Investimentos em data centers devem alcançar US$ 456 bi em 2026, pressionados por sustentabilidade

Setor cresce em ritmo acelerado, mas enfrenta o desafio de reduzir impactos ambientais

O mercado de data centers segue avançando como um dos pilares da economia global. Responsáveis por sustentar grande parte da infraestrutura digital do planeta, essas instalações concentram cerca de US$ 252,3 bilhões em investimentos em 2025, valor 50% maior em relação ao ano passado, segundo um relatório da Universidade Stanford.

A pesquisa projeta ainda que o salto será mais expressivo em 2026. Até lá, a tendência é de que os aportes cheguem a US456 bilhões, alta de 80% em comparação ao cenário atual. Ao mesmo tempo, crescem as preocupações ligadas ao impacto ambiental do setor e à demanda por fontes renováveis de energia.

Alta demanda de água e energia acende alerta em data centers

À medida que novas instalações são construídas no país, aumenta a pressão para que o segmento reduza o uso de recursos naturais. Segundo a Agência Internacional de Energia, o consumo global desses centros deve saltar de 415 TWh em 2024 para 945 TWh em 2030.

A operação contínua de servidores e sistemas de refrigeração mantém os data centers entre os maiores consumidores corporativos de eletricidade. A expansão da inteligência artificial é apontada como o principal fator para esse crescimento.

Outro ponto crítico envolve o uso de água. Sistemas de resfriamento podem exigir milhões de litros por dia em grandes complexos. No Brasil, onde os investimentos em data centers podem chegar a R$ 258 bilhões até 2027, parte dos projetos já levanta discussões sobre o tema.

Esse debate reflete um cenário global. Em entrevista ao jornal The Guardian, a pesquisadora Paz Peña, especialista em impactos ambientais da tecnologia, afirmou que o Brasil está no centro das disputas ambientais envolvendo esses empreendimentos.

Segundo ela, a expansão ocorre sem normas específicas que garantam maior controle social. Entre as preocupações de comunidades locais estão o alto consumo de recursos, a ausência de estudos ambientais consistentes e a baixa transparência sobre impactos.

Diante desse contexto, especialistas defendem que o crescimento do setor precisa vir acompanhado de regras claras e práticas mais eficientes para evitar desequilíbrios ambientais.

Como empresas de tecnologia podem se adaptar às novas exigências

A pressão por eficiência energética tem levado empresas de tecnologia a rever processos e acelerar compromissos ambientais. No setor de hospedagem de sites, diretamente ligado à operação de data centers, essa mudança ocorre de forma ainda mais intensa.

Provedores têm ampliado o uso de energia renovável, adotado sistemas de resfriamento mais eficientes e desenvolvido métricas transparentes para monitorar o impacto climático. O objetivo é reduzir emissões e atender às novas expectativas do mercado.

Um exemplo é a empresa de hospedagem Hostinger, que lançou uma campanha sobre o impacto ambiental dos data centers e, desde 2024, opera apenas com energia renovável em suas instalações. A companhia afirma que liderar em infraestrutura otimizada exige compromissos reais e mensuráveis.

“Na Hostinger, acreditamos que inovação sem sustentabilidade deixou de ser uma opção. Concluir a transição para 100% de energia renovável em nossos data centers  é reflexo de um compromisso contínuo com a eficiência e o planeta. Nosso papel é liderar pelo exemplo, mostrando que é possível oferecer performance e escalabilidade com responsabilidade ambiental”

A busca por eficiência também passa por métricas claras. O PUE (Power Usage Effectiveness), por exemplo, mede o quão bem o data center utiliza sua energia. Quanto menor o número, menor o desperdício com resfriamento e perdas internas.

Além disso, o uso de hardware otimizado reduz consumo e calor, o que diminui a necessidade de refrigeração. Já as soluções de storage inteligente organizam e armazenam dados de forma mais eficiente, reduzindo o uso de discos.

Com a expansão global da infraestrutura digital, práticas sustentáveis se tornam uma obrigação no setor. Por isso, as empresas que liderarem essa transição tendem a fortalecer a confiança do mercado e contribuir para um futuro mais alinhado às demandas ambientais.

Rede Brasil Inovador

Aldo Cargnelutti é editor na Rede Brasil Inovador.

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