A presidente da Junta Comercial, Lauren Mazzardo, ressaltou o caráter transformador da iniciativa e o valor das trajetórias apresentadas.
A etapa final do concurso “Elas Transformam” ocorreu na noite de quarta-feira, 25, no Teatro de Câmara Túlio Piva, em Porto Alegre. Promovido pela Junta Comercial, Industrial e Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS), em parceria com a Secretaria de Inclusão Digital e Apoio às Políticas de Equidade (Seidape) e a Agência Besouro de Fomento Social, o evento reuniu mulheres empreendedoras cujas trajetórias traduzem, de forma concreta, o potencial transformador do empreendedorismo feminino.
Ao longo da cerimônia, o público acompanhou relatos que ultrapassam o âmbito dos negócios e alcançam dimensões sociais e pessoais. As histórias apresentadas revelaram percursos marcados por desafios, recomeços e persistência, evidenciando como iniciativas individuais podem gerar impacto coletivo e abrir caminhos para outras mulheres.
Inserido no programa Avança Mulher Empreendedora, o concurso consolida-se como instrumento de incentivo à autonomia financeira feminina. A proposta vai além da premiação: busca fortalecer projetos com capacidade de gerar renda, ampliar oportunidades e promover desenvolvimento em diferentes territórios, conectando propósito e sustentabilidade econômica.
Agricultura e identidade
A trajetória da primeira colocada, Cristiane de Souza Saldanha, sintetiza esse movimento. Ligada à agricultura familiar, iniciou suas atividades em 2013, mas foi em 2020, no contexto da pandemia, que passou a dedicar-se integralmente à produção. A certificação orgânica ampliou horizontes, permitindo a inserção em feiras e a consolidação da venda direta de cestas ao consumidor. Hoje, além de participar de feira no bairro Tristeza, aos sábados, Cristiane integra a Associação de Produtores Rurais de Porto Alegre, onde exerce a vice-presidência, articulando produção, distribuição e ações educativas voltadas à alimentação saudável e ao meio ambiente.
Também marcada por reinvenção, a história da segunda colocada, Darcila da Silva, revela um percurso de superação e ressignificação. Enfermeira aposentada, enfrentou obstáculos para concluir sua formação e encontrou, na produção de bonecas Abayomi, uma forma de expressão cultural e geração de renda. Ao rebatizá-las como Madas, em homenagem à mãe, incorporou afeto e memória ao trabalho. Nas oficinas que promove em escolas, compartilha com crianças referências de ancestralidade, fortalecendo identidade, pertencimento e representatividade.
Presente à cerimônia, a presidente da Junta Comercial, Lauren Mazzardo, ressaltou o caráter transformador da iniciativa e o valor das trajetórias apresentadas. Ela destacou que a participação, por si só, já representa uma conquista para as empreendedoras, ao dar visibilidade às suas histórias e fortalecer a confiança em seus próprios caminhos. “Todas as histórias são inspiradoras”, afirmou.
Também participaram da cerimônia a coordenadora dos Direitos das Mulheres, Fernanda Mendes Ribeiro; e a secretária adjunta de Governança Cidadã e Desenvolvimento Rural, Cíntia Rockenbach.
Impacto social
Ao reconhecer iniciativas que nascem da realidade cotidiana e se transformam em soluções concretas, o “Elas Transformam” reforça o compromisso da Junta Comercial com políticas de inclusão produtiva e valorização do empreendedorismo feminino, contribuindo para um desenvolvimento econômico que incorpora, de forma crescente, dimensão social e humana.
Por Mariana Abbad / Edição: Luiz Fernando Aquino / Foto: Mariana Abbad