MCTI e Finep estimulam projetos que transformam conhecimento científico em soluções industriais mais sustentáveis, com impacto direto na economia e no futuro energético. Foto: Agência Nacional de Mineração
Projetos inovadores voltados ao desenvolvimento de minerais críticos, mineração urbana, ímãs de terras-raras, tecnologias sustentáveis para mineração e descarbonizarão da transformação mineral serão apoiados com R$ 200 milhões em recursos públicos. A iniciativa integra a segunda rodada do Finep Mais Inovação Brasil, lançado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
O edital apoia iniciativas de pesquisa, desenvolvimento e inovação executadas por empresas brasileiras, em parceria com as Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs). O objetivo é fortalecer cadeias produtivas estratégicas, ampliar a autonomia tecnológica nacional e acelerar a transição energética.
A ministra do MCTI, Luciana Santos, destacou que o edital marca um passo importante para consolidar uma nova fase da indústria brasileira. “A chamada é estratégica para o fortalecimento da indústria nacional. Estamos destinando R$ 200 milhões para apoiar projetos inovadores que agregam valor às nossas cadeias minerais, ampliam a autonomia tecnológica do Brasil e impulsionam a transição energética. Enfim, estamos promovendo uma nova etapa de industrialização sustentável”, afirma.
A seleção faz parte dos programas mobilizadores do MCTI de industrialização em bases sustentáveis. A proposta é conceder o direito à saúde, à segurança sanitária, transformação digital, à transição energética e à defesa nacional.
Linhas temáticas – projetos inovadores
- Minerais e materiais críticos
- Mineração urbana
- Ímãs de terras-raras
- Tecnologias sustentáveis para mineração
- Descarbonização da transformação mineral
Para participar, a empresa deve, inicialmente, se cadastrar na plataforma da Finep. Após essa etapa, a proposta precisa ser preenchida no sistema de financiamento e enviada com toda a documentação exigida no edital. O prazo final para submissão é 31 de agosto de 2026, às 18 horas (horário de Brasília), e a inscrição ocorre exclusivamente de forma digital.
Depois do encerramento das inscrições, as propostas passam por duas fases de avaliação. A primeira é a habilitação, que verifica o atendimento aos requisitos formais e às regras da chamada. Na sequência, ocorre a análise de mérito, com exame técnico do projeto segundo critérios como consistência, grau de inovação e relevância estratégica.
O edital completo e as orientações detalhadas estão disponíveis no portal da Finep.
Inovar para a energia limpa no Brasil em 2026 exige um olhar que vai além da simples instalação de painéis solares. O país vive o auge da Transição Energética 2.0, onde o foco mudou da “geração” para a “gestão, armazenamento e novos vetores”.
Aqui estão os caminhos estratégicos e as tecnologias onde a inovação brasileira está concentrada:
🟢 1. Hidrogênio Verde (H2V): O “Pré-Sal” das Energias Limpas
O Brasil possui o custo de produção de hidrogênio renovável mais baixo do mundo. A inovação aqui não é apenas química, mas logística.
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Hubs de Hidrogênio: Ceará (Porto do Pecém) e Rio Grande do Norte lideram a inovação em eletrólise de larga escala.
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Inovação: Desenvolvimento de células a combustível nacionais e motores de combustão adaptados para queimar H2V em indústrias pesadas (siderurgia e cimento), reduzindo a pegada de carbono onde a eletricidade pura não chega.
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🌬️ 2. Eólicas Offshore (No Mar)
Com a regulamentação consolidada em 2024-2025, o foco de 2026 é a inovação em infraestrutura marinha.
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Turbinas Flutuantes: Inovação em engenharia para instalar torres em águas profundas, onde o vento é mais constante e potente.
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Sinergia com Petróleo: Uso da expertise da Petrobras em plataformas de petróleo para criar estruturas de suporte para energia eólica no pré-sal.
☀️ 3. Armazenamento e Baterias (Energy Storage)
O maior desafio das fontes solar e eólica é a intermitência (o sol se põe, o vento para).
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Baterias de Lítio e Ferro-Fosfato (LFP): Inovação na fabricação nacional de células de bateria para reduzir a dependência da China.
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Baterias de Fluxo e Gravidade: Tecnologias inovadoras que usam blocos de concreto ou líquidos químicos para armazenar energia por longos períodos em plantas industriais.
📱 4. Smart Grids e IA (Digitalização da Energia)
Inovar em energia hoje é, acima de tudo, inovar em software.
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Smart Grids: Redes inteligentes que usam sensores e IoT para distribuir energia de forma eficiente, evitando perdas.
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IA Preditiva: Algoritmos que preveem o consumo de uma cidade e a geração de uma usina solar com base no clima, ajustando a carga da rede em tempo real para evitar apagões.
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V2G (Vehicle-to-Grid): Tecnologia que permite que carros elétricos “emprestem” energia para as casas ou para a rede durante horários de pico.
♻️ 5. Biocombustíveis de Segunda Geração (E2G)
O Brasil é líder em etanol, mas a inovação está no Etanol de Segunda Geração.
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Aproveitamento de Resíduos: Usar o bagaço e a palha da cana para produzir combustível, aumentando a produtividade em 50% sem plantar um único hectare a mais.
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SAF (Sustainable Aviation Fuel): Inovação em querosene de aviação sustentável feito a partir de biomassa brasileira, um mercado bilionário para as exportações.
💰 Como financiar essa inovação?
Para empresas brasileiras (como as de Guaíba ou da Serra Gaúcha), o caminho para inovar em energia limpa passa por:
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Lei do Bem (MCTI): Abatimento fiscal para o desenvolvimento de novos componentes ou softwares de gestão energética.
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Linhas Finame (BNDES): Crédito barato para aquisição de máquinas e sistemas de energia renovável fabricados no Brasil.
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P&D da ANEEL: Fundos obrigatórios que as distribuidoras de energia devem investir em projetos de inovação tecnológica propostos por empresas e universidades.