construção da Universidade que queremos e, com compromisso público e responsabilidade social, atender aos anseios da sociedade paulista e brasileira na construção de um futuro melhor. Como lembra Maia Couto: ‘O que faz a vida é o sonho. Enquanto a gente sonhar, a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro’”, concluiu Segurado (acesse aqui a íntegra do discurso).
Financiamento
O secretário Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Vahan Agopyan, que foi reitor da USP entre 2018 e 2022, lembrou que a posse é uma oportunidade de a instituição rever suas atividades e planejar o futuro. “São Paulo é um Estado desenvolvido e por isso mantém universidades de qualidade ou São Paulo se desenvolveu justamente porque tinha instituições de ensino e pesquisa de qualidade? A verdade é que as lideranças paulistas sempre foram muito esclarecidas, apoiando, desde a segunda metade do século 19, o investimento na ciência. E o atual governo mantém esse apoio, investindo aproximadamente 7% do seu orçamento em ensino superior, tecnologia e inovação. Nenhum outro governo investe tanto em ciência”, refletiu Agopyan.
“A Universidade de São Paulo contraria aqueles que insistem em ser pessimistas no nosso país. Existem vários nichos de excelência no Brasil e a USP é um desses nichos que prosperaram. Somos orgulhosos dessa grande universidade, desse grande patrimônio. Somos orgulhosos do ecossistema de ciência, tecnologia e inovação que foi criado no Estado de São Paulo”, ressaltou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
O governador também fez questão de elogiar o legado deixado pela gestão do reitor Carlotti e da vice-reitora Maria Arminda e ressaltou as diversas parcerias realizadas nos últimos anos entre a Universidade e o governo estadual, como o Provão Paulista, a estação experimental de hidrogênio verde e o apoio aos Hospitais das Clínicas, da capital e de Ribeirão Preto.
“Se as nossas universidades hoje brilham, se elas prosperam, é porque nós temos a garantia de financiamento. Obviamente, isso não pode mudar e não será a reforma tributária que vai fazer com que isso mude. Nós vamos construir, juntos, um mecanismo para manter o repasse de recursos destinados à pesquisa e às universidades, de forma a garantir a previsibilidade de financiamento e a capacidade de planejamento dos reitores”, afirmou Freitas ao mencionar a Reforma Tributária que alterará a forma de financiamento do Estado.
Quem são os novos dirigentes
Aluisio Augusto Cotrim Segurado, 68 anos, formou-se na Faculdade de Medicina (FM) da USP em 1980, onde também obteve os títulos de Mestre (1991), Doutor (1994) e Livre-Docente (2001) em Doenças Infecciosas e Parasitárias. É professor titular da FM desde 2012, com trajetória científica fortemente marcada pela pesquisa em doenças infecciosas e determinantes sociais da saúde. Teve atuação expressiva no enfrentamento da epidemia de HIV no Brasil, conciliando assistência, pesquisa e formação de profissionais.
Na gestão universitária, Segurado exerceu as funções de chefia de departamento, presidência da Comissão de Pós-Graduação e presidência da Comissão de Relações Internacionais da FM. Já na administração central, foi vice-reitor executivo de Relações Internacionais (2013-2014) e implementou e coordenou o Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (2018-2022). Foi, também, diretor do Instituto Central do Hospital das Clínicas (HC) durante a pandemia da covid-19, conduzindo respostas institucionais em um dos períodos mais complexos da saúde pública recente. Antes de assumir o cargo de reitor, Segurado era o pró-reitor de Graduação da Universidade.
Liedi Légi Bariani Bernucci, 67 anos, é engenheira formada (1981) pela Escola Politécnica (Poli), onde concluiu mestrado (1985) e doutorado (1995) após estágio na ETH Zurich, instituição de referência internacional nas áreas de ciência, tecnologia e engenharia. Desde 1986 integra o corpo docente da Poli, tornando-se professora titular em 2006, com trajetória acadêmica dedicada às áreas de pavimentação, solos tropicais, infraestrutura de transportes e inovação tecnológica. Coordenou o Laboratório de Tecnologia de Pavimentação e contribuiu para a criação de um dos mais completos laboratórios de pesquisas ferroviárias do País, formando dezenas de mestres, doutores e pós-doutores.
Sua experiência em cargos de gestão inclui a chefia do Departamento de Engenharia de Transportes (2007-2014), a Vice-Diretoria (2014-2018) e a Diretoria da Poli, sendo a primeira mulher a assumir o cargo de diretora na escola, em 2018. Foi, ainda, diretora-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo (2022-2024) e integra conselhos científicos nacionais e internacionais, além da Academia Nacional de Engenharia e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp).
Os novos reitor e vice-reitora da USP terão mandato de quatro anos. Esta será a 30ª gestão reitoral na história da Universidade, fundada em 1934. O primeiro reitor da USP foi o professor da Faculdade de Direito (FD), Reynaldo Porchat, e o primeiro vice-reitor, o docente da Faculdade de Medicina (FM), Antonio de Almeida Prado.
Texto: Adriana Cruz e Erika Yamamoto / USP
Assista, a seguir, à íntegra da cerimônia.