Kátya Desessards: a irracional logística do Brasil

ESG para conexões fluírem, gerar resultados e aprendizados

Por que o irracional tem espaço e é normalizado no Brasil? Sério!! Não é uma piada. Quero encontrar a resposta…

Desde o início dos anos 2000 venho levantando questões sobre a falta de estratégia nos investimentos da estrutura logística e viária no Brasil. Quando se olha para estradas, ferrovias e hidrovias, nosso país é um emaranhado de estruturas que não se conversam e não são pensadas de forma integrativa e adequada a cada microrregião. Parece que falamos em grego, escrevemos em aramaico e lemos em esperanto… Nada faz sentido.

Algumas localidades até trazem bons exemplos, mas são raros e, mesmo que tais trechos (estradas) sejam bons, ainda assim são ruins. E por quê!? Simples, não há inteligência no processo de toda a infraestrutura logística do país.

 

Fato. Se falamos de estradas o caos já começa nos materiais e nas técnicas usadas. São ruins, de baixa qualidade e sem pensar – de fato – no entorno e na longevidade das estruturas. A ideia é não durar. Parece piada, mas não, não é! A realidade mostra isso, e “diante de fatos não há argumentos”. Ainda assim, muitos incautos se enchem de argumentos que não param em pé ao terminarem o primeiro parágrafo da escrita ou da fala.

E o que o ESG tem a ver com isso!?  TUDO.

Aqui falamos do objetivo e do princípio central do ESG, a ÉTICA… ( no caso, a falta dela).

 

 A infraestrutura logística é responsabilidade dos Governos Federal, Estaduais e Municipais. É das suas atribuições, ou pelo menos deveria ser. Porque na prática ao invés de trabalharem em parceria cada qual faz sem se importar se as conexões de toda essas estruturas estarão adequadas. A questão aqui não é uma formalidade, é de LÓGICA da usabilidade pensada para carros, caminhões, motos, trens, navios e pedestres. Tudo envolve uso de PESSOAS. Mas esse pequeno detalhe parece não fazer parte dessa equação.

 

E por quê!? Observe! Tudo é feito para coisas e não pensado para pessoas… Carros e motos tem sempre prioridade, bicicletas e monociclos tem ‘prioridade’ nas calçadas. E os pedestres!? Que saiam da frente… (mas guarde essa reflexão que no final vamos fechá-la).

Escrevi no início dos anos 2000 (acho que 2003 ou 2004), no Jornal do Comércio de Porto Alegre, um artigo muito analítico e completo que ocupou uma página inteira do jornal impresso. E revendo o texto hoje, nada mudaria. Apenas acrescentaria a perspectiva das tecnologias de hoje. A narrativa sobre os problemas que apontei na época permanecem, e cerca de 90% ainda não foram solucionados, corrigidos ou implementados. Absurdo!? Com certeza. Mas não me surpreendem. Lamentavelmente.

O Brasil continua… (permanece)… com os mesmos problemas que oneram a produção industrial, agropecuária, o comércio e o transporte… uma verdadeira ‘bola de neve gigante’ em pleno país tropical. Perdão pelo trocadilho infame. Mas a visão deste cenário que quase nada mudou desde a época do meu artigo do JC, beira a piada pronta sem graça.

A logística tem no seu conceito e aplicabilidade da fluidez como ‘Modis Operandi’ na transmissão de dados e transporte de coisas e pessoas. É uma engenharia que busca a precisão e, ao mesmo tempo, a flexibilidade para mudar de rumo e adequar objetivos as demandas. Mas para que isso aconteça e seja uma solução e não um problema, como é 70%  da infraestrutura física do país, é preciso que todo o sistema tenha uma lógica entre operação, função e necessidade. Matemática da 5ª série pura… simples e eficaz.

Entendido isso, se passa para a grande complexidade do transporte viário (muito usado e maior gargalo), aéreo (pouco usado por ser muito caro), ferroviário (quase inexistente), hidroviário (quase sem uso). E por fim, o que deveria ser a ‘cereja do bolo’? Ter um sistema de dados e operacional interligados.    

O alto custo de TODA a produção brasileira sempre foi a falta de inteligência logística. É cansativo ver, ouvir e ter que fazer cara de paisagem para ‘especialistas’, palestrantes ou ter que assistir propaganda estatal. E por quê?

 

…o cerne do problema é EXATAMENTE o mesmo dos últimos 136 anos como república… a falta de honestidade operacional da estrutura estatal para que haja eficiência e eficácia dos serviços e infraestrutura pública. Simples assim! Sem narrativas políticas. Sem partidarismos. Sem lado. Apenas a realidade ocular dos fatos…

 

E, também, não é uma acusação. É a pura e verdadeira realidade repetitiva do dia-a-dia.

O conceito logístico entra diretamente na aplicabilidade da mobilidade viária e de pedestres das cidades e municípios, no escoamento de toda a produção agropecuária e da indústria do país e no compartilhamento de todos esses dados para que haja inteligência em todos os processos, ações e tomadas de decisões. A equação operacional é simples, mas a fórmula para conciliar dados e fatos é infinitamente mais complexa.

 

E é aí que todo o ‘guarda-chuva’ do ESG entra ou deveria entrar. Por que ‘deveria!?   

Simples. A realidade no Brasil em 90% dos casos nunca é conforme os protocolos, projetos ou normas.

Tenho uma teoria muito simples sobre isso. Em grande parte, o brasileiro e seus governos gostam de ‘facilitar’ a continuidade dos seus próprios problemas com a simples ação de não resolver os problemas como deveriam. Viu como é simples!

E o maior exemplo vem de toda a estrutura estatal, onde quem faz certo é punido e ridicularizado, os materiais usados em grande parte das áreas é sempre o pior (e aqui a relação menor preço é só fantasia).

A execução de obras e serviços são lamentáveis, e quando alguém faz como deveria, é isolado. Parece piada. Mas é a realidade. Imagino que muitos se ‘ofenderão’, mas duvido que venham querer sentar-se para um diálogo ou debate para colocar as ‘cartas na mesa’… DUVIDO.

Mas me coloco a disposição!!!! (…e ficarei sentada só para não cansar) 😛

Vocês notaram quanta retórica e verve é preciso e necessário para se conseguir falar sobre a logística da mobilidade no Brasil !!! 

É um complexo enorme que impacta diretamente o PIB nacional, a capilaridade de negociação do comércio exterior e dita os preços diretos ao consumidor.  O passivo da mobilidade logística brasileira, SEM a Inteligência Multimodal é o agente direto para o elevado Custo-Brasil que resulta na inflamada e acelerada alta constante dos juros bancários. É o que chamamos de ‘Ciclo-Vicioso’ da economia brasileira. Se mantém fases de ‘estabilidade’ sem muitos picos dos juros, mas também nenhuma baixa significativa; e em contrapartida as fases de ‘crises’ com inflação alta e juros disparados.

E por quê!? Alguém, precisa pagar a conta para manter o alimento desse enorme ‘mamute’ (o país estatal).

 

O Brasil consegue subverter a lógica de muitas das teorias econômicas…

Hoje, o valor do metro-quadrado de asfalto aplicado nas estradas pelo Brasil… pode variar de 180% a mais de 5000% (sendo comedida) sobre o valor normal ao consumidor final. Assim como, dentro dessa mesma lógica, o valor do cimento, tijolo e concreto nas obras de prédios públicos e sua concomitante execução. A fórmula é assim… Ganha a licitação o ‘preço mais barato’, para executar uma obra que duraria 1 ano;  Mas, na execução com 7 meses pedem aditivos de 20% a 70%  do valor contratado da obra alegando ‘problemas’ encontrados no percurso; e com isso na mão a obra de 1 ano vira 5 anos de execução em média. E a obra que custaria R$ 200.000, passa a custar quase ou mais de 5 milhão. A lógica é essa.

Trabalho com dados, só para deixar claro que aqui não há nenhuma ‘apologia’ política.

São Fatos. Dados. E a realidade testemunhal Brasil a fora.  Faça um Google: ‘obras inacabadas’, ‘estradas ruins’ e ‘custo logístico brasileiro’… e cruze com os juros bancários estratosféricos…

Simples assim! Nada que a aplicação de uma ‘Fórmula de Bhaskara’ não possa  encontrar as raízes (soluções) de uma equação do ‘segundo grau’ ( no caso, da realidade paralela que o país vive).

É… o Brasil não é para amadores! E mesmo com toda essa realidade, o brasileiro ainda consegue se destacar em muitos segmentos da pesquisa e da produção mundial. Ainda não consigo avaliar se isso é BOM ou RUIM. Mas é um Fato! Então vamos considerar isso uma variável em potencial…

E olhando o cenário… Continuar a pagar mais caro por m² de asfalto aplicados em projetos ruins de estradas quase sempre mais estreitas do que a necessidade, não preciso dizer que é burrice! Mas quem fiscaliza!?

O tamanho continental do Brasil pede a aplicação de um sistema Multimodal, que significa integrar sistema rodoviário, ferroviário, hidroviário e marítimo para escoamento de toda a produção aos portos e aeroportos para exportação. Criação de mais entrepostos secos com sistemas mais ágeis de distribuição (com vans e caminhões de médio e pequeno porte) dentro das cidades, diminuindo o número de caminhões grandes e pesados nas ruas.

É um sistema que funciona muito bem, comprovadamente em outros países. Ai fica a pergunta ‘martelando’… Por que (diabos), esse nível de inteligência logística NÃO É APLICADO no Brasil !?!?!? Senhor amando!!!

Sendo o Brasil um celeiro de startups com soluções inéditas ou, genialmente, simples. Por que por D’us (que rezo todos os dias) o brasileiro continua conformado com esse lixo logístico que temos no país?????? E aqui não tem nenhuma piada, nem estou achando graça. É… _‘puticedacaramesmo’_ .

A bagunça da logística no Brasil é mais que um problema, virou o seu próprio conceito de execução (sempre foi assim e ‘assim’ ficará).

E ‘Doutos’ Phd, fazem apologia a novas tecnologias, ministrando argumentos bem-posicionados nas suas bibliografias de mestrados e doutorados. Tudo num perfeito acorde da ABNT. Mas que na prática não oferecem NENHUMA solução real ou plausível. Somos o país das dissertações premidas, mas “inusáveis” (pronto: criei uma nova palavra)… assim a palavra ‘inútil’ (que deveria ser usada) não ofenderá com tanta força os corações frágeis de nossos acadêmicos eternos…).

Venho falando do ESG sob várias perspectivas, para trazer olhares mais próximos da realidade de empresas, profissionais, empreendedores e startups. Busco sempre fazer correlações que instiguem PESSOAS a refletirem.

Mas existem limites que ninguém fala. Problemas que ninguém coloca na pauta para entrar no debate: vontade política real para fazer o país ser a real POTÊNCIA que tem vocação para SER.

Mas façamos nós a nossa parte! E é por isso que quando falamos em melhorias nas empresas; evolução da Gestão de Pessoas, e a construção do novo formato de lideranças nas empresas e de mapear o desenho de GESTÃO para cada realidade… isso, no final, sempre fica com um gosto meio ‘amargo’ no fundo da boca. E por quê!?

Na estrutura do país, nós (sociedade), pessoas que trabalham em empresas privadas, geramos o ativo positivo do produto interno bruto, somos agentes reais e orgânicos do PIB. Somos os 90% que gera as riquezas reais do país, entre empresas de todos os tamanhos e trabalhadores. Mas somos a minoria, a maioria que está nas 2 primeiras faixas da base da pirâmide econômica não geram praticamente nada, só recebem. E essa equação nem Einstein conseguiria resolver.

Como sempre digo nos meus artigos: ‘um dia a Conta vem’… e, nesse caso, será em dólar e euro.

E qual a relação disso, com a questão logística brasileira!?

Simples… se há quase 30 anos vem se falando e debatendo sobre a implantação estratégica da Logística Multimodal para baixar o Custo-Brasil e tornar os produtos brasileiros mais competitivos nos mercados interno e externo, e, absolutamente, nada se fez de prático sobre isso… apenas fomos com tudo ladeira abaixo!! De que forma, então, manter o otimismo e permanecer acreditando na civilidade!?

Boa pergunta!! De fato, é um grande tema para debate ‘acadêmico’… sóquenão!!!  …

Para a nossa sobrevivência e sanidade mental, temos que permanecer acreditando em propósito e verdade. Por isso, aconselho a verem no ESG o farol a nos guiar pelos princípios éticos. De nos manter acreditando que fazer o bem sem olhar a quem, faz sentido. De nutri nossa humanidade e continuar trabalhando, criando, inventando e gerindo nossas empresas como parte de nossas famílias,. Isso é respeitar e ter empatia por muitas outras famílias (de clientes e funcionários) que precisam que todos os dias aos acordarmos,  tenhamos a vontade de continuar acreditando que fazer a nossa parte é importante e impacta pessoas.

“Acredite, cada passo dado com propósito real de melhorar o mundo a nossa volta é o mesmo que a natureza faz em todos os seus ciclos; germina as sementes e árvores vão crescendo e nutrindo o solo com suas raízes e seiva. Seja a consciência de quem não tem. Seja os olhos de quem tapa sua visão. Veja a verdade diante das mentiras. Seja a honestidade perante os ’espertos’. Acredite, sempre tem alguém olhando para a virtude e desdenhando e invejando. Mas, de Fato, será a sua lavoura a mais próspera e abundante. Serão os seus campos os mais verdes, mesmo que o manejo demore, persista e caminhe pelo bom-senso. Se manter fiel a ética e, no final, seus filhos, amigos e funcionários seguirão seus ensinamentos. Seu legado será estudado e levado adiante às gerações. E os espertos!? Nem se preocupe, alguns continuarão fazendo seus TCCs de mestrados e doutorados, mas nada que vá mudar a vida real.”

Vamos continuar a trabalhar, produzir e fazer o que é certo! Façamos a nossa parte.

Que em 2026, seja possível dar passos mais largos e reais para mitigar a irracional logística brasileira.   

Que no novo ano, o ESG seja – o farol para que as conexões fluem, gerem resultados e aprendizados constantes.  

LEMBRE: Acreditar é parte importante da SOLUÇÃO!

——————————-

KÁTYA DESESSARDS | Conselheira e Mentora em ESG e Comunicação Estratégica. Integrante do Institute On Life  –  Co-Autora no livro: Gestão! Como Evoluir em uma Nova Realidade?

Experiência de 27 anos em diversos setores do mercado.  |  Quer Saber Mais?  CLICK AQUI

Rede Brasil Inovador

Aldo Cargnelutti é editor na Rede Brasil Inovador.

Somos uma rede colaborativa que promove os ecossistemas de inovação.

Conteúdo
https://brasilinovador.com.br

Conexões
https://brasilinovador.com.br/guia

WhatsApp
+55 11 94040-5356

Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.